Por Gabriel Bitencourt

Há dez anos escrevi minha primeira manifestação contra os fogos de artifício, em especial os que emitem barulho.

Continuei por anos a fio “martelando” sobre esse assunto.

Em minha coluna na Rádio Ipanema, recebi dezenas e dezenas de manifestações. Algumas elogiosas, mas, também, tive que ouvir diversos impropérios, dos mais simples aos mais “entusiasmados”.

Houve, até, uma interminável discussão com um amigo que, no afã de defender o “direito”(?) de se soltarem rojões em eventos religiosos, especialmente, na “romaria da Aparecidinha”, se enveredou para um dogmatismo que impediu que a contenda ficasse no campo ético.

Por outro lado, a história de “água mole em pedra dura…” produziu frutos.

A sociedade parece, finalmente, estar acordando para a necessidade de uma postura de empatia para com aqueles que se desassossegam e até se apavoram com a barulheira dos rojões.

Em seu papel – nem sempre usado – de servir de caixa de ressonância dos anseios da sociedade, diversas câmaras municipais têm produzido leis proibindo fogos com estampidos, aqueles barulhentos.

Em janeiro de 2017, a edilidade do município de Campinas patrocinou a proibição através de lei municipal, seguida por Santos e Ribeirão Preto, entre outras cidades do Estado de São Paulo. Recentemente, até São Paulo, a capital, também proibiu a barulheira dos fogos.

Em Sorocaba, a lei de autoria do vereador João Donizeti Silvestre foi, como em algumas outras cidades, questionada judicialmente tendo, no caso em tela, recebido uma liminar sustando seus efeitos.

A boa notícia, entretanto, foi que o Tribunal de Justiça cassou esta liminar nos últimos dias do mês de maio.

Há, ainda, que se enaltecer a atitude de alguns prefeitos que, mesmo sem a determinação de qualquer lei, têm abolido os rojões dos festejos tradicionais de final de ano e de junho, entre outros.

Enfim, no campo socioambiental quase todo dia temos notícias negativas, mas há também aquelas que nos dão ânimo para seguir em frente em busca de um meio ambiente saudável e uma sociedade justa e com padrões éticos de convivência.

Nota: na região metropolitana de Sorocaba, cabe destacar, positivamente, que Sorocaba aboliu há alguns anos, por iniciativa do Executivo, a queima de fogos na tradicional festa junina. Votorantim, ao contrário, mesmo com pesquisa feita pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, em 2016, apontando que a maioria das pessoas que frequenta a Festa Junina daquela cidade é contra, o governo municipal ainda mantém essa absurda tradição.

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