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Comércio paulista quer abrir no dia 1º de maio para aproveitar o Dia das Mães

Foto: Agência Brasil/Arquivo
Postado em: 23/04/2020

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Bruna Narcizo, FOLHAPRESS


Comerciantes de São Paulo pediram a reabertura do comércio no estado a partir do dia 1º de maio, para aproveitar as vendas do Dia das Mães, que será no dia 10 do mês.


A data é a segunda de maior faturamento do setor no ano, atrás apenas do Natal.


O pedido foi feito em nota assinada pela Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado São Paulo) e pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo), lançada nesta quarta-feira (22).


João Doria, governador de São Paulo, anunciou que pretende fazer a flexibilização da quarentena imposta no estado para tentar conter o avanço do novo coronavírus a partir do dia 11 maio. Na semana passada, ele prorrogou as restrições de comércio e circulação pela terceira vez.


Segundo o presidente da Facesp e ACSP, Alfredo Cotait Neto, o pedido não foi feito pensando no comércio da capital paulista, mas em cidades do interior do estado que ainda não registraram nenhum caso do novo coronavírus.


"A regional de Presidente Prudente, que atende 30 cidades, não tem mais argumentos para usar com os associados, já que não tem nenhum caso registrado na região e eles estão fechados há um mês", diz ele.


As entidades afirmam que a paralisação do varejo tem um impacto de R$ 1 bilhão por dia no setor.


"Apoiamos integralmente o decreto do governador. A expectativa era que terminasse nesta quarta-feira (22), mas a última postergação nos deixou em uma situação de pressão por parte do comerciantes dessas cidades que ainda não foram afetadas", diz Cotait.


Ele reforça que seguirá apoiando as decisões de Doria, mesmo que ele se mantenha irredutível em começar a flexibilização apenas no dia 11. "Mas não faz sentido deixar uma cidade sem casos fechada. Peço que ele tente iniciar a flexibilização no dia 1º de maio por essas cidades e, caso surja algum caso, fecha de novo".


No anúncio feito nesta quarta-feira, Doria disse que os detalhes da flexibilização só serão divulgados no dia 8 de maio e "se todas as circunstâncias permitirem".


O governador também afirmou que vai dialogar com os municípios para que eles cumpram as determinações, mas que, caso não seja possível um alinhamento por meio das conversas, não descarta medidas legais.


O posicionamento do governo tem o apoio de outra entidade setorial: a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), que afirma ser a favor do isolamento social proposto pelo estado até o dia 10.


"Vimos com empatia a declaração do governador de flexibilizar a quarentena. Eles estão estudando várias maneiras de fazer a reabertura e com isso a gente vê uma perspectiva que tira pressão de empresários que estão em um sufoco danado", diz Ivo DallAcqua Júnior, vice-presidente da FecomercioSP.


Segundo ele, o setor de vestuário e confecções é o que tem feito mais pressão para a reabertura antes do Dia das Mães.


"A grande questão é que estamos em cima da hora. Uma abertura não planejada pode influenciar no comportamento do cidadão. Quem tem que dar o tom das atitudes é o setor de saúde, com seus dados técnicos e olhares cuidadosos", afirma DallAcqua.


Ele diz que não está alinhado com o governador, mas sim com a ciência.


Cotait, da da Facesp e da ACSP, diz que a reabertura não fará o movimento voltar aos patamares registrados antes da quarentena.


"As pessoas perderam renda e estamos também não só numa crise de saúde, econômica, social, temos uma crise comportamental. O comportamento mudou. Mesmo abrindo comércio dia 11 ou quando for, as pessoas vão sair de casa apenas por necessidade e com mais cuidado."

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