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Coronavírus atrasa chegada de eletrônicos chineses na 25 de Março e vendas caem em São Paulo

Foto: Futura Press/Folhapress
Postado em: 11/03/2020

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Paula Soprana, Folhapress

 

Pequenas lojas de eletrônicos e de conserto de celular que vendem produtos importados da China já sentem os efeitos do atraso na chegada de mercadorias da Ásia devido ao novo coronavírus.

 

Em pontos de comércio popular da avenida Paulista e do centro de São Paulo, lojistas dizem que, embora não haja desabastecimento, os lançamentos mais recentes (de capinhas de celular a fones de ouvido) não chegam.


O cenário também é de alta nos preços e de menor movimentação para o período. Alguns vendedores citam episódios de preconceito por parte dos clientes que têm evitado locais com "alta presença de chineses", ignorando que a contaminação pode vir de pessoas que estiveram na Europa.

No Boulevard Monti Mare, na Paulista, que comercializa roupas, cosméticos e eletrônicos, os lojistas destacam que as altas mais expressivas estão nas peças de celular e nos relógios inteligentes, produtos de maior valor agregado.

"Por enquanto, não falta nada, mas o preço subiu. Esse smartwatch custa R$ 170. Outras lojas daqui já colocam a R$ 190 porque sabem que vêm em menor quantidade, aí cobram mais caro", diz o vendedor Lucas Gonçalves.

Segundo ele, os pontos mais capitalizados adiantam as vendas no fornecedor com medo da escassez. "Aí o fornecedor nota e aumenta de R$ 8 a R$ 10 no preço de um smartwatch e o lojista tem que repassar para o consumidor", diz.

Diferentemente da indústria de celulares, que ainda tem estoques de peças e consegue resistir à alteração do preço final, o comércio que trabalha com compra de itens individuais é mais sensível à variação cambial. Na conjuntura do coronavírus, o dólar apresentou alta de cerca de 16% desde janeiro.

"Vejo queda nas vendas há umas três semanas por causa do dólar. Calculo uns 20%. Todos os nossos produtos são importados, do Paraguai ou de Miami, e precisamos repassar ao preço final", diz Murilo Dias, comerciante de uma loja de jogos e videogames.

Segundo ele, muitos clientes não frequentam o local por medo de possível contágio de coronavírus. "Circula muita gente aqui, né?"

Parte dos lojistas também cita menos movimento para o período, que já costuma ser tímido em relação aos meses anteriores ao Carnaval.

"Além de menos gente, aumentaram as [pessoas com] máscaras. O coronavírus atrasou todo tipo de mercadoria, capinha, relógio inteligente, caixa de som, película. Já lançaram vários modelos novos que não vêm. Ainda estamos nos antigos", diz a comerciante Emília Andrade.

"Uma tela de celular dessas foi de R$ 300 para R$ 380. Tem uns modelos de tampa que custavam R$ 15 e hoje chegam a R$ 35, demorei muito tempo para achar uma simples da Motorola", afirmou outro comerciante que não quis se identificar.

Ele disse que compra o produto das lojas do centro de São Paulo. Nas galerias da região, como Shopping Oriental, Korai e Galeria Pagé, na região da 25 de Março, a utilização de máscaras é comum para quem fica atrás do balcão.

O discurso do Centro é semelhante ao da Paulista: aumento de preço e atraso superior a um mês nas mercadorias novas.

"A gente compra direto da China. No smartwatch eu pagava R$ 70, agora pago R$ 80 para vender a R$ 85 no atacado", diz uma vendedora.

Para alguns lojistas, a tendência é de que o ritmo na chegada dos produtos volte à normalidade em breve. Outros, entretanto, cessaram as atividades por ora. Dois vendedores que não quiseram se identificar citaram que alguns lojistas não vão trabalhar com medo do coronavírus.

Além disso, corre o boato entre as tendas nessas galerias de que duas pessoas voltaram da China sem passar pela quarentena, o que teria elevado o uso das máscaras.

A Abinee, associação que representa grandes empresas da indústria eletrônica, como Dell, LG, Huawei, Samsung e Sony, afirma que 70% de associados reportaram problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos da China.

O resultado mostra piora da situação em relação à pesquisa feira em 5 de fevereiro, quando 52% das empresas informaram que tinham problemas. Em 20 de fevereiro, o número subiu para 57%.

Segundo a entidade, a situação de desabastecimento é observada principalmente entre os fabricantes de produtos de tecnologia da informação, como celulares e computadores. A pesquisa contou com a participação de 50 indústrias.

Aumentou, também, a paralisação parcial em fábricas. Foi de 4%, no levantamento anterior, para 6%. "Outras 14% das indústrias já programaram paralisações para os próximos dias, a maior parte delas, também de forma parcial", diz a associação.

Caso a situação se prolongue por mais um mês e meio, a expectativa de 54% das empresas é de risco na entrega do produto final.

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