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Investigados pedem exoneração, mas Crespo diz que atendeu vereadores

Postado em: 11/04/2019

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Os dois secretários investigados pela operação Casa de Papel, da Polícia Civil e Ministério Público, que ainda permaneciam no governo do prefeito José Crespo, pediram exoneração nesta quinta-feira (11), para trabalhar em suas defesas. Apesar disso, o prefeito protocolou na Câmara Municipal um documento à Comissão Especial, dizendo que atendeu a recomendação de afastar os secretários. Segundo o presidente da Comissão, vereador Anselmo Neto (PSDB), o pedido foi protocolado às 17h30. O IPA Online teve acesso à carta de demissão do secretário Hudson Zuliani, protocolada às 8h30 no gabinete do prefeito.

Crespo nomeou como novo secretário de Comunicação e Eventos (Secom), Gilberto Antunes, que assume o cargo na vaga deixada pelo antecessor Eloy de Oliveira. Giba, como é conhecido, deixa a função de secretário de Cultura, para a qual foi nomeado ontem. A pasta passará a ser acumulada pelo secretário de Esportes e Lazer (Semes), Simei Lamarca.

Já na Secretaria de Licitações e Contratos (Selc) deixa o cargo Hudson Zuliani e assume a pasta Rosangela Arcuri Pacheco, que atuava como diretora de área na Secretaria de Educação (Sedu). Zuliani apresentou sua carta de demissão na manhã desta quinta-feira (veja abaixo).

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A saída dos secretários foi solicitada pela Comissão Especial da Câmara de Vereadores, que acompanha os trabalhos da polícia civil. O prefeito José Crespo protocolou no fim da tarde desta quinta-feira (11) um ofício em que disse ter atendido o pedido de afastamento, em “respeito a Casa de Leis e aos sorocabanos”. O ofício, porém, foi protocolado no Legislativo após o pedido de exoneração dos secretários.

As mudanças já eram previstas, após a liberação do inquérito da polícia civil, que apontou a atuação de uma organização criminosa dentro da Prefeitura. Os titulares das três pastas são investigados.

O primeiro a deixar o governo foi Werington Kermes, que chefiava a pasta da Cultura. Ele pediu demissão para se defender, alegando estar desmotivado.

Eloy de Oliveira, outro dos investigados, chegou a convocar um Café com a Imprensa para esta sexta-feira (12). O evento ainda não foi cancelado pela Secom e deve acontecer a partir das 8h30. Zuliani permaneceu em silêncio após a operação.

Reação dos secretários na Operação

Voz de choro, negação de irregularidades e uma entrada sem querer na ala de celas da Delegacia Seccional. Assim podem ser resumidas as conduções coercitivas dos secretários do prefeito José Crespo (DEM), nesta manhã de segunda-feira (8), dentro da Operação Casa de Papel, que investiga a composição de uma suposta organização criminosa destinada a praticar crimes com o dinheiro público. Assista os vídeos abaixo

A operação é feita pela Polícia Civil, juntamente com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão na casa dos suspeitos, que incluem os secretários Werinton Kermes, Eloy de Oliveira e Hudson Zuliani, além do empresário Felipe Bismara. Somente nesta segunda cerca de 10 pessoas foram ouvidas pela polícia e Gaeco.

O primeiro secretário a chegar para prestar depoimento foi Werinton Kermes, da Secretaria de Cultura. Num primeiro momento, ele tentou desviar da imprensa, mas acabou cedendo e conversou com jornalistas por cerca de 15 minutos. Visivelmente abalado e com lágrimas nos olhos, o chefe da Pasta se defendeu e disse que os contratos de sua secretaria são de responsabilidade de Hudson Zuliani [secretário de Licitações]. “É uma situação que eu nunca vivi”, disse, com a voz trêmula de choro.

Werinton disse ainda estar desestimulado. “Pela forma com que o governo é tratado. Com que as coisas vêm se dando, desnecessários. Se formos pensar em tudo isso é de uma pessoa que faz parte, estava, lá. Ainda acho, com toda a modéstia, quem perde é uma das pastas mais frágeis, que é a da Cultura. Quem perde é a cidade, a periferia”. Ele aproveitou para negar qualquer irregularidade. “Estou tranquilo quanto a isso. não tem, não existe. A secretaria de Cultura não determina que empresa A, empresa B, preste serviço”.

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