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A infância inesquecível da Jaqueline Coutinho - veja o artigo semanal de Vanderlei Testa

Postado em: 01/02/2020

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Por Vanderlei Testa

 

As mãozinhas frágeis da menina Jaqueline pegando nas mãos fortes do papai Geraldo ficou na memória dela até hoje, quando se lembra de que ia acompanha-lo em suas visitas a amigos. O pai era Oficial de Justiça e conhecia muita gente da cidade. Uma dessas andanças gostosas de mãos dadas com o papai tinha como destino o escritório do José Theodoro Mendes.

 

A amizade entre o Geraldo e Theodoro foi conquistada pela índole dos dois em trabalhar com a justiça. Havia ética e um comprometimento humano no relacionamento dos amigos Mendes e Coutinho. Isso marcou muito a vida daquela garotinha que observava como as figuras adultas de seu pai e do amigo eram bonitas no abraço e no aperto de mãos ao se encontrarem. O exemplo tocou a sua vida. Cresceu e estudou. Chegou ao Curso Colegial e a Faculdade de Direito.

 

Sempre incentivada pela mãe Neide Coutinho e pelo pai Geraldo, a Jaqueline quis seguir a profissão daquele que a ensinou com amor a cumprir a sua missão: fazer concurso para Oficial de Justiça. O testemunho do paizão a motivou a estudar bastante para ser aprovada. E na listagem dos nomes que receberia o mérito da vaga para exercer seu trabalho no Fórum Civil nessa honrosa carreira jurídica, apareceu Jaqueline Lilian Barcelos Coutinho. Lágrimas surgiram em seu rosto e a emoção tomou conta daquele histórico dia e momento da sua vida. Seguiria agora de mãos dadas, não fisicamente, mas de coração para sempre com os ensinamentosrecebidos desde seus primeiros anos de existência.

 

E assim a jovem se tornava adulta e compromissada com o trabalho que há levou poucos anos depois a outro desafio. Sonhava em ser Delegada de Polícia, pois via nessa nova atividade uma oportunidade de ser útil a sociedade com a sua formação familiar. Mais uma vez, se dedicou intensamente para estudar e prestar novo concurso público. O imprescindível apoio dos pais a conduziu a passar dias e noites com a mente e sabedoria debruçadas em apostilas e legislação do Código Civil. A recompensa chegou como um presente conquistado no esforço e bênçãos divinas à sua fé no resultado positivo da aprovação.

 

Agora a Delegada de Polícia da Mulher dava vida na Jaqueline e ganhava novos rumos por mais de 25 anos que viriam a ser vivenciado até a sua aposentadoria. Nesse tempo, a menininha que acompanhava o pai tinha que mostrar sabedoria e energia nas suas decisões frente a tantas ocorrências que surgiriam nas delegacias onde trabalharia em três cidades do estado de São Paulo.

 

Fico imaginando como houve conflitos e medos, inseguranças e noites mal dormidas com tantos casos de violência urbana, doméstica e de relacionamentos conjugais. A firmeza de suas palavras e a aplicação da justiça e das leis deveriam ser enérgicas, verdadeiras e transparentes em cada boletim de ocorrência que aparecia todos os dias. Tinha também que usar da sua personalidade e formação cristã em orientar as pessoas para seguirem o caminho do bem, da reconciliação e da mudança de comportamento.

 

A presença da mãe, dona Neide e do pai Geraldo na vida da Jaqueline foi fundamental na sua carreira profissional e inspiração para atuar na política.  Como filha, mãe e experiência de muitos anos atuando na Delegacia da Mulher e Delegacia dos Idosos, sentiu-se preparada para o chamado à vida pública. E Sorocaba, sua terra de nascimento, ganhou com a sua decisão. Hoje é atuante defensora da cidade e busca trabalhar ousadamente nas soluções que levem à população melhorias na sua qualidade de vida.

 

Quis a providência deixar registrado no coração daquela menininha que visitava com o pai o amigo Theodoro Mendes, que como prefeita de Sorocaba, assinasse o decreto que nomeou o Palácio dos Tropeiros "Dr. José Theodoro Mendes". Foi um gesto de homenagem e gratidão a quem se dedicou intensamente a cidade até a sua despedida no trágico acidente do dia 24 de janeiro.

 

Nesse dia, os olhos da Jaqueline perderam o brilho na tristeza da notícia e as lágrimas correram no adeus de um de seus maiores ídolos da infância, juventude e atual fase da sua vida pessoal e politica. Na data da assinatura do decreto conversei pela primeira vez com a Jaqueline e senti a grandeza de uma grande mulher guerreira, motivo pelo qual escrevi este artigo.

 

Vanderlei Testa é jornalista e publicitário; escreve aos sábados no www.jornalipanema.com.br/opiniõeswww.facebook.com/artigosdovanderleitesta e www.blogvanderleitesta.com

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