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Empresas de transporte atacam sindicato, defendem redução e dizem que paralisações vão gerar superlotação

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Postado em: 02/07/2020

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A empresas concessionárias do transporte coletivo de Sorocaba enviaram uma nota conjunta à imprensa nesta quinta-feira (2) para desmentir as afirmações feitas pelo Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região ontem. De acordo com as empresas, a nota de repúdio do Sindicado sobre a decisão da Prefeitura de Sorocaba em reduzir o contrato das concessionárias do transporte em 25% foi sintética e não abordou a totalidade das informações. 

As empresas Consor Sorocaba e STU confirmaram a redução, mas afirmaram que a "medida adotada pela Prefeitura não comprometerá o sistema de transporte da cidade". 

Segundo os empresários, mesmo diante da crise vivida na cidade por causa da pandemia do Covid-19, "as empresas de transporte não têm poupado esforços para conter as demissões, e hoje, apesar de operar com a redução de 50% do transporte, remunera 100% de seus funcionários".

A nota oficial das empresas afirma que a "diminuição do contrato nessa fase possibilitará ao município aumentar o atual percentual de circulação dos ônibus no horário de pico, sobretudo porque o corte do gasto ocioso permitirá o pagamento do custo efetivo".

A nota é encerrada por um apelo dos empresários ao sindicato. "Clamamos mais uma vez ao Sindicato que, nesse momento de maior necessidade de locomoção da população, se abstenha de qualquer paralisação, pois isso sim trará um prejuízo à população e a superlotação do transporte". 

Leia a nota das empresas na íntegra:

Em relação às informações da nota emitida pelo Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região e publicada em alguns veículos de comunicação, as concessionárias do transporte coletivo de Sorocaba esclarecem que: 

A nota de repúdio do Sindicado sobre a decisão da Prefeitura de Sorocaba em reduzir o contrato das concessionárias do transporte em 25% foi sintética e não abordou a totalidade das informações, por este motivo, explicamos alguns pontos importantes e que merecem atenção. 

Mesmo diante da crise vivida na cidade por causa da pandemia do Covid-19, as empresas de transporte não têm poupado esforços para conter as demissões, e hoje, apesar de operar com a redução de 50% do transporte, remunera 100% de seus funcionários. 

A medida adotada pela Prefeitura não comprometerá o sistema de transporte da cidade. 

É importante lembrar que o atual cenário de crise foi gerado pela pandemia e, seguindo determinações do Governo do Estado de São Paulo, foi decidido a limitação de circulação. Diante do número crescente de casos de contaminação da doença, acreditamos que essa restrição ainda deverá permanecer. Desta forma, diferentemente do que foi exposto pelo Sindicato, os ajustes não se tornam apenas necessários, mas sim, obrigatórios. 

A despeito da redução e demissão mencionadas, aproveitamos a oportunidade para informar que o setor de transporte recebeu um incremento de 650 empregos diretos e indiretos com a implantação do BRT Sorocaba, nova concessionária de transporte coletivo. 

Em agosto, o BRT Sorocaba iniciará a operação do novo sistema de transporte público e, por consequência, terá mais de 200 empregos diretos. 

Vale salientar ainda que, a diminuição do contrato nessa fase possibilitará ao Município aumentar o atual percentual de circulação dos ônibus no horário de pico, sobretudo porque o corte do gasto ocioso permitirá o pagamento do custo efetivo. 

Por fim, clamamos mais uma vez ao Sindicato que, nesse momento de maior necessidade de locomoção da população, se abstenha de qualquer paralisação, pois isso sim trará um prejuízo à população e a superlotação do transporte. 

As empresas do transporte coletivo de Sorocaba se colocam à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas que possam surgir e reforçam o compromisso com a transparência das informações.

Veja a nota do Sindicato dos Rodoviários enviada ontem:

O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região foi surpreendido com o posicionamento irresponsável da Urbes – Trânsito e Transportes de solicitar às empresas do transporte urbano de Sorocaba a redução de 25% da frota de ônibus, o que terá como consequência imediata a demissão em massa de quase 350 trabalhadores em transportes, pais e mães de família, em plena pandemia do novo coronavírus. 

Além de jogar na fila do desemprego centenas de trabalhadores, a atitude da Urbes irá afetar diretamente o serviço de transporte oferecido à população e inviabilizará qualquer possibilidade de por fim às aglomerações nos ônibus, que é um dos fatores determinantes para a ampliação generalizada e incontrolável da contaminação da população sorocabana pela Covid-19 e, consequentemente, do caos no sistema de Saúde da cidade.

MP 936/2020

O Sindicato dos Rodoviários relembra que as empresas de transporte urbano Consórcio Sorocaba (CONSOR) e Sorocaba Transportes Urbanos (STU) aderiram à Medida Provisória 936/2020 e os trabalhadores estão com jornada de trabalho e salário reduzidos. A MP 936 determina que os trabalhadores têm estabilidade enquanto perdurar a adesão e por igual período do acordo após o retorno à normalidade. O que evidencia mais uma ilegalidade no posicionamento da Urbes. 


100% da frota nas ruas
Diante do crescimento no número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus na cidade e do permanente estado de aglomeração nos ônibus do transporte público, o Sindicato dos Rodoviários solicitou à Urbes e às empresas o retorno de 100% da frota de ônibus em circulação, assim como a adoção de medidas de proteção à categoria e à população como transportar apenas passageiros sentados (conforme determina a regra de afastamento social da Organização Mundial da Saúde – OMS), permitir o embarque apenas de passageiros com máscara, implantar barreira de acrílico na cabine do motorista, realizar testes em toda a categoria e disponibilizar aos trabalhadores máscaras adequadas e em número suficiente segundo recomendação dos órgãos de saúde.

O Sindicato protocolou o ofício com essas reivindicações nas empresas STU e CONSOR, no dia 10 de junho, e na Urbes no dia 15 de junho. Até o momento, o Sindicato não teve resposta e a negligência da Urbes contribuiu para o aumento da contaminação em Sorocaba.

Transporte especial

A Urbes também convocou a nova empresa que irá operar o transporte especial em Sorocaba e, mais uma vez, não abriu diálogo com o Sindicato. Essa atitude pode desempregar mais 50 trabalhadores em transportes e prejudicar os usuários do transporte especial, visto que a nova empresa não quer contratar os mesmos funcionários e muitos portadores de necessidades especiais têm aversão a mudanças.

A nova empresa quer rebaixar salário e diminuir direitos, o que não é aceito pela categoria e desrespeita o acordo coletivo de trabalho.

Protestos constantes

Diante de todos esses graves problemas, os trabalhadores em transportes decidiram realizar uma série de protestos que deve começar nos próximos dias. O cronograma dos protestos só será suspenso quando todos os problemas forem resolvidos e os empregos e direitos estiverem garantidos.

Para não prejudicar a população e os trabalhadores em serviços essenciais neste momento de pandemia, o Sindicato informa que a categoria concordou em realizar os protestos sempre fora dos horários de pico. 

O Sindicato dos Rodoviários ressalta que não irá realizar greve, que é a paralisação contínua das atividades, e sim diversos protestos ao longo dos próximos dias.

Informação à população

O Sindicato dos Rodoviários solicita aos veículos de imprensa que informem a população sobre a decisão dos trabalhadores em transportes. A imprensa é o meio mais eficiente para manter a população bem informada e para ninguém alegar que foi surpreendido pelo protesto.

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