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A princesa Zélia e o príncipe José Martins - veja a coluna semanal de Vanderlei Testa

Foto: José Martins
Postado em: 23/01/2021

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Por Vanderlei Testa

 

Uma história de amor conjugal com mais de 65 anos de cumplicidade. José Martins Mahon nasceu em Pernambuco. Com 12 anos de idade o jovem boiadeiro ajudava seu pai na fazenda de gado na cidade de Caruaru. Uma peste bovina acabou com a criação e com o negócio pecuário que sustentava a família.

 

Essa reviravolta inesperada nas atividades dos Martins trouxe pai e filho para Botucatu. A nova vida de desafios do pernambucano José o levou a ser virar sozinho agora no Estado de São Paulo.

 

Após o Serviço Militar começou a trabalhar em uma loja de tecidos em  Bauru. Foi lá que a princesa Zélia Pinheiro apareceria no destino amoroso do príncipe boiadeiro. Zélia era costureira. Cuidava do pai viúvo. Em um baile Zélia foi apresentada por uma prima ao José. Dançaram duas músicas. Acabou ganhando a companhia até o ponto de ônibus na hora de voltar para casa. Pronto!

 

A luz de um romance que viria pouco tempo depois com pedido de namoro ao pai da Zélia resultaria nas mais de seis décadas de casados que eles comemoraram em Sorocaba. Pais de dois filhos, Luiz e José Roberto. Um empresário do comércio e o outro doutor em Física na Universidade do Rio de Janeiro.

 

Zélia e José foram membros atuantes do Movimento de Emaús, dando seu testemunho aos jovens como eternos namorados. Aposentado da Cianê, José e Zélia Martins foram pessoas doces, felizes, transmitiram serenidade e uma amizade que tive o prazer de compartilhar muitos anos na Comunidade do Divino do Jardim Saíra.

 

Nesta semana, dia 19, com 90 anos, o José Martins partiu para a casa do Pai. Sua esposa Zélia, internada com Alzhaimer, não se despediu do grande amor de sua vida. Em preces, a Comunidade do Divino elevou ao céu a sua intercessão pelos dois.

 

Fui amigo do “seu José” desde quando ele veio morar no Jardim Saira, a mais de 30 anos. Fizemos parte da comissão de construção da Igreja e diariamente nos encontrávamos nas obras. Nos domingos, durante as missas conversávamos um bom tempo com o casal de enamorados, sempre de mãos dadas. Íamos conhecendo suas histórias e generosidade que emanavam dos seus corações.

 

Essa lembrança jamais sairá de nossas vidas. No silêncio dos sepultamentos neste tempo de pandemia, o querido José Martins deixou saudades.

 

Um dia, novamente lá no céu irá convidar a sua Zélia para dançar a melodia que os unirá para sempre junto daquele que sempre foi o maior amor do casal: Jesus Cristo!

 

Vanderlei Testa escreve aos sábados no www.jornalipanema.com.br/opinioes e www.blogvanderleitesta.comwww.facebook.com/artigosdovanderleitesta

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