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Deputado do PSL negro e gay dispara: “a esquerda é perigosa para nós”

Postado em: 10/06/2019

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O deputado estadual Douglas Garcia (PSL) concedeu entrevista ao Jornal da Ipanema,
da Rádio Ipanema, nesta manhã de segunda-feira (10). Garcia tem 25 anos de idade e
é o parlamentar mais jovem do atual mandato na Alesp (Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo). Foi eleito com 74 mil votos e pertence à mesma legenda do
presidente Jair Bolsonaro. Assista abaixo

O parlamentar costuma, tanto em seu discurso no Legislativo quanto em entrevistas à
imprensa, destacar seu histórico de vida, como negro e criado na favela, a comunidade Buraco do Sapo, em Americanópolis, zona sul de São Paulo. Além disso, revelou há pouco tempo ser homossexual.

Durante a entrevista, o deputado, assumidamente gay, respondeu às polêmicas
envolvendo seu nome, como quando disse que “tiraria a tapa” uma transexual se a
flagrasse usando o banheiro feminino. A declaração ocorreu durante sessão na Alesp
em meados de abril, após discurso da também parlamentar Érica Malunguinho (PSOL),
primeira trans a assumir cadeira no Legislativo estadual. Com a repercussão
negativa e pressionado por pessoas próximas, Garcia recorreu à também deputada Janaína Paschoal (PSL) para ajudá-lo a revelar sua orientação sexual. “Tive medo de cometer quebra de decoro e então pedi ajuda a ela”, contou na bancada do jornal. Já sobre sua alegação de que agrediria transexual, o deputado modificou o discurso: “Nada a ver. Jamais coloquei que iria bater. Tenho irmã pequena e mãe e se estivesse uma trans no banheiro eu não iria gostar. Não estou afirmando categoricamente que as trans irão abusar das mulheres. Eles não nasceram mulheres. É uma coisa lógica”.

Entretanto, no início da entrevista, o parlamentar posicionou-se contra ideologia de gênero. “As pessoas nascem com sua naturalidade ideológica. O que precisamos é acabar com esse estereótipo, narrativa. Isso não é aceito na favela ou em lugar algum. Tentam enfiar goela abaixo a ideologia de gênero. A partir dos 18 anos a pessoa faz o que quer da vida”.

Garcia aproveitou também para ressaltar sua admiração pelo presidente. Questionado
sobre fazer parte do PSL, ele respondeu que “defendo minhas bandeiras, meus
princípios, coloco minha mão no fogo única e exclusivamente pelo meu presidente,
que é do meu partido. Valorizo a questão do individualismo”. Ainda, defendeu que,
caso algum colega de legenda cometa irregularidades, “deve responder pelo seu
crime”.

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Foto: Alana Damasceno

Ainda, reforçou e apoiou algumas opiniões do presidente, como ser contra as cotas
raciais e o tratamento sem distinção entre homossexuais e heterossexuais. Ainda,
disse que nas favelas a maioria dos eleitores vota para partidos de direita e não
de esquerda. “Eu sempre andava com camiseta do Bolsonaro na favela e nunca me
aconteceu nada. Agora, andava no bairro mais nobre e me chamavam de fascista, nazista”. “O negro, no passado, era escravizado e é liberto. Agora, só precisa ser liberto da senzala da ideologia da esquerda”.

Garcia, por seu ponto de vista político e orientação sexual, disse também ser constantemente vítima de ameaças, principalmente nas redes sociais e relatou que a militância LGBT é “extremamente agressiva”. “Já fui ameaçado diversas vezes. Dizem que vão esfregar minha cara no asfalto, que mereço apanhar. Já protocolei na Alesp, fiz boletim de ocorrência. Essas pessoas que tanto dizem lutar contra a homofobia são as que mais me atacam por eu ser gay de direita. As que tanto dizem lutar contra o racismo me atacam por eu ser negro contra as cotas raciais. As que dizem ser a favor dos pobres não me aceitam de forma alguma no partido do presidente por eu ter vindo da favela. São hipócritas”.

O parlamentar também opinou sobre a atuação de partidos de esquerda atualmente,
focando principalmente no PT. “Você vê uma nova esquerda nascendo, globalista, com
discursos menos agressivos. Aquele radicalismo acaba afastando quem mora na favela, pessoas mais simples”, considerou.

Ainda, Garcia vê como “perigoso” ao seu partido o surgimento da “nova esquerda”.
“Não tão incisiva, mas está mudando a carapuça. Perigosa no sentido de agenda. Uma esquerda social-democrática.  Vamos defender [a agenda] no início até o fim. O que conseguimos fazer para afastar os esquerdistas, a principal arma contra os socialistas, é deixá-los fala”r.

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