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A história do Cadico é pura emoção - veja a coluna semanal de Vanderlei Testa

Foto: Comemoração do Cadico, Lilian, Vanderlei e João Batista na chegada da São Silvestre 2019
Postado em: 04/01/2020

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Por Vanderlei Testa

 

A história de vida do jovem Claudemir Ribeiro Elesbão conhecido como “Cadico” passou por capítulos de muita emoção e determinação. Ele nasceu em outubro de 1977.  Com os seus 18 anos de idade em plena atividade de adolescência passando para a fase adulta da maioridade, conduzia a sua moto pela cidade na alegria de sentir a emoção da velocidade e do vento no rosto. Era determinado e seguro de si nas suas atitudes.

 

Um fato, porém, veio de encontro à sua história e mudou o título do seu futuro. Em uma queda da moto acabou por ter que amputar a perna esquerda em dezembro de 1995. Estava preparado paras as festas de final de ano com a família e com a sua energia de um jovem entusiasmado queria aproveitar a conquista da sua habilitação em veículos, carro e moto. A notícia no hospital caiu como uma tempestade no seu futuro.

 

Cadico passou anos buscando na função do trabalho que exercia em indústria como analista de materiais em superar a deficiência da perna. A sua história ganhou novas perspectivas quando em marco de 2018, demitido da empresa perdia o rumo da vida. A depressão, distúrbio mental caracterizado por tristeza persistente e perda de interesse em atividades, prejudicou significativamente o seu dia a dia.

 

Conforme dizem os especialistas, a depressão passou a ocupar a mente do Cadico. Nada tinha mais sentido nessa fase da sua existência. Foram meses e meses de profundo vazio interior. Mas com a sua fé de evangélico e determinação, um dia recebeu uma grande graça divina. Ao passear com a filha caçula decidiu tomar um sorvete. Andava com suas muletas e na caminhada na praça apareceu “um anjo” amigo que o convidou a participar de uma simples Caminhada Solidária com outros atletas e deficientes. Essa iniciativa o motivou a buscar ajuda em participar de eventos esportivos. Sua energia e vitalidade se fez presente e o tirou da zona de conforto, da depressão.

 

Cadico me contou que a sua filha um dia disse a ele: pai participe de uma corrida e me traz uma medalha de presente. Foi e conquistou a sua primeira medalha. Partiu para cursar uma faculdade e se dedica até hoje ao trabalho profissional, conseguindo tempo para treinar e sempre participar de provas com o uso de suas duas muletas.

 

Desde agosto de 2018 até 31 de dezembro quando estivemos juntos na São Silvestre, o Cadico já tinha conquistado 60 medalhas. Foi fundador do time do Sorocaba Futebol de Amputados. Atleta vitorioso e integrante da AASP em Sorocaba recebeu a homenagem da Medalha de Mérito Esportivo “Newton Corrêa da Costa Junior”. Entre as suas maiores incentivadoras a Lilian Monteiro é uma feliz companheira de corridas e de namoro desde a sua corrida número um.

 

A vida do Cadico está transformada no esporte. Vive aconselhando as pessoas com depressão a buscarem nas atividades físicas o “santo remédio” da cura dessa enfermidade que causa tristeza e baixo-estima. Testemunhei essa sua ação social quando na avenida Paulista foi procurado por um atleta que pediu ao Cadico para gravar um depoimento à sua irmã com depressão. E lá foi ele dar o seu testemunho de vida com alegria.

 

Vanderlei Testa é jornalista e publicitário; escreve aos sábados no www.facebook.com/artigosdovanderleitesta e www.blogvanderleitesta.com e site www.jornalipanema.com.br/opiniao

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