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Crespo será indiciado por crime de responsabilidade no caso do diploma falso

Postado em: 04/10/2018

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O prefeito José Crespo deve ser indiciado pela Polícia Civil, nos próximos dias, pelo crime de responsabilidade no caso do diploma de sua então assessora Tatiane Polis.

O Ipa Online conversou com o advogado do prefeito, Márcio Leme. Ele afirmou ter sido comunicado pela polícia, nesta tarde de quarta-feira (3), para selecionar uma data e horário, ainda a serem definidos, para o prefeito ser ouvido pela polícia e, após, receber o indiciamento para a conclusão do inquérito.

Segundo Leme, a polícia viu indícios de que Crespo teria tentado atrapalhar as investigações para saber se o diploma de suas ex-assessora seria falso ou não. O advogado negou o fato. “O prefeito, quando houve a denúncia, adotou as providências junto à Corregedoria. ele não praticou nenhum ato de acobertamento, ocultamento”, disse. “Houve a investigação no âmbito da Corregedoria, que é o órgão competente no Executivo para realizá-lo”.

Leme ainda refutou a afirmação de que o diploma de Tatiane é falso. “Existe um processo contra a assessora em que se discute se o diploma é falso ou não. Não houve nem a solução dele ainda. Sequer pode-se afirmar que Tatiane Polis utilizava documento falso. Não há laudo pericial, nada. A premissa de que a servidora foi nomeada com diploma falso é mentirosa”.

“O indiciamento é mero ato formal da autoridade policial, ocorrido dentro inquérito policial. O prefeito José Crespo está absolutamente tranquilo, considerando que não houve nenhum tipo de comportamento a impedir os atos de investigação”, informou Leme por meio de nota. “Ao contrário, a Corregedoria foi provocada duas vezes para fazer a investigação e constatou que não havia irregularidade nos diplomas”, completa o advogado.

Leme afirma que, nesse caso, ser indiciado “não é nenhum demérito para o investigado e oportunamente a defesa vai se manifestar demonstrando todos os fatos e que não há diploma falso.”

Procurada, a Polícia Civil de Sorocaba informou que, assim que houver novidade sobre o caso, divulgará.

O caso

O caso veio à tona em junho do ano passado após a vice-prefeita receber denúncia anônima de que Tatiane teria diploma falso de ensino superior e fundamental. O fato causou uma desavença entre ela e o prefeito, resultou em uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e Comissão Processante, no qual o mandato de Crespo foi cassado em agosto do ano passado, por supostamente ter prevaricado ao não apurar o alegado. Ele voltaria ao cargo 43 dias depois, após decreto de seu afastamento ser suspenso pela Justiça.

Tatiane atuava com assessora de Crespo e recebia um salário de aproximadamente R$ 9 mil.

A Polícia Civil denunciou Tatiane pelo crime de falsidade ideológica ano passado. No caso, ela teria apresentado um diploma de ensino superior – necessário para exercer o cargo – entretanto, este seria inválido, pois o seu de ensino médio seria de uma escola que não tinha autorização para emitir o documento, ou seja, falso. Tatiane teria cursado somente até a sexta série.

CPI do Diploma

Em agosto do ano passado, o relatório da CPI do Diploma, da Câmara de Sorocaba, presidida pela vereadora Fernanda Garcia (PSOL), destacou “a irregularidade do diploma da assessora emitido pelo Colégio Cobra do Rio De Janeiro, conforme documento fornecido pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro”. “De fato, se constatou que não se deu a devida investigação com o intuito de não se trazer à tona o diploma da assessora Tatiane Polis, vez que o certificado de conclusão de ensino médio e fundamental de Tatiane Polis é nulo, tendo sido emitido por colégio fechado por fraudar diplomas, que nunca teve autorização para ministrar Ensino Fundamental na modalidade à distância”, conclui o relator, o vereador Hudson Pessini (MDB).

Comissão Processante cassa mandato do prefeito

A Comissão Processante, presidida pelo vereador Fausto Peres (PODEMOS), entendeu que houve quebra de decoro do prefeito e orientou sua cassação. A sessão para cassá-lo foi alvo de polêmica, com 21 vereadores ocupando o plenário. Foram 14 votos a favor do afastamento do prefeito contra seis.

Exoneração de Taty Polis

Tatiane pediu exoneração do cargo em julho de 2017, alegando prejuízos, inclusive em sua vida pessoal. No primeiro semestre deste ano tanto Taty Polis, quanto Crespo e Jaqueline prestaram depoimento à Justiça.

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