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Mulher que preparou marmita suspeita diz que família ingeriu alimentos e ninguém passou mal

Folhapress
Postado em: 23/07/2020

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Alfredo Henrique, da Folhapress

A pastora de 51 anos que preparou a comida servida a dois moradores de rua que morreram na madrugada desta quarta-feira (22) em Itapevi, na Grande São Paulo, garante que ela e seus familiares também se alimentaram das mesmas marmitas, supostamente contaminadas, e não passaram mal.

À reportagem, a pastora evangélica Agda Lopes Casimiro disse que procurou a polícia na noite desta quarta, assim que soube das mortes.

Um menino de 11 anos e uma jovem, de 17, passaram mal e seguem internados após também terem consumido uma das marmitas distribuídas, segundo a polícia. Um cachorro também teria morrido após ingerir os mesmos alimentos.

Na terça, Agda diz ter preparado arroz, feijão, repolho e salsicha, por volta das 18h, e feito as marmitas. A comida foi entregue cerca de quatro horas depois a Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, 37 anos, José Luiz de Araújo Conceição, 61, e outros moradores de rua em um posto de combustíveis desativado, no bairro Jardim Santa Rita.

Imagens de uma câmera de monitoramento mostram o momento em que Agda para com seu carro nos posto e, acompanhada do marido, distribui o alimento para os desabrigados. "Meu esposo e eu comemos dela [marmita]. Inclusive, congelamos parte da comida que preparei e vamos entregar para a polícia [analisar]", explicou.

A pastora afima que doa comida à moradores de rua há dez anos na região de Cotia (Grande SP) e, desde o início de 2020, entrega marmitas a pessoas em situação de rua em Itapevi.

Ela disse ainda ter pensado ser uma fake news a morte dos moradores de rua, até que viu o caso na televisão e percebeu "que era sério". "Fui para a delegacia umas 19h [de quarta, 22] e expliquei tudo."

Segundo Agda, alguns pedaços de carne foram apresentados à polícia, mas ela afirma que a marmita feita por ela só continha salsicha.

O delegado Aloysio Ribeiro de Mendonça Neto, titular da delegacia de Itapevi, afirmou que outros dois moradores de rua contaram que as vítimas teriam porções de comida guardadas há uma semana no local. "Estive no local e não achei comida largada por lá. Só em um lixo [queimado], fora do posto", explicou.

A polícia ainda não descarta qualquer linha de investigação sobre o caso, inclusive a de envenenamento, que será constatado somente após a conclusão de exames periciais e necroscópicos.

Os dois moradores de rua foram sepultados nesta quinta no cemitério municipal de Itapevi.

O morador de rua Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira recebeu cinco marmitas dos voluntários, das quais deu três para o vendedor de churros Flavio de Araújo, 42 anos."Ele me deu as marmitas, pois falou que não queria que estragassem", conta Araújo

O vendedor contou à reportagem que sua namorada, de 17 anos, comeu uma marmita inteira e seu filho, de 11 anos, comeu mais da metade de outra. Ele ainda disse que só comeu a salsicha. "A comida tava quentinha, aí ninguém resistiu. Mas, depois de uns 15 minutos, meu filho me procurou, já passando mal."

A criança desmaiou no banheiro de casa, onde teria tido convulsões, segundo Araújo. Ele e a namorada levaram o garoto ao pronto-socorro central de Itapevi.

Quando acompanhava o filho, a namorada de Araújo também começou a passar mal e foi socorrida. "Os médicos falaram que os dois estavam com sinais de envenenamento por chumbinho [veneno de rato]. Mas eu, que também comi da marmita, não senti nada", explicou.

Os dois moradores de rua também foram levados para o mesmo pronto-socorro, minutos depois de comerem a marmita, mas morreram.

Após o primeiro atendimento, o menino foi transferido para o Hospital Geral de Pirajussara, em Taboão da Serra, e a adolescente para o Hospital Regional de Osasco, ambos na Grande São Paulo. Os dois, segundo o vendedor, estavam em observação até a publicação desta reportagem.

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