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Bolsonaro muda discurso e agora diz que anunciará seus candidatos duas semanas antes da eleição

Foto: Alan Santos/PR
Postado em: 09/10/2020

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Daniel Carvalho, FOLHAPRESS


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mudou o discurso de que não iria se envolver nas eleições municipais e disse nesta quinta-feira (8) que anunciará quem são seus candidatos duas semanas antes do primeiro turno.


"Quando faltarem duas quintas-feiras para as eleições, vou fazer campanha para alguns candidatos no Brasil", disse Bolsonaro em sua live semanal, desta vez, à bordo de um navio da Marinha no Pará.


Antes do início da campanha eleitoral, Bolsonaro chegou a dizer que manteria neutralidade no primeiro turno da campanha eleitoral. Ele, no entanto, mudou de posição em cidades nas quais considera que há chances reais de aliados seus serem eleitos.


Em uma live no final de setembro, o presidente disse que poderia atuar para influenciar nas disputas em três cidades: São Paulo, Santos e Manaus, mas não quis dar nomes.


Porém, na capital paulista, ele tem posado ao lado do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), que lidera as pesquisas eleitorais.


Na porta do Palácio da Alvorada, Bolsonaro também mencionou o nome de um candidato, Coronel Menezes (Patriota), a simpatizantes de Manaus. No Palácio do Planalto, ele recebeu o desembargador Ivan Sartori (PSD), candidato em Santos (SP).


Na live desta quinta, ele fez referências a candidatos em Belo Horizonte e Fortaleza. Sem dizer os nomes, deu informações suficientes para identificar Bruno Engler (PRTB-MG) e Capitão Wagner (PROS-CE).


Fez o mesmo com a Coronel Fernanda (Patriota), candidata ao Senado na eleição suplementar que acontecerá em Mato Grosso.


O objetivo de Bolsonaro ao mudar de postura é, de acordo com assessores, garantir que sua campanha à reeleição em 2022 conte com apoios regionais de peso.


O presidente disse ter gravado vídeo para duas candidatas a vereadora de São Paulo, mas não as identificou.


No Rio, disse ter um candidato a vereador que "o pessoal deve saber quem é". Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho de Bolsonaro, é candidato à reeleição.


BOLSONARO TENTA EXPLICAR INDICAÇÃO PARA STF E DECLARAÇÃO SOBRE TER ACABADO COM LAVA JATO


Pressionado por sua base ideológica, o presidente Jair Bolsonaro usou a live também para tentar se explicar em relação à indicação do desembargador Kassio Nunes Marques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e à declaração que deu na quarta-feira (7) sobre a Lava Jato ter acabado em seu governo.


Visivelmente irritado, falando palavrões em série, Bolsonaro reagiu ao fogo amigo de que tem sido alvo desde a semana passada.


"Não é infiltrado da esquerda, como o pessoal diz aqui nas mídias sociais, não. Não é petista. É gente da direita mesmo, essa direita burra. É moleque fedelho, cheirando ainda a fralda, tem fralda ainda, que quando eu participei da luta armada no Vale do Ribeira, do lado do Exército brasileiro, o pai de vocês nem tinha nascido ainda. E o pessoal agora se vê no direito de criticar com baixaria", disse Bolsonaro ao comentar as críticas sobre a indicação ao STF.


Ele também tentou explicar o discurso feito na quarta-feira em um evento no Palácio do Planalto, quando disse que "eu acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo".


"Pro meu governo não tem mais Lava Jato. Não temos uma notícia de corrupção. Então, para nós, a Lava Jato não tem finalidade, graças a Deus. Agora, para os demais órgãos do Brasil, alguns estados, alguns municípios, vai continuar funcionando normalmente", disse na noite desta quinta.


Bolsonaro afirmou que quem diz que ele está acabando com a Lava Jato "ou é desinformado ou está de má fé ou estar com dor de cotovelo".


"Questão Lava Jato está entendido ou eu já acabei com a Lava Jato? Isso é para pessoas realmente que, como eu disse, não conseguem acompanhar o raciocínio, uma figura de linguagem até que a gente usa, ou está de má fé", afirmou.


Ainda sobre as críticas que têm recebido, fez alusão à Argentina, que elegeu o kirchnerista Alberto Fernández em substituição a Maurício Macri.


"O Macri se elegeu na Argentina há cinco anos, discurso parecido com o meu. Um dos primeiros países que conseguiram se ver livres da turminha do Foro de São Paulo. Era a turminha da Cristina Kirchner, da Dilma. [Macri] Não conseguiu fazer tudo que queria, tinha problemas. Que que o pessoal fez com o Macri? Porrada nele o dia todo, inclusive chamando de abortista", afirmou Bolsonaro.


"O que aconteceu? Voltou a ´esquerdalha´ da Cristina Kirchner. Tome conhecimento o que está acontecendo na Argentina. E detalhe: vi na imprensa hoje que o presidente vai legalizar o aborto na Argentina. Tá aí, povo argentino, lamento, é o que vocês merecem", disse o presidente.

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