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Há um ano, Câmara cassava definitivamente o mandato do ex-prefeito José Crespo

Arquivo / Ipa online
Postado em: 02/08/2020

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Há um ano,após mais de 13 horas de discussão e tentativas da defesa de atrasar a sessão, a Câmara Municipal decidiu, por 16 votos a quatro, cassar o mandato do prefeito José Crespo (DEM) e empossar a então vice-prefeita, Jaqueline Coutinho (PTB). A madrugada do dia 2 de agosto de 2019 marcou o fim do mais polêmico mandato de um chefe do Executivo na história de Sorocaba.

Desde a vitória nas eleições de outubro de 2016, o prefeito José Crespo iniciou uma série de polêmicas e disputas internas dentro de seu governo que resultaram em duas cassações, diversas quedas de braço com o Legislativo, uma administração polêmica alvo de um número recorde de inquéritos abertos pelo Ministério Público e até a Operação Policial Casa de Papel, que levou dezenas de agentes da Polícia Civil e do Gaeco ao Paço Municipal e residência de agentes públicos e empresários da cidade.

No primeiro ano de seu governo, o mandato de Crespo à frente da Prefeitura de Sorocaba sofreu o primeiro abalo, deivod à atuação de Tatiane Polis na administração municipal. Em julho de 2017, Tatiane, então assessora lotada no gabinete de Crespo, virou pivô de uma briga política entre ele e a então vice-prefeita. Jaqueline Coutinho foi a público dizer que teria sido humilhada pelo prefeito durante uma reunião em que denunciou a suposta falta de diploma de Tatiane, que teria cursado apenas até a 6ª série do ensino fundamental. Para assumir o cargo de assessora, ela deveria ter cursado ensino superior.

A Câmara Municipal abriu a primeira Comissão Processante para apurar quebra de decoro e crime de prevaricação por parte de Crespo. O resultado da investição foi o apontamento da culpa do prefeito e a recomendação de sua cassação, aprovada em sessão polêmica por apenas 1 voto. O processo foi revertida na Justiça depois de 43 dias.

Cassação definitiva

Um ano e meio depois, no entanto, Tatiane voltou a ser pivô de uma nova crise política na cidade. Em fevereiro de 2019, diversos veículos de comunicação noticiaram a volta da ex-assessora trabalhando em eventos oficiais da Prefeitura. A administração alegou que ela fazia trabalho voluntário, informação que não foi confirmada pelos documentos obtidos pela reportagem do IPA Online, que comprovou que os papeis não tinham embasamento oficial e descumpriam o decreto de voluntariado assinado pelo próprio Crespo.

A denúncia motivou a abertura da CPI do Falso Voluntariado, em março. Já no dia 7 de abril, o Ministério Público instaurou um inquérito para investigar a denúncia.

Em 8 de abril, ocorreu o momento que mudou os rumos daquela administração. A Polícia Civil e o Gaeco do Ministério Público, deflagraram a Operação Casa de Papel, que investiga desvio de dinheiro, fraudes em licitações e corrupção de agentes públicos na Prefeitura de Sorocaba, incluindo três secretários e o próprio José Crespo como líder do grupo.

Entre os suspeitos investigados na operação estava Eloy de Oliveira, braço direito, secretário de Comunicação e responsável pela campanha de eleição de Crespo em 2016. Eloy passou, então, a denunciar a atuação de Tatiane Polis na administração municipal. Durante depoimento à polícia, ele afirmou que a ex-assessora exercia comando na prefeitura e que Crespo acertou um salário de R$ 11 mil para ela "trabalhar como voluntária", pagos com dinheiro de contratos da Prefeitura.

O IPA Online obteve e-mails enviados pelo próprio prefeito a Eloy, que confirmaram a denúncia. As conversas mostram que a suposta voluntária tomava decisões importantes sobre a agenda do prefeito, que a chamava de "doutora" e "vossa excelência". Além disso, Crespo pedia permissão a ela para tomar algumas decisões.

Em 28 de abril, a CPI do Voluntariado entregou o relatório parcial que apontava que Crespo cometeu crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Dois dias depois, a Câmara aprovou a criação da Comissão Processante para investigar as denúncias. A CP entendeu que José Crespo cometeu infração político-administrativa no caso conhecido como "falso voluntariado" e recomendou a cassação do mandato.

Além da CP e da CPI, o caso do voluntariado é analisado pela Justiça, após a apuração pela Polícia Civil. Paralelamente, Crespo está sendo investigado pela Delegacia Seccional de Sorocaba e o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público na Operação Casa de Papel. Em uma terceira investigação, a Polícia Civil abriu um inquérito contra o prefeito por suspeita de "pedaladas fiscais".

 

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