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“Love, Death + Robots” usa antologia coerente e cheia de personalidade para gerar reflexões

Postado em: 24/04/2019

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Erick Rodrigues

Seja no cinema ou no universo das séries, criar uma antologia não é tarefa fácil. A reunião de histórias diferentes em torno de um ponto em comum exige planejamento e, especialmente, qualidade na construção e organização dessas tramas, para que todas estejam inseridas de forma coerente no tema ou fio condutor da obra. Apenas por esse motivo, “Love, Death + Robots”, série de animação da plataforma de streaming Netflix, merece elogios. Só que, além dessa coerência esperada, o espectador acaba tendo contato com um entretenimento de qualidade, que prende a atenção e provoca reflexões importantes.

Produzida por Tim Miller, diretor de “Deadpool”, e pelo cineasta David Fincher, de “Clube da Luta” e “Garota Exemplar”, “Love, Death + Robots”, como o próprio nome diz, reúne 18 histórias diferentes sobre amor, morte e robôs. É injusto, no entanto, ficar apenas com essa breve definição, já que as tramas acabam desenvolvendo outras discussões, que tornam, inclusive, a série relevante para os dias de hoje. Machismo, violência contra a mulher, tolerância às diferenças, política, humanidade, finitude e outros temas fazem parte dos curtos episódios da antologia, que não passam de 20 minutos cada.

Chega até ser difícil escolher alguns episódios para destacar, uma vez que eles são tão diferentes entre si, ainda que sustentados pela mesma proposta. Um dos meus favoritos, por exemplo, é “Three Robots”, trama que, em um primeiro momento, pode parecer boba, mas que provoca uma reflexão pertinente sobre o ser humano e o futuro da sociedade. A história dos três robôs que fazem uma exploração pela Terra para obter mais informações sobre a humanidade, nessa altura totalmente dizimada, usa o humor para deixar claro que a arrogância e as nossas certezas podem nos destruir.

Outro episódio muito interessante é “Histórias Alternativas”, que parte da ideia de explorar diversas possibilidades de futuro para o mundo a partir de uma mudança nos acontecimentos históricos. Para isso, o roteiro imagina seis possibilidades de futuro diferentes geradas a partir de formas distintas da morte de Adolf Hitler.

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Divulgação

A humanidade também está no centro do episódio “Quando o Iogurte Assumiu o Controle”, que parte da absurda (será?) ideia de um iogurte modificado cientificamente para adquirir consciência e inteligência para resolver os problemas políticos do planeta. Também com certa dose de humor, a trama permite ao espectador uma discussão oportuna sobre o instinto do ser humano e a capacidade de não seguir ordens.

Também merecem destaque as histórias “A Vantagem de Sonnie” e “Boa Caçada”, que trazem boas abordagens sobre abusos e violência contra as mulheres; e “A Testemunha”, trama instigante sobre uma mulher que vê um assassinato e passa a ser perseguida pelo homem que cometeu o crime. Na verdade, a maioria das histórias de “Love, Death + Robots” é tão interessante que parece injusto ter destacado apenas essas.

Cada episódio da antologia foi criado por diferentes equipes de animação do mundo todo, o que se reflete na estética das histórias. Com traços e cores diferentes, que vão do realismo ao anime, também passando por um referência de cartoons, cada história ganha personalidade e, com isso, a série contabiliza mais uma qualidade.

É claro que “Love, Death + Robots” não é perfeita. Como em qualquer antologia, algumas histórias rendem mais do que outras e, dentro do proposta da série, há aquelas que soam mais superficiais. De fato, o espectador percebe que determinadas tramas poderiam ser melhor exploradas com mais tempo de tela ou em uma proposta diferente, mas essa ligeira desregularidade não interfere no resultado final.

Não se deixe enganar pelo fato de “Love, Death + Robots” ser uma antologia de animação. As discussões e a estética são bem adultas, inclusive com sequências de sexo e violência, características que não são gratuitas e estão ali a serviço do proposta da série, que, como poucas, discute temas muito relevantes para os dias de hoje e sempre.

LOVE, DEATH + ROBOTS (antologia com 18 episódios)

ONDE: Netflix

COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)

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