Por Gabriel Bitencourt 

No início deste ano, dois homens foram detidos em Jati, no sertão do Cariri, no Ceará, transportando nada mais, nada menos do que 1.500 aves. Todas elas dentro de um automóvel na BR-116.

Em sua maioria, as aves eram Canários-da-terra e Pintassilgos, e se encontravam no que é chamado de gaiolas carregadeiras. Dá para imaginar o que deve ser o transporte de 1.500 aves em um carro?

Não é à toa que as estatísticas mostram que para cada dez aves capturadas pelo tráfico de animais silvestres, apenas uma sobrevive.

A dupla, que foi parada em uma blitz na estrada, disse à Polícia Militar que vinha de Brasília, onde caçaram os animais para serem comercializados em Fortaleza. Eles foram conduzidos para a Delegacia Regional de Brejo Santo e autuados por crime ambiental.

As aves foram levadas para o Escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de Iguatu, para serem devolvidas ao seu ambiente.
O tráfico de animais silvestres, segundo estimativas, retira cerca de 40 milhões de animais, anualmente, de seu habitat.

Esta é a terceira maior atividade ilegal no mundo, atrás, apenas, do tráfico de armas e drogas. Estima-se que, no Brasil, este crime movimente, cerca de 2,5 bilhões de dólares por ano.

Mas, voltando aos sujeitos que foram presos no sertão do Cariri, faço uma pergunta: será que são, apenas eles, os responsáveis pelo tráfico? Claro que não! Lá em Fortaleza, estariam os compradores ou melhor, os receptadores e revendedores desta mercadoria.
Sim, culpados são eles, os caçadores e os revendedores, porém, cada pessoa que adquire um animal silvestre também tem parcela de culpa neste tipo de crime que vem dizimando a fauna no Brasil e no mundo.

Por isso, abandone a ideia de ter como bicho de estimação um animal silvestre, seja ele da fauna local ou exótica. Não compactue com esta crueldade!