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Moradores do Rio trocam Carnaval carioca pelo de São Paulo

Foliões se divertem com a passagem do bloco "Tarado Ni Você", na esquina da avenida São João com a Ipiranga, no centro da capital paulista, neste sábado de Carnaval. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
Postado em: 22/02/2020

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Júlia Zaremba, da Folhapress

A rixa entre Rio e São Paulo ganhou mais um componente: o Carnaval. E o bloco dos vira-casaca (para o lado paulista) ganha cada vez mais adeptos, motivados pela insatisfação com a superlotação, o trânsito e as ações da prefeitura carioca vistas como anticarnavalescas.

A folia deste ano será a maior que a capital paulista já teve: serão 678 blocos autorizados, aumento de 38% em relação a 2019, que devem atrair cerca de 15 milhões de pessoas. Ultrapassou o Rio, que terá 441 desfiles de rua durante a festa, pelo segundo ano consecutivo. 

O diretor de teatro Ricardo Cabral, 29, passará o Carnaval em São Paulo pela primeira vez, acompanhado de um casal de amigos. Morador de Copacabana e carnavalesco habitué, conta que frequenta os blocos do Rio desde o início dos anos 2000, período da retomada dos cortejos de rua. 

Um dos motivos para decidir viajar a São Paulo é o desânimo com a cidade natal. "O Rio está largado. E a prefeitura não tem se empenhado em fazer do Carnaval uma festa alegre e economicamente produtiva", diz. "Desmobiliza as pessoas, que se sentem menos seguras e à vontade." 

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) carrega a pecha de anticarnavalesco, o que é visto como um aceno a seu eleitorado. 

Nunca foi a desfiles de escolas de samba durante a sua gestão, reduziu subsídios para as agremiações, quebrou tradição ao deixar de entregar as chaves da cidade ao Rei Momo e entrou em embate com blocos grandes ao tentar fazê-los sair só durante a manhã após confusão na abertura oficial da festa. 

Cabral também se queixa da superlotação dos cortejos. "Ouvi dizer que o Carnaval de São Paulo está parecendo com o do Rio de alguns anos atrás, porque está bombando há menos tempo", diz ele, que também cogitou viajar a Belo Horizonte. 

Entre os blocos aos quais planeja ir, estão inclusos o Tarado Ni Você, com canções de Caetano Veloso, e o Ilú Obá de Min, composto só por mulheres. Ficará de sexta até quarta e escolheu o bairro de Campos Elíseos para se hospedar. 

Outro que irá estrear na folia paulista é o servidor público Paulo Henrique Santos, 37. Em anos anteriores, viajou para Minas Gerais e Pernambuco durante o feriado. 

Decidiu que era a vez da capital paulista ser incorporada ao roteiro, "para fugir da mesmice do Rio", incentivado por um amigo que mora em Santo André (no ABC). 

A diversidade de temáticas dos blocos foi um dos atrativos. "Ainda estou desvendando com amigos para quais eu vou", diz ele, que já se vestiu de bate-bola, desfilou na Sapucaí e apoiou blocos no Rio.

É adepto de cortejos que tocam marchinhas tradicionais e rock. E quer evitar os megablocos: "Vou correr atrás de uma coisa mais tranquila".

A publicitária Luísa Costa, 26, passará a folia na capital paulista pelo segundo ano consecutivo. "No Rio, a cidade entra em uma espécie de realidade alternativa no Carnaval, nada funciona. Em São Paulo, fora dos blocos as pessoas vivem uma vida normal", diz. "Estou em um momento em que prefiro evitar perrengue."

A diversidade de cortejos de São Paulo também contribuiu para que decidisse viajar. "A minha praia são os blocos de rua, e a cidade tem opções para todos os gostos: axé, funk, samba, pop e muitos LGBT", diz ela, que é paraense e mora no Rio desde os 9 anos. 

Ela é outra insatisfeita com a postura da gestão Crivella diante da festa. "Carnaval de rua é do povo. A postura da prefeitura de ir contra não está necessariamente afastando, mas irritando foliões."

A dificuldade de deslocamento durante a folia foi uma das principais motivações para a arquiteta e urbanista Thaís Teles, 32, decidir trocar o Rio por São Paulo. "No Rio, o transporte público é péssimo e tem trânsito para tudo, é irritante. Falei que não passaria mais lá", diz ela, que ficou na cidade nos últimos três Carnavais.

Hoje, Teles, que é moradora de Niterói, prefere aproveitar só o pré-Carnaval no Rio: "Isso sim é maravilhoso, ir a blocos não oficiais, independentes, desconhecidos." 

Foi atraída pelo crescimento na oferta de blocos de rua na capital paulista e pelo fato de ter amigos que moram na cidade. Ficará em Pinheiros, na zona oeste, e pretende ir a cortejos como Pagu, Charanga do França e Desculpa Qualquer Coisa.

Já havia passado o Carnaval na capital paulista, em 2016. "Mas namorava. Agora, vou solteira", conta.

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