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Com segurança do Planalto, sobe para 25 os casos de coronavírus próximos a Bolsonaro

Divulgação/Governo Federal
Postado em: 26/03/2020

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Fábio Fabrini e Gustavo Uribe, Folhapress

Um dos integrantes da equipe de segurança e logística do presidente Jair Bolsonaro está internado em Brasília por causa da Covid-19. Ari Celso Lima de Barros, que acompanha as comitivas presidenciais em viagens pelo país, faz tratamento no Hospital de Base, maior unidade de saúde pública do Distrito Federal.

Com a confirmação desse caso, subiu para 25 o número de pessoas próximas ao presidente que testaram positivo para o novo coronavírus. A maioria dos infectados foi com ele na viagem aos Estados Unidos, no início do mês, quando se encontrou com o mandatário americano, Donald Trump.

Lima de Barros é capitão da Polícia Militar do DF, cedido ao Gabinete de Segurança Institucional de Presidência, tendo experiência pregressa como motorista em alguns órgãos públicos.

Ele integra as equipes que vão previamente aos locais em que o presidente tem agenda para checar as condições de segurança, retornando a Brasília após encerrado o compromisso oficial.

Segundo profissional da saúde no DF ouvido pela reportagem, seu estado de saúde é delicado, pois ele tem comorbidades.

Lima de Barros não esteve nos EUA, mas acompanhou Bolsonaro em ao menos três outras agendas desde novembro de 2019.

O Portal da Transparência registra o pagamento de diárias para ele em deslocamento para São Paulo entre 2 e 5 de março. Em 5 daquele mês, Bolsonaro viajou à cidade para encontro com empresários e almoço oferecido pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Em 29 e 30 de janeiro, o capitão foi para a Grande Belo Horizonte. No dia 30, Bolsonaro sobrevoou áreas atingidas pelas chuvas na região, fez uma reunião e deu entrevista sobre o assunto na capital mineira.
Lima de Barros também estava na equipe que voou para Vitória do Xingu (PA) em novembro do ano passado, em apoio à comitiva do presidente. Na ocasião, ele participou da inauguração da última turbina da hidrelétrica de Belo Monte.

São 24 os infectados que estiveram na comitiva de Bolsonaro na viagem aos Estados Unidos. Apesar de ter tido contato com essas pessoas, Bolsonaro manteve sua rotina de trabalho no Palácio do Planalto e até participou de manifestações em apoio ao seu governo, postura quer gerou críticas.

O presidente afirmou ter feito dois exames para constatar a eventual presença do novo coronavírus, que alega terem dado negativo. No entanto, ele vem se negando a mostrar os resultados.

Dois ministros do governo já receberam teste positivo: o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

Apesar da recomendação de infectologistas de isolamento de pessoas contaminadas, Heleno voltou a despachar no Planalto esta semana.

Outros infectados são o deputado federal Daniel Freitas (PSL-SC), o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe, e o secretário especial de Comércio Exterior, Marcos Troyjo.

Roscoe diz ter conversado com Bolsonaro em Miami e almoçado com ele, mas não na mesma mesa.
Troyjo não apresentava sintomas e trabalhava de casa em isolamento, segundo nota do Ministério da Economia.

Outro integrante da comitiva, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade, teve o diagnóstico confirmado.

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência havia informado no último dia 15 que quatro membros da equipe que serviu de apoio à viagem de Bolsonaro a Miami também se contaminaram.

O publicitário Sérgio Lima, responsável pela comunicação da Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar, informou que está com o coronavírus. A reportagem confirmou que ele esteve com a comitiva do presidente nos Estados Unidos.

Além de Lima, ao menos outras seis pessoas que estiveram próximas a Bolsonaro durante viagem aos EUA estão infectadas.

Anunciaram que contraíram a doença o chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Fabio Wajngarten, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e o diplomata Nestor Forster, indicado para o cargo de embaixador do Brasil em Washington.

A advogada Karina Kufa, tesoureira do Aliança pelo Brasil, disse que seu exame deu positivo. Ela está em isolamento e, pelas redes sociais, tem atualizado seu estado de saúde.

Entre os anfitriões, o prefeito de Miami, Francis Suarez, anunciou no dia 13 ter recebido o diagnóstico. Ele participou de evento com Bolsonaro e sua comitiva no dia 9.

A reportagem também confirmou que o número 2 da Secom, Samy Liberman, teve resultado positivo para o novo coronavírus.

Ele compareceu ao Planalto ao regressar da viagem, o que gerou reclamação e desconforto de funcionários da Presidência. Questionada formalmente, a Secom não quis comentar o resultado do exame de Liberman.

O chefe de cerimonial do Ministério de Relações Exteriores, Alan Coelho de Séllos, também foi diagnosticado com a doença. Ele fez parte da comitiva aos Estados Unidos e auxiliava o ministro Ernesto Araújo, cujo teste deu negativo.

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