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Nos bairros de SP mais afetados pela Covid-19, só 5% tiveram contato com o vírus

Foto: Folhapress
Postado em: 17/05/2020

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Phillippe Watanabe, Folhapress

 

A primeira fase de um estudo para verificar a presença do novo coronavírus em São Paulo mostrou que somente cerca de 5% dos moradores dos seis bairros mais afetados da cidade tiveram contato com o vírus. O estado de São Paulo já tem mais de 60 mil casos da Covid-19, a maior parte deles concentrado na capital.

 

O estudo, feito entre 4 e 12 de maio, verificou a presença do Sars-CoV-2 nos bairros do Morumbi, Jardim Paulistano e Bela Vista –os três com a maior número de casos por 100 mil habitantes na cidade– e Água Rasa, Belém e Pari –os quais têm o maior número de óbitos por 100 mil habitantes.

 

O inquérito sorológico feito em São Paulo é liderado pelo Grupo Fleury em parceria com a ONG Instituto Semeia e com o Ibope Inteligência. Participam do esforço a Faculdade de Saúde Pública da USP, da Faculdade de Medicina da USP e da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

 

Após sortearem 1.152 casas nos bairros em questão, os pesquisadores coletaram sangue de um morador escolhido aleatoriamente de 296 casas selecionadas e de outras 224 pessoas que também moravam nessas residências, somando, assim 520 amostras de sangue coletadas.

 

Com o material obtido, os pesquisadores fizeram testes sorológicos, ou seja, exames que detectam a presença de anticorpos relacionados ao Sars-CoV-2 no sangue das pessoas, o que indica que o indivíduo teve contato com o vírus.

 

Os testes usados pelos pesquisadores têm sensibilidade superior a 99% dezenove dias depois dos primeiros sintomas e de 90% entre os dias 11 e 13.

 

Entre as pessoas que participaram da pesquisa, somente 27 (5%) apresentavam anticorpos para o novo coronavírus. Levando esses dados em conta, os cientistas concluíram que cerca de 18.299 pessoas das 352.428 que vivem nesse bairros tiveram contato o Sars-CoV-2.

 

Com esses dados levantados nos bairros paulistanos, os cientistas estimam que a letalidade geral da infecção seja de cerca de 0,95%.

 

Beatriz Tess, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, afirma que os dados ajudam a entender o momento passado e recente da pandemia na população geral em partes mais afetadas de São Paulo, considerando que os dados que são disponibilizados dizem respeito somente a casos graves e a pessoas que têm mais acesso a testes, como profissionais de saúde.

 

A especialista afirma também que a porcentagem relativamente baixa de pessoas que tiveram contato com o vírus pode estar relacionada a ações precoces de isolamento social em São Paulo, que podem ter impedido maior circulação do Sars-CoV-2.

 

"Cinco por cento é pouco? É. Mas ainda estamos no começo da pandemia, não podemos esquecer isso", diz Tess. "O distanciamento social é justamente recomendado para que essa proporção infectados fique bem baixa."

 

Mesmo com esse primeiro valor baixo encontrado, cerca de 83% das UTIs e 74% das enfermarias para Covid-19 da região metropolitana de São Paulo estão ocupados. No estado, as taxas são respectivamente de 68% e 52%.

 

A quarentena em São Paulo está em vigor desde 24 de março. Apenas serviços essenciais estão abertos ao público no estado. Naquele momento, o estado tinha 396 casos confirmados e 15 mortos pela Covid-19.

 

A taxa de infecção em São Paulo é similar à encontrada em pesquisa feita na Espanha (também 5%), que já passou pelo pico da pandemia.

 

Na próxima etapa do estudo paulista, os pesquisadores pretendem fazer uma amostragem que seja representativa de toda a cidade de São Paulo.

 

Tess relata que a equipe enfrentou resistência de parte da população para participação no inquérito sorológico, com, por exemplo, síndicos e porteiros impedindo o contato com moradores de prédios.

 

Segundo a cientista, porém, esse tipo de dificuldade já faz parte da literatura de pesquisa, principalmente para áreas mais verticalizadas e abastadas. "É compreensível", diz, considerando fatores como medo, insegurança e tentativa de se proteger no momento atual.

 

Inquéritos sorológicos recentes da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas) apontam que cerca de 0,22% da população gaúcha teria tido contato com o novo coronavírus, o que representa cerca de 24.860 infectados no estado – há 3.695 casos confirmados nos dados oficiais. O estudo mais recente aponta uma letalidade em torno de 0,4%.

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