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A arte de conquistar pessoas no comércio de Sorocaba

Postado em: 24/08/2019

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Por Vanderlei Testa 

Fico fascinado com as histórias de Sorocaba e sua gente trabalhadora que colocou “a mão na massa” para produzir a riqueza maior de gerar empregos e sustento à população. As nossas atuais gerações que recebem na tecnologia e avanços industriais tudo pronto para apertar botões ou toques em telas digitais, nem imaginam o que os seusatuais familiares e antepassados fizeram.

Um dos casos que contarei é a Casa Peres, da rua Monsenhor João Soares. O jovem Geraldo Peres nos seus 11 anos foi trabalhar com o tio na Loja Navas. Esse comércio tem mais de 90 anos em Sorocaba.

Geraldo nasceu em família de comerciantes. Aprendeu a negociar e conquistar a amizade das pessoas desde os anos 40, na difícil época da Segunda Guerra Mundial. Aos 16 anos de idade com o apoio dos avós que o criaram, Geraldo Peres começava no mesmo lugar onde está há 57 anos, abrindo diariamente suas portas com a mesma vitalidade e paixão pelo comércio.

Emocionado, ele contou em depoimento no Dia do Comerciante a sua trajetória desde quando se casou com a sua namorada Nilza e foram morar no fundo da loja. Em um pequeno espaço o casal deu luz às suas conquistas de futuro. Trabalhavam unidos e, com determinação, iam vivendo suas aventuras de enamorados desejando construir uma família. E tiveram os seus três filhos gerados no amor, nascidos naquele quarto do fundo da loja, pois não havia na época maternidade em Sorocaba que os acolhessem.

E nestes mais de noventa anos da vida de Geraldo Peres encontramos um pioneirismo de garra ao ouvir a conversa com sua esposa junto aos seus funcionários no vídeo histórico, afirmando que ali o espírito de família permanecerá como a principal fonte de motivação da loja às suas gerações.

E com a mesma intensidade de valores humanos vi e fotografei o Luiz Patelli sentado na entrada da panificadora entregando suas comandas.

Luiz é o proprietário desde 28 de janeiro de 1941 da Padaria Americana na esquina da rua Cel. Benedito Pires com a rua Sete de Setembro. Comércio com mais de 100 anos de existência desde quando iniciou com os alemães da família Hingst.

Luiz permanece ativo nas suas oito décadas de trabalho no balcão da panificadora, considerada a mais antiga aberta na cidade em 1907.

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Foto: Luiz Patelli, desde 1941 à frente da sua panificadora

Todos os dias, logo na entrada da Americana, em um pequeno balcão encontramos o Luiz sorrindo entregando as comandas a quem entra na padaria e sempre cumprimentando as pessoas como se fossem membros da sua família. Essa interação de contato pessoal, olho no olho, é o sucesso e a riqueza maior conquistada por desbravadores como ele, que passou a ter a filha no comando e gestão do negócio.

Seguindo adiante com novos olhares aos pioneiros do comércio, relembramos do Romeu Soranz na padaria Barão, a tradicional produtora gastronômica de doces com seus sonhos inesquecíveis das gerações de sorocabanos do passado.

Visitando o Roberto Tadeu Ferraz, da Ferraz Pisos, para relatar a sua vida no comércio, ele me contou que adolescente ainda foi trabalhar na marcenaria dos irmãos Walter e, depois, em Itapeva, com um parente que atuava nesse ramo de madeiras.

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Foto: Roberto Tadeu Ferraz

Acabou se tornando um representante comercial da empresa e, em seguida, veio para Sorocaba abrir sua loja em 1983, com 36 anos de idade. Nunca mais parou de trabalhar na Ferraz Pisos.

Coração aberto às causas sociais, Roberto sempre se dedicou a ver na solidariedade o impulso de ajudar quem precisa desde os tempos da Vila Santa Terezinha, onde nasceu. Amigo do padre Paulo Roberto Gonzales, busca na espiritualidade a sabedoria para a sua vida e dos familiares na trajetória dos seus 69 anos de existência. É casado com Valéria Quibau e tem três filhos.

Francisco Pessini , o “Chico”, trabalhava na Cia Brasileira de Alumínio a mais de 30 anos. Um dia decidiu abrir a sua loja na rua Cesário Mota. Isso em 1988. Um pequeno corredor servia para expor as suas mercadorias, roupas e acessórios.

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Foto: Chico Pessini, um pioneiro de roupas em tamanho grande em Sorocaba

Foi em frente na nova empreitada e buscando o sustento da família trabalhava na conquista de seus clientes, na arte de conversar e fazer amigos. Logo em seguida se mudou para a rua da Penha. Porém, em um ato de vandalismo, perdia tudo com a invasão noturna depessoas, que  roubaram tudo o que tinha nas prateleiras. Ficou de um dia para outro sem nada. Foi um recomeço do Chico sem dinheiro e sem expectativas, porém não o desanimou a seguir adiante.

Graças a um amigo fornecedor de vestimentas estabelecido em Campinas que acreditou em ceder roupas em consignação, o pioneiro Chico seguiu à frente da loja em maior espaço e redobrou a sua vontade de trabalhar. A família o ajudava e, para incrementar a loja, o filho Hudson colocou um manequim gordo na porta com uma roupa tamanho gigante. Nascia ali depois de indecisões se venderia nesse estilo de tamanho, a loja que viria a ser conhecida como a Big Chico.

Agora, em agosto, foi em frente e abriu outra loja acreditando no futuro do país. São fatos de pioneiros como esses que relatamos que orgulham outros milhares de comerciantes da cidade, com suas histórias pessoais de sucesso.

E na conversa com o Chico e o Marcio Ortega nestes dias, registramos também a ousadia do Marcio em estar há 40 anos com sua loja de veículos na rua Sete de Setembro em um segmento que desbravadores do comércio sorocabano como a concessionária Abrão Reze, Cobel, Notari, Toninho Ayub, João Peres e outros visionários que inovaram em suas empresas.

Voltaremos aqui a contar muitas outras aventuras positivas de pessoas que fazem a diferença na cidade. Como afirmamos, por “a mão na massa” com honestidade, ética e paixão, sempre traz riqueza de felicidade interior à família ao ser relembrada na história de Sorocaba. É a arte de conquistar pessoas.

 

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Vanderlei Testa é jornalista e publicitário, e escreve aos sábados no www.facebook.com/artigosdovanderleitestawww.jornalipanema.com.br/opinões

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