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VÍDEO - "Fui usado", diz empresário sobre polícia e denúncia que culminou na Casa de Papel

Postado em: 21/10/2019

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Fábio Abrahão, empresário considerado o primeiro denunciante de esquema de corrupção dentro da Prefeitura de Sorocaba, que culminou na Operação "Casa de Papel" e indiciamento do então prefeito José Crespo (DEM), concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, durante a manhã desta segunda-feira (21).

A operação foi concluída e a polícia indiciou 11 pessoas entre elas empresários, secretários municipais e o prefeito cassado pelos crimes de organização criminosa, desvio de dinheiro, corrupção ativa e peculato.

"Cheguei na delegacia como se eu estivesse dentro de uma quadrilha. Fui usado. Não tenha dúvida nenhuma disso". O empresário concedeu a entrevista ao lado de seu advogado, Plauto Holtz.

Abrahão, empresário do ramo de comunicação, presidente da TVCom Sorocaba, alega que seu depoimento prestado à polícia foi "distorcido". "Eu não denunciei esquema nenhum", iniciou a entrevista. "Não sou o denunciante. Me chamam assim, mas não sou. Muita coisa que falei foi interpretada de outra forma. A impressão que dá é que queriam derrubar o prefeito para tomarem conta do poder. Me usar de boi de piranha, de marionete é complicado. Não consigo imaginar outra situação". 

O empresário explica que foi chamado para depor, porque "pegaram" uma transferência bancária em sua conta pessoal feita por Felipe Bismara, proprietário da Selt/Twenty, indiciado na operação, de uma prestação de serviço que ambos haviam feito para a prefeitura, mas que não havia contrato firmado. 

Ele disse que um amigo o alertou sobre o esquema da prefeitura e o chamou para fazer a denúncia. "As pessoas sabem que eu jamais sairia da minha casa para resolver denunciar [...] eu não preciso disso. As pessoas me conhecem". "Perdi contratos por ter sido chamado de delator. Acabei fechando a Máxximo Comunicação [outra empresa sua]. Minha vida foi destruída".

"Tenho certeza que fui usado", disse o denunciante sobre Polícia Civil e Casa de Papel. "Tornei-me a peça-chave para delatar um esquema de corrupção", afirmou. Abrahão também defendeu os investigados, como secretários municipais e empresários, hoje indiciados após o término da operação. "As pessoas que estão envolvidas não são bandidas. São empresários comuns que entraram de boi de piranha nessa história".

Assista

Ainda, ele insinuou desconfiar de que havia crime sido cometido no governo. "Quando fui na delegacia, disseram que vão ter várias prisões, que estão desmantelando um esquema de corrupção... Quando fui lá, não vi nada de errado. Cadê as coisas que diziam que tinham algo de errado?". 

O inquérito policial que investigou a Casa de Papel já foi concluído e denunciado ao Ministério Público. No total, são 11 indiciados entre eles secretários municipais e empresários.

Durante a entrevista, o empresário negou ter participado de qualquer crime relacionado a licitações na Administração Pública. "Nunca tive contrato, proposta. Nunca participei de licitação. Minha empresa nem pode concorrer com estes tipos de evento [feitos pela prefeitura]". 

Abrahão também defendeu o indiciado Werinton Kermes, ex-secretário de Cultura do governo do então prefeito José Crespo (DEM).  "Estão crucificando-o. Werinton não fala comigo. Estala revoltado. Nunca tive problema com ele ."Disse que eu estava recebendo dinheiro em esquema com o Kermes. Isso é mentira", alegou. "Uma das perguntas que fizeram pra mim: "você recebe dinheiro da prefeitura? Eu nunca recebi nada. O que me foi pago, foi pago da carteira do Eloi de Oliveira [ex-secretário de Comunicação]", afirmou.

"Minha vida virou um inferno", exclamou após ter feito denúncia sobre a Casa de Papel. "Perdi serviços, dinheiro. Fecharam todas as portas para mim. Com o tempo atrasei salário, pagamento de fornecedores. Você vende suas coisas para pagar essas situações", lamentou. 

Depois das denúncias feitas, Abrahão comentou que "nunca mais conversou com ninguém ligado à prefeitura", também refutou que teria esquema de serviço junto a Felipe Bismara, empresário da Selt/Twenty,  indiciado na operação.

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