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Líder indígena vai à Justiça contra Bolsonaro por racismo

Postado em: 24/01/2020

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FOLHAPRESS

A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) vai entrar na Justiça contra o presidente Jair Bolsonaro por crime de racismo. O anúncio foi feito na noite de quinta-feira (23) pela líder indígena Sônia Guajajara, coordenadora executiva da organização. 

"Nós, povos indígenas originários desta terra, exigimos respeito. Bolsonaro mais uma vez rasga a Constituição ao negar nossa existência enquanto seres humanos", disse Sônia. "É preciso dar um basta a esse perverso",  completou. 

Em vídeo divulgado na quinta, o presidente defendeu que as comunidades indígenas se integrem ao restante da sociedade e avaliou que, cada vez mais, o índio está "evoluindo" e se tornando um "ser humano igual a nós".

No vídeo, ele destacou que o Conselho da Amazônia, estrutura criada no inicio da semana e que será comandada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, será responsável pela coordenação das atividades de proteção da floresta e também pela defesa das reservas indígenas. 

Sônia Guajajara foi uma das lideranças indígenas reunidas pelo cacique Raoni na semana passada em encontro no Mato Grosso que condenou as políticas de governo de Bolsonaro para os indígenas e rechaçou projeto de lei que permite mineração em terras protegidas.

Durante cinco dias, 600 indígenas de 45 etnias defenderam a união do movimento indígena contra  o governo. 

A manifestação do presidente no vídeo provocou outras reações, como a do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Para ele, a fala do presidente é típica de um nazista.

O racismo de Bolsonaro foi criticado também pelo senador Fabiano Comparato (Rede-ES), que considerou o comentário inaceitável.

"Estimula a invasão de terras. O que mais falta ele falar ou fazer? Temos de rejeitar, veementemente, essas agressões", reagiu. O senador disse ainda que o presidente tem obrigação de oferecer a proteção do Estado aos indígenas. 

Para a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), a visão que o presidente tem dos indígenas é colonialista e medieval. "Esse conceito atrasado é o que justifica o genocídio e o epistemicídio indígena", disse.

Outro parlamentar que reagiu foi Túlio Gadelha (PDT-PE). Para ele, racismo não é apenas crime e sim "o analfabetismo da alma".

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