Informação e Credibilidade para Sorocaba e Região.

Filha é presa sob suspeita de matar pai, mãe e irmão em São Bernardo; família foi encontrada carbonizada

Postado em: 31/01/2020

Compartilhe esta notícia:

A Polícia Civil prendeu na noite da quarta-feira (29) Ana Flávia Menezes Gonçalves, de 24 anos, sob suspeita de matar o pai, a mãe e o irmão mais novo. A família foi encontrada carbonizada no porta-malas de um veículo encontrado na terça-feira, 28, em uma estrada rural de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

A namorada de Ana Flávia, Carina Ramos, de 31 anos, também foi presa, acusada de participação no crime.

Segundo informações da Polícia Civil, a empresária Flaviana Gonçalves, 40 anos, teria sido obrigada a dirigir o carro em que seu corpo foi encontrado carbonizado, junto com os do marido e do filho, dentro do porta-malas, na madrugada de terça-feira (28), em São Bernardo do Campo (ABC), segundo a polícia.

Pouco antes, por volta de 1h15, o porteiro do condomínio onde a família morava, em Santo André, também no ABC, teria visto a empresária saindo com o carro da família, também de acordo com a polícia.

Em entrevista nesta quinta-feira (30), o delegado seccional de São Bernardo, Ronaldo Tossunian, afirmou que o comerciante  Romoyuki Gonçalves, 43 anos, e o filho do casal,  Juan Gonçalves, 15, teriam sido colocados mortos no veículo dirigido pela mulher.

Flaviana teria sido morta da mesma forma, mas não na residência, já que depois que o veículo da família, um Jeep Compass, não voltou mais ao condomínio. Segundo disse o porteiro à polícia, o Fiat Palio de Ana Flávia passou pela portaria instante antes.

O casal e o filho adolescente foram achados carbonizados no carro da família, no limite entre São Bernardo e Santo André, na madrugada de terça. O carro foi queimado.

Segundo a polícia, pai e filho foram mortos com pancadas no lado direito da cabeça, dentro da casa onde moravam no condomínio Morada Verde, em Santo André.

A causa da morte dos três, segundo laudo preliminar do Instituto Médico Legal, foi traumatismo cranioencefálico. Os corpos, de acordo com a polícia, foram identificados pelas arcadas dentárias.

Segundo câmeras de monitoramento, o carro de Ana Flávia entra e sai do condomínio três vezes, entre 18h16 e 22h12 de segunda-feira (27).

Neste meio tempo, às 20h09, ainda segundo as imagens, Carina entra a pé no local, usando um moletom com capuz. "Chamou a atenção ela usar essa roupa, pois estava muito quente neste dia", frisou o seccional.

Uma testemunha afirmou à polícia que antes de Flaviana chegar em casa com o Jeep, às 22h36, um homem, de aproximadamente 1,90 metro de altura, foi visto com as duas suspeitas.

O assassinato de pai e filho, ainda segundo a polícia, ocorreu pouco antes de o empresário preparar o jantar. "Havia frango ao lado de uma panela com óleo quente", disse o delegado Paul Henry Bozon, que coordena as investigações.

A polícia afirmou que Flaviana foi provavelmente rendida e obrigada a dirigir o carro com os corpos do filho e marido no interior. A investigação agora tenta descobrir se a mulher foi sequestrada antes de chegar em casa, ou quando chegou ao local, após sair do trabalho em um shopping de Santo André.

O delegado Bozon acrescentou que foram encontradas marcas de sangue na região dos joelhos e na altura do zíper de uma calça de Ana Flávia, que havia sido lavada. A identificação ocorreu mediante o uso de luminal (substância que indica a presença de sangue que não pode ser visto a olho nu).

"Este crime foi feito com extrema crueldade e foi premeditado", afirmou Bozon.

Contradições

A polícia disse que as duas suspeitas afirmaram, em depoimento, que Juan, Flaviana e Romuyuki teriam sido mortos por um suposto agiota, para quem a família deveria R$ 200 mil. "Elas também afirmaram que houve uma discussão [na noite do crime] entre as suspeitas e a família", acrescentou Bozon.

As duas ainda afirmaram à polícia que, por conta da discussão, Flaviana teria afirmado que sairia com o marido e o filho, para abastecer o Jeep e viajariam para Minas Gerais. As suspeitas por isso, segundo depoimento, resolveram também sair do imóvel -segundo a polícia, as duas moram juntas em uma favela a cerca de 10 minutos do condomínio.
"Porém, a testemunha, que está protegida, conta uma história que as desmente em tudo", afirmou o delegado.

Segundo a testemunha afirmou em depoimento, após a chegada de Flaviana, o Jeep foi estacionado em frente à casa das vítimas, com o porta-malas voltado para o imóvel.

O homem, ainda segundo a testemunha, ajudou uma das duas suspeitas a colocar grandes embrulhos no porta-malas do Jeep.

Imagens de câmeras de monitoramento mostram um quarto suspeito a pé, do lado de fora do condomínio, segurando dois capacetes de moto nas mãos, minutos antes de os carros saírem do local.

Outro ponto de contradição, segundo a polícia, é o em que as suspeitas em nenhum momento falam sobre o sangue encontrado na casa, além de estar tudo revirado na residência.

Foram levados do local, ainda segundo a polícia, R$ 8.000, dólares, joias e uma espingarda antiga. A arma, o dinheiro e as joias não foram encontrados.
A polícia solicitou a quebra do sigilo telefônico de Ana Flávia e Carina.

Perfis

O delegado Bozon afirmou que Ana Flávia e Carina demonstraram comportamentos diferentes durante os depoimentos prestados nesta terça, no Setor de Homicídios de São Bernardo do Campo –as duas foram ouvidas novamente na tarde desta quinta-feira (30).
Segundo o policial, Ana Flávia estava muito nervosa. "Houve momentos em que ela não conseguia nem falar", salientou. A filha do casal, inclusive, teria passado mal e vomitado, de acordo com a polícia.
Já Carina, ainda conforme o delegado, "é mais fria" do que a namorada. "Ela se manteve calma enquanto contou sua versão", afirmou o policial.

Outro lado

O advogado Lucas Domingos, que defende Ana Flávia e Carina, afirmou que as duas negam participação e autoria no crime. 

Questionado sobre contradições nos depoimentos delas, ele disse que quando tiver acesso ao inquérito do caso verificará "quais são". "Também preciso ter acesso às filmagens e falar melhor com elas para constatar se de fato existem contradições. Tenho que ver o que posso fazer para ajudá-las."

Ele afirmou que foi contratado por uma amiga das suspeitas, que preferiu não identificar.

Compartilhe:

NOTÍCIAS RELACIONADAS

CPI da Saúde denuncia esquema de laranjas no Instituto Diretrizes, que dirige UPHs Norte e Oeste

Crespo passa a ser investigado na “Casa de Papel” por suspeita de fraudes

Médico conhecido como ‘Doutor Bumbum’ tem registro profissional cassado

PGR pede que Supremo apure eventual crime de homofobia de Milton Ribeiro

Oficina Livre de Teatro Online de interpretação e criação de Personagem - veja a coluna de José Simões

Em meio a agravamento da pandemia, prefeitura cancela Réveillon virtual de São Paulo