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Gangorra de PT e PSDB é política velha e deixou São Paulo no atraso, diz Joice

Arquivo / Folhapress
Postado em: 17/07/2020

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Carolina Linhares, da Folhapress

Pré-candidata do PSL à Prefeitura de São Paulo, a deputada federal Joice Hasselmann, 42, se apresenta como a única alternativa do que chama de "direita racional".

Joice mira os votos de mulheres, dos eleitores de centro, daqueles sem ideologia e até dos bolsonaristas –mesmo após seu rompimento com Jair Bolsonaro e com os filhos do presidente da República.

"Até os mais radicais vão entender a verdade com o passar do tempo da campanha. E eu vou ter muito voto de bolsonarista sim, pode ter certeza", afirma à reportagem.

Bolsonaro não foi o único padrinho rejeitado por Joice, peça central na costura do "Bolsodoria" na campanha de 2018. 
O governador João Doria (PSDB), de quem é próxima, e o prefeito Bruno Covas (PSDB) agora são chamados por ela de "marqueteiros".

"Os eleitores mais de centro, que cansaram dessa política velha, dessa coisa de PT e PSDB, nessa gangorra que deixou São Paulo no atraso, também vão ter uma opção", diz a deputada, em referência às gestões petista e tucana na cidade nas últimas décadas.

"Bruno é um bom menino e um péssimo prefeito", diz ela, que foi visitá-lo no hospital durante o tratamento de câncer dele, num momento em que negociava ser vice na chapa tucana.

Joice afirma que o prefeito não ouviu a ciência ao combater a pandemia do coronavírus e deveria ter imposto quarentena mais rígida no início.

Depois de revelar à CPMI das fake news como supostamente funcionava o disparo de ataques pelo chamado "gabinete do ódio" do Palácio do Planalto, a deputada acabou acusada por ex-assessores de manter a mesma prática –o que ela nega.

Veja a entrevista completa:

Pergunta - Como avalia esse momento do governo Bolsonaro? Apoia seu impeachment?
Joice Hasselmann - Na direita que faz oposição ao presidente, fui a primeira a apresentar um pedido de impeachment por conta dos crimes que ele cometeu e que motivaram a saída do Sergio Moro. Agora, neste momento de guerra, de crise, não vejo clima pro impeachment. Mas pode mudar amanhã, pode mudar com a investigação do Flávio Bolsonaro.

Como enxerga o futuro do governo? Haverá quebra de ordem institucional? Ou ele caminha para a reeleição em 2022?
JH - Ele flerta com o golpe militar há bastante tempo, mas não tem força pra isso, porque não tem o apoio das Forças Armadas. Então sobra a tentativa da reeleição. Por isso tem se aproximado de vários partidos, tem acenado até para o meu partido, que não quer nada com ele.

Se a reaproximação do Bolsonaro com PSL se concretizar, haverá espaço no partido para a sra. criticar Bolsonaro e para ser candidata?
JH - Não tem a menor possibilidade de isso acontecer. O presidente de fato ligou pro [Luciano] Bivar [presidente nacional do PSL] e, óbvio, qualquer um atenderia o presidente da República. Eu não, porque eu bloqueei o presidente. Mas quem não bloqueou atende. O próprio Bivar me garantiu que não há a menor possibilidade de o PSL se alinhar de maneira fisiológica, como os outros partidos estão fazendo, ao governo.
Tentaram destruir o partido e não conseguiram, tentaram tomar de assalto e não conseguiram, e agora estão tentando se achegar ao PSL achando que o PSL é uma moça que se vende fácil. Não é. O PSL não vai entrar no toma lá, dá cá, nessa jogatina do presidente com partidos do centrão.

A sra. tem seu próprio "gabinete do ódio" e vai atacar adversários na eleição?
JH - Não é muito estranho que justamente eu, que denunciei todo esse esquema, agora seja acusada por aqueles que eu denunciei de fazer o que eles fazem? Isso é uma armação patética, ridícula. Nunca em nenhum momento saiu do meu gabinete qualquer informação falsa contra qualquer pessoa.

Qual vai ser o tom da campanha? De ataque aos outros adversários?
JH - Vamos estar num pós-guerra, num pós-pandemia. Minha campanha vai ser propositiva. Vai ser mostrar que eu posso fazer diferente desse monte de marqueteiro. Os últimos candidatos a prefeito são os reis da maquete, prometem tudo e não fazem nada.

Sua candidatura vai até o fim ou a sra. ainda pode ser vice ou desistir?
JH - Possibilidade zero. Eu já tive convites para vice, inclusive o PSDB me sondou muito para eventualmente aceitar a vice do Bruno Covas através do governador João Doria. E eu não aceitei por vários motivos, principalmente porque não acredito na gestão. Bruno é um bom menino e um péssimo prefeito.
Sou a única candidata da direita. E vou me colocar como uma direita racional, não uma direita estúpida, burra, intervencionista, uma direita que só quer confusão e não quer de fato realização. Como candidata da direita, eu tenho obrigação de me colocar nesse pleito, porque todos os outros são de centro-esquerda à esquerda.

Filipe Sabará (Novo), Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patri) são todos nomes colocados à direita, não?
JH - Mas aí eles têm que entender o que é direita, né? Andrea Matarazzo de direita? É uma piada. PSD? Com todo respeito, é um baluarte do centrão. O Filipe Sabará tem uma única pauta, que é morador de rua. E o Arthur se coloca como um liberal, ultraliberal, mas não é exatamente esse modelo que eu proponho. Eu proponho uma liberal na economia, conservadora nos costumes. O candidato que tem os pontos de uma direita racional, de todos que se apresentam, só tem a minha candidatura.

A sra. espera receber algum apoio do governador?
JH - De maneira nenhuma. O governador tem um candidato e o candidato dele se chama Bruno Covas.

Apoiaria Bruno no segundo turno?
JH - É muito cedo pra falar. Eu realmente não acredito na gestão do Bruno Covas, infelizmente. Acho que ele foi uma nulidade como prefeito. E tenho todas as questões ideológicas que envolvem a esquerda, então jamais apoiaria um candidato de esquerda. O melhor é que nós consigamos levar a candidatura para um segundo turno e dar a possibilidade para o eleitor escolher realmente endireitar São Paulo.

Como avalia suas chances eleitorais, já que a sra. não teria votos da esquerda nem de bolsonaristas?
JH - As últimas pessoas que fizeram sucesso nas urnas começaram com 1%, 2%. Eu sou a única que se apresenta como candidata da direita, e até os mais radicais vão entender a verdade com o passar do tempo da campanha. E eu vou ter muito voto de bolsonarista sim, pode ter certeza. Os eleitores mais de centro, que cansaram dessa política velha, dessa velharia que está aí, dessa coisa de PT e PSDB, nessa gangorra que deixou São Paulo no atraso, esses eleitores também vão ter uma opção: sou eu.
A minha ideia é buscar votos de centro, buscar votos de direita, buscar votos de quem não tem ideologia, de quem simplesmente quer uma São Paulo diferente e obviamente buscar o voto da mulherada, que faz grande diferença eleitoralmente e faz grande diferença na nossa cidade.

Como avalia a gestão do PSDB, sobretudo na condução da pandemia?
JH - Achei a gestão fraca. Algumas ideias de jerico, tipo o megarrodízio. O Bruno não conseguiu tampar o teto do Anhembi, choveu no hospital de campanha. A quarentena inicialmente deveria ter sido uma quarentena mais forte para que agora nós pudéssemos ter maior liberdade na cidade.

Acha que ele devia ter feito lockdown no início?
JH - Ele deveria ter ouvido mais a ciência. Se lá atrás a ciência disse que ele deveria ter sido um pouco mais firme nessa quarentena, para que nós pudéssemos ter voltado à vida normal ou próximo do normal, a ciência precisa ser sempre respeitada.
Qual seria a sua marca na gestão? Sua principal proposta? Sua vitrine?"Estou estudando. Mas uma coisa o cidadão de São Paulo pode ter certeza: eu sou aquela que gosta de resolver e vou resolver. Não vou ser a marqueteira. Quero mostrar que São Paulo pode ter padrão Tóquio em muitas coisas. Não tem porque os gestores foram muito ruins, ou incompetentes ou corruptos.

Todas as gestões tentaram resolver a cracolândia, por que acha que vai conseguir?
JH - Eu não disse que ia erradicar a cracolândia. Eu disse que, para enfrentar esse duro problema, só com o envolvimento da família e das igrejas junto com o poder público. Algumas igrejas trabalham de maneira absolutamente descoordenada. Elas podem ser um braço forte da prefeitura para ajudar e dar suporte espiritual às pessoas que querem. Não é obrigar ninguém a nada. Com isso, nós conseguimos diminuir esse problema. Agora, resolver 100% é algo seria temerário alguém prometer.

A sra. considera a tarifa de R$ 4,40 cara. Qual sua proposta para os ônibus?
JH - Primeira coisa é fazer a revisão dos contratos. Há ações simples, como aumentar o número de passageiros em determinados horários, que não os de pico. Quero fechar esse acordo com os comerciantes para que possamos fazer escalonamentos, a depender da atividade do comércio, para que nem todos os trabalhadores cheguem exatamente no mesmo horário.
Outra coisa é tentar levar o comércio e a prestação de serviço mais pra perto do cidadão, para as pessoas que moram mais na periferia. E, aí já envolve o Plano Diretor, trazer quem foi empurrado pra longe da região central da cidade mais pra perto.

Sobre o subsídio do transporte, a sra. considera aumentá-lo para baixar a tarifa?
JH - A forma de baixar a tarifa tem que ser uma forma inteligente, que não caia no bolso de todo cidadão. Porque no momento em que eu estou tirando mais dinheiro do Orçamento para colocar como subsídio, eu estou tirando dinheiro da saúde, da educação, de outros investimentos.

RAIO-X

Joice Hasselman, 42
Jornalista nascida em Ponta Grossa (PR), elegeu-se deputada federal em 2018 pelo PSL de São Paulo, com pouco mais de 1 milhão de votos. Foi líder do governo de Jair Bolsonaro no Congresso, mas rompeu com o presidente. Foi líder do PSL na Câmara e ocupa a Secretaria de Comunicação Social "da Casa. É presidente municipal do PSL em São Paulo.

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