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E-mails mostram: Crespo cobra Eloy por “matérias pagas que temos feito” em jornal

Postado em: 03/05/2019

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Por Gustavo Ferrari

No curso da Operação Casa de Papel, o Sistema Ipanema de Comunicação obteve acesso a sete e-mails entregues pelo ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Sorocaba, Eloy de Oliveira, à Polícia Civil, que apontam que o prefeito José Crespo (DEM) trata diretamente com Eloy sobre o que chama de “combinado ético” com o Jornal Cruzeiro do Sul, considerando “matérias pagas que temos feito com eles”. O editor-chefe do centenário veículo, Romeu-Sérgio Osório, nega as informações.

Num dos e-mails, datado de 23 de fevereiro de 2019, Crespo escreve a Eloy que o Cruzeiro do Sul “deve” publicar a agenda positiva do governo, “mas matérias capciosas e maldosas não pode fazer, sob perda de confiança e eliminação das matéria pagas”. Crespo se referiu a uma revitalização da avenida Juvenal de Campos, texto no qual o Cruzeiro apontou um atraso de 14 meses nas obras.

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Foto: reprodução/site Jornal Cruzeiro

No mesmo e-mail, Crespo escreve a Eloy ter pedido “várias vezes” que ele [Eloy] “conversasse com a diretoria do jornal para ajustar isso”. E ameaça: “caso a diretoria revele que não vai cumprir, então acabe com toda e qualquer matéria paga naquele órgão”. Crespo se refere exclusivamente a matéria jornalística e não a qualquer tipo de anúncio, publicidade ou informe publicitário.

Questionado se o editor-chefe do Jornal Cruzeiro do Sul e a diretoria-executiva da Fundação Ubaldino do Amaral tinham conhecimento dessa prática, Romeu-Sérgio Osório disse que “não tínhamos e não temos conhecimento de qualquer prática de matérias compradas ou encomendadas. Da mesma forma não temos conhecimento desses e-mails. Não adotamos a prática de matérias compradas ou encomendadas. O prezado colega, que já trabalhou no Cruzeiro do Sul, sabe da seriedade de como a informação independente é tratada nesta Casa. O Cruzeiro do Sul, atualmente o maior jornal do interior paulista, com quase 116 anos de existência, tem uma diretoria que exige um trabalho isento e uma equipe séria de profissionais jornalistas que não se permitem a essa prática. Este editor-chefe não recebe qualquer orientação da diretoria para a finalidade mencionada”.

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Editor-chefe do Cruzeiro, Romeu-Sérgio Osório entrevista o prefeito José Crespo / Foto: reprodução/Youtube

O Sistema Ipanema de Comunicação indagou, também, se o editor-chefe do Cruzeiro do Sul e a diretoria-executiva da Fundação Ubaldino do Amaral saberiam dizer quantas matérias jornalísticas foram ‘compradas’ pelo prefeito Crespo nas páginas do centenário jornal. “Nenhuma matéria jornalística foi comprada pelo prefeito José Crespo, ou por algum preposto dele ou pela própria Prefeitura. Por favor, leiam, de forma isenta, nossas edições dos últimos meses ou anos e poderão observar quantas matérias críticas à atual administração foram feitas, como esta mencionada acima pelo senhor prefeito. O prezado colega que já trabalhou nesta casa sabe que o Cruzeiro do Sul não publica matérias compradas seja pelo poder público, seja pela iniciativa privada. Ou por qualquer organização ou pessoa”.

Ainda sobre os e-mails divulgados por Eloy, o Sistema Ipanema de Comunicação questionou o editor-chefe do Cruzeiro do Sul e a diretoria-executiva da Fundação Ubaldino do Amaral se sabiam precisar quanto financeiramente o prefeito José Crespo gastou com o jornal nessas matérias pagas. “Nenhum centavo entrou nesta Casa com matérias pagas. Nenhuma matéria paga foi feita. O prezado colega que já trabalhou nesta Casa sabe que essa colocação é, acima de tudo, um desrespeito aos membros da diretoria e aos excelentes e isentos profissionais jornalistas que aqui trabalham. Não é da linha de conduta deste jornal tal prática. Muito menos deste editor-chefe”, ressaltou Romeu-Sérgio Osório.

Por fim, o Sistema Ipanema de Comunicação perguntou se o editor-chefe do Cruzeiro do Sul e a diretoria-executiva da Fundação Ubaldino do Amaral gostariam de se pronunciar a respeito desses e-mails e das afirmações do prefeito José Crespo referentes às compras de matérias positivas a seu governo no referido veículo de comunicação. “O editor-chefe bem como o próprio Cruzeiro do sul não podem ser responsabilizados por conversas de terceiros que incluam seu nome, como essas alegações acima. Se esses e-mails, de fato, existem, pode-se alegar que o que terceiros falam, atende a que interesses, em especial depois de reportagens críticas? Para deixar claro, invertamos a situação: se houvesse a inclusão de referência dos e-mails ao Ipanema, ao colega jornalista, a seu diretor ou ao seu website de notícias, isso tornaria os e-mails válidos em seu conteúdo e observações? Seria de interesse jornalístico? Não para este editor-chefe. Não para este Jornal que leva a informação a sério e não se entrega a disque-disque ou aleivosias. Sugerimos que todas essas perguntas sejam dirigidas aos autores dos e-mails”, finalizou Romeu-Sérgio Osório.

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