Eduardo Sodré, FOLHAPRESS

Puxada pela alta nas exportações, a produção de veículos no Brasil cresceu 25,2% em 2017 em comparação com o ano anterior. Ao todo, foram produzidos 2,7 milhões de carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões.

Os números foram divulgados nesta sexta-feira (5) pela Anfavea, associação que representa as fabricantes de automóveis instaladas no país.

A entidade acredita que o PIB crescerá 3% em 2018 e calcula que a produção só voltará aos níveis de 2012 e 2013 em cinco anos, entre 2022 e 2023.

Na quinta-feira (4), a Fenabrave, associação que representa as distribuidoras de veículos, fez previsões sobre o retorno das vendas ao nível de 2012, quando 3,8 milhões de unidades foram licenciadas. Segundo a entidade,o resultado só deverá ser repetido em 2024 ou 2025.

As exportações subiram 46,5% no ano passado, com 762 mil unidades enviadas ao exterior, novo recorde do setor.

“Novembro foi o melhor mês da história das exportações, com 73,1 mil unidades. Em 2005, havíamos exportado 725 mil veículos”, diz Antonio Megale, presidente da Anfavea.

Em valores, o envio de veículos aos exterior representou US$ 15,9 bilhões em 2017, com alta de 48,6% sobre 2016.

O acordo de comércio mais recente foi feito com a Colômbia, com a primeira leva sendo enviada em dezembro. O acordo é por cotas, limitadas a 25 mil unidades por ano.

O número de empregados nas montadoras cresceu 4,6% no ano passado, que fechou com 126,7 mil funcionários contratados. A alta na produção fez empregados que estavam fora das linhas de produção voltarem às fábricas.

“Em março de 2016 tínhamos 39 mil pessoas afastadas em sistemas de proteção ao emprego. No fim do ano, eram 1.285”, afirma o presidente da Anfavea.

As vendas internas cresceram 9,2% em 2017, com 2,24 milhões de unidades emplacadas.
Os estoques estão em 219,1 mil carros, suficientes para 31 dias de vendas.

“O mercado foi um pouco melhor do que prevíamos, esperávamos 2,2 milhões de emplacamentos”, diz Megale.

Para 2018, a associação das montadoras prevê alta de 13,2% na produção e de 11,7% nas vendas internas.

As exportações devem crescer 5% pela estimativa da Anfavea, com 800 mil unidades enviadas ao exterior.

Em meio a números positivos, continua o impasse sobre a nova regulamentação do setor automotivo, o programa Rota 2030.

“Com o fim do Inovar-Auto, esperávamos que o novo programa fosse anunciado em dezembro. Mas fomos informados pelo presidente Michel Temer que a definição deverá ocorrer no fim de fevereiro”, afirma o presidente da Anfavea. Segundo o executivo, as novas metas de eficiência energética irão abranger o período de 2018 a 2022.