O contra-ataque ao crescimento do veganismo assusta?

Hambúrguer vegano preparado no Pub White Lion, em Sorocaba

Por Gabriel Bitencourt

Em 1944, menos de dez pessoas compareceram a uma reunião convocada pela Leicester Vegetarian Society, que foi o grupo que criou a palavra vegan, em português, vegano*.

De lá para cá muita coisa mudou.

Recentemente, uma das mais conceituadas revistas do mundo, a Forbes, publicou matéria baseada em estatísticas da empresa GlobalData, segundo a qual 70% da população mundial está diminuindo ou abandonando o consumo de carne. Ainda, segundo a mesma pesquisa, nos últimos 3 anos o número de pessoas que se declaram veganas nos EUA cresceu 600%.

Claro que a reação dos representantes do setor da agropecuária não tardou.

Nos EUA, tramita, há algum tempo, um projeto de lei que visa proibir o uso da palavra “leite” para produtos que não sejam de origem animal.

A França foi mais rápida e mais radical. O parlamento francês aprovou projeto de lei do deputado ruralista Jean-Baptiste Moreau que proíbe a venda de produtos que tenham nomes como “hambúrguer vegetariano”, “salsicha vegetal” ou “leite de amêndoas”. Claro que a desobediência acarretará pesadas multas.

Seguindo esta batuta reacionária, a Câmara dos deputados do Brasil analisa o projeto de lei 10556/18 que procura proibir a palavra “leite” para os produtos que não sejam de origem animal.

Isso assusta? A mim, não.

Esta reação é, apenas, um termômetro. Ela mostra que este é um caminho inexorável que cada vez mais pessoas têm procurado com o objetivo de estabelecer uma relação ética e ambientalmente correta para com o planeta e toda forma de vida que ele abriga.

*Veganismo – Ser vegano não é apenas adotar uma dieta alimentar isenta de produtos de origem animal. Mais do que isso, o vegano não utiliza qualquer produto de origem animal tanto em sua alimentação, como no vestuário ou em cosméticos, por exemplo; não participa de espetáculos como rodeios, touradas, rinhas e outros tipos de exploração de animais.

Para saber mais sobre o veganismo leia este excelente artigo: https://www.anda.jor.br/2017/05/historia-do-veganismo/

4 Comentários

  1. Partindo desse ponto de vista, posso chamar a minha porção de picanha fatiada de “salada de vaca”? Grato.

  2. Excelente! O veganismo alinha tudo o que é necessário para caminharmos para a permanência neste planeta. As problemáticas ambiental e de saúde humana estão intimamente relacionadas com o consumo de produtos de origem animal. Argumentos são inúmeros; é só se informar.

  3. Ainda vamos comer muita carne. Pode até crescer, e esta crescendo o veganismo, mas vai demorar muito para acabar com os carnívoros.
    Eu não tenho a menor intenção de abrir mão de um churrasco.

    • Eu também não tenho a menor intenção de abrir mão do meu churrasco, na verdade essa moda é mais uma que vem para somar ao mundo mimi mi que nos tornamos hoje, cheio de frescura e sem graça querendo impor guela abaixo ideologias e habitos, qual a diferença de uma carne para uma soja ou um milho modificado transgênico? Hoje vejo crianças que são privadas de beber um “refri ou comer um docinho” em uma festinha de aniversário enquanto os pais do outro lado enchendo a cara de alcool e entupindo o nariz de coca, hipocrisia ridícula, livre de açúcar, livre de glúten, sem carne, alimento integral, meu Deus que mundo chato e problemático, criando pessoas infelizes e depressivas aos montes.

Deixe um Comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.