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Em reunião com vereadores, gestores de hospitais mostram preocupação em Sorocaba

Câmara Sorocaba
Postado em: 11/07/2020

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Com o objetivo de discutir as estratégias de tratamento da Covid-19 e o atendimento de outras patologias durante o período de combate à pandemia de coronavírus, bem com repasses de recursos para o atendimento de saúde, a Câmara Municipal de Sorocaba realizou uma reunião com os gestores dos hospitais conveniados que prestam serviço para a cidade.

O padre Flávio Miguel, gestor da Santa Casa, abordou a questão dos pacientes de cardiologia que ficam na Santa Casa antes de serem atendidos no Santa Lucinda, explicando que o hospital que dirige não possui convênio com a Prefeitura para esse tipo de atendimento. “Deveria haver uma contratualização para que esses pacientes fossem diretamente da UPH para o Santa Lucinda. Não entendo por que a Santa Casa tem que ser hotel para quem precisa de atendimento em outros hospitais de referência”, enfatizou o padre, criticando o fluxo de atendimento na cidade que, segundo ele, está equivocado há anos.

O padre se mostrou indignado com as informações que circulam em redes sociais dizendo que a UTI do hospital está vazia e defendeu que as cirurgias eletivas não podem deixar de ser feitas. “Senão o atendimento que seria eletivo acaba se tornando urgência e emergência, devido ao agravamento da situação do paciente”, explica.

Ao criticar o fluxo de atendimento na cidade, padre Flávio Miguel exemplificou com o caso da ortopedia, em que pacientes são mandados para a emergência da Santa Casa, mas, se precisarem de uma cirurgia eletiva, terão de entrar na fila de espera com cerca de 17 mil pacientes da Policlínica. 

“Mas esse problema é antigo, não começou nesta gestão. E quero deixar registrado que a Santa Casa não tem dificuldade de diálogo com a prefeita Jaqueline Coutinho, que tem nos atendido com todo respeito a qualquer hora do dia ou da noite”, afirmou padre Flávio Miguel. Corroborando o gestor da Santa Casa, o vereador Renan Santos também criticou o fluxo de atendimento na da saúde municipal e defendeu que haja mudanças na área.

Participaram da reunião, além de parlamentares, o presidente da Santa Casa de Misericórdia, padre Flávio Jorge Miguel Júnior; o superintendente do Hospital Oftalmológico, Edil Vidal de Souza; a gerente administrativa do Hospital Santa Lucinda, Regina Hortensia do Amaral Menassanch; o enfermeiro do Serviço de Controle e Infecção Hospitalar do Gpaci, Lenine Soares; e o diretor técnico do Hospital Samaritano, Rafael Souza. O Hospital Evangélico justificou a ausência. Também não mandaram representantes o Hospital Adib Jatene, Hospital Intermédica e Unimed.

“Essa reunião é de fundamental importância para discutirmos o planejamento da gestão dos hospitais, para que eles possam continuar sobrevivendo em meio às dificuldades que já vêm enfrentando nos últimos anos, com atrasos nos repasses de recursos”, afirmou Fernando Dini na abertura dos trabalhos, lembrando que o Legislativo, na última terça-feira, realizou sabatina com o secretário de Saúde, Ademir Watanabe e sua equipe, quando foi discutida a situação da saúde.

Fernando Dini enfatizou que o município já estava com dificuldades para manter as 32 Unidades Básicas de Saúde, três Unidades Pré-Hospitalares, a Unidade de Pronto-Atendimento do Éden, a Policlínica, além dos hospitais. “No ano passado, devido à dificuldade de manter tudo isso, foi aventado o fechamento da UPH da Zona Leste, que não foi fechado por uma ação do Legislativo”, lembra Dini. O parlamentar também criticou a falta de articulação entre as várias unidades de saúde, o que, no seu entender, atrapalha o atendimento.

O presidente do Legislativo questionou os problemas no atendimento para pacientes com outras patologias, que não a Covid-19, citando como exemplo, a ortopedia, que está com uma demanda reprimida de cerca de 17 mil pessoas, uma vez que os especialistas da área foram deslocados para o combate à pandemia. Para Dini, está havendo um processo de “desmonte da Policlínica”. O parlamentar defendeu enfaticamente a necessidade de planejar a vida da cidade no período pós-pandemia.

Anselmo Neto, ao assumir a condução dos trabalhos, lamentou que tenha havido a disseminação de muitas informações falsas acerca da pandemia e enfatizou que a reunião com os gestores é uma forma de corrigir essas informações, permitindo que cada um deles possa mostrar a real situação de cada hospital.

Falta de testes 

A vereadora Iara Bernardi disse que falta um entendimento entre a rede hospitalar e os hospitais e criticou o fato de não haver testes para Covid-19 para as pessoas com suspeitas de terem o coronavírus, o que, no seu entender, inviabiliza a gestão da pandemia, por meio do bloqueio dos casos a partir da identificação dos infectados. Citando especialistas, a vereadora afirmou que essa medida é muito mais barata do que construir hospitais de campanha.

Iara Bernardi também a falta de atendimento para as demais patologias e disse que a Policlínica “já está desmontada”. A vereadora criticou, ainda, o presidente da República, Jair Bolsonaro, pelos “maus exemplos” em relação à pandemia, o que, no seu entender, inviabiliza ações coordenadas nacionalmente e induz a população, especialmente os mais jovens, a não levarem a sério a gravidade da doença, expondo-se ao risco de contaminação.

O vereador Renan Santos (PDT) iniciou os questionamentos, indagando aos gestores se há atrasos nos repasses de recursos por parte do Executivo e como está a demanda em relação a outras especialidades, além da Covid-19. Lenine Soares, do Gpaci, disse que não há atraso nos repasses para o hospital, mas se queixou na demora para realização dos exames de pacientes suspeitos com Covid, o que aumenta os gastos com sua permanência no hospital.

O representante do BOS (Banco de Olhos de Sorocaba), Edil Vidal, disse que o Hospital Oftalmológico, inicialmente, passou a atender só urgência, especialmente no mês de abril, mas relatou que os atendimentos eletivos de oftalmologia e otorrinolaringologia foram retomados em maio. O gestor pediu ajuda dos vereadores para reverter uma resolução do governo estadual que impede a realização de consultas via telemedicina na área de oftalmologia, que foi permitida nas demais especialidades, com bons resultados.

Segundo ele, em junho o Hospital Oftalmológico realizou 900 cirurgias, o que representa cerca de 50% da média de 1.800 cirurgias realizadas mensalmente. Em relação à UPA do Éden, também administrada pelo BOS, o gestor disse que há uma pendência de cerca de R$ 800 mil, mas destacou que o maior impasse é que o contrato com a Prefeitura vence na próxima semana. “Não sabemos se o contrato será prorrogado por mais seis meses. É muito difícil planejar o atendimento com essa indefinição”, afirma. O vereador Pastor Apolo, líder do governo, disse que irá agendar uma reunião com o Executivo para tratar do assunto.

Regina do Amaral Menassanch, do Hospital Santa Lucinda, disse que o convênio do hospital com o município, que venceu em 31 de março e foi prorrogado por três meses, acabou de ser renovado novamente por mais sete meses. O hospital oferece 85 leitos-SUS de média complexidade para o município, em especialidades como ginecologia, urologia, ortopedia, obstetrícia, pediatria, otorrinolaringologia, cirurgia plástica e cardiologia. Segundo ela, o hospital também atende casos de Covid-19, quando necessário, em que pese não ser referência nessa área. Com um total de 140 leitos, o Santa Lucinda dispõe de dez leitos de UTI, dos quais sete são para o SUS.

Renan Santos quis saber se a população de Sorocaba corre algum risco de ficar sem atendimento, em face da perspectiva de que a Prefeitura poderá fazer cortes de R$ 400 milhões até dezembro. A gestora do hospital disse que recebeu um alerta da Prefeitura a respeito de possível redução de recursos. Também afirmou que o hospital ainda não recebeu os recursos federais a que tem direito, porque, segundo a Prefeitura, responsável por esse repasse, o Tribunal de Contas exige um plano de trabalho, enquanto o hospital, segundo ela, apresenta um plano de ação, a exemplo do que ocorre em outros municípios, onde não é feita a exigência de plano de trabalho.

O diretor técnico do Hospital Samaritano, Rafael Souza, disse que, no início da demanda do hospital se reduziu, mas, nos últimos dias, houve um aumento das demandas das demais patologias. Por fim, os gestores explicaram os protocolos de atendimento tanto para os profissionais de saúde com suspeita de Covid-19 quanto para os pacientes com suspeita da doença, que, segundo ele, seguem as normas vigentes.

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