O engenheiro Celso Senna Filho e o economista Fernando Fernandes são proprietários da empresa Sfero Energia Solar/ Foto: Alan Carvalho

O Brasil acaba de ultrapassar 1,5 GW (gigawatt) de capacidade instalada de energia solar fotovoltaica e deve encerrar 2018 com a marca de 2,4 GW. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) em junho, durante a realização do congresso Brasil Solar Power, principal evento nacional do segmento.

Dados revelados pela associação comprovam que o número de residências abastecidas por fonte solar aumentou 955% no último ano, saltando de cerca de 60 mil para mais de 633 mil domicílios brasileiros. Ao todo, o país conta com 30.836 unidades de geração distribuída, o que representa R$ 2,1 bilhões em investimentos desde 2012.

O setor tem apresentado crescimento significativo. De acordo com o economista Fernando Fernandes, um dos proprietários da empresa Sfero Energia Solar, de Sorocaba, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calcula que em 2030 o Brasil utilize 30% de matriz energética vinda de fontes renováveis, sendo 10% de energia solar. “Hoje usamos apenas 0,1% dessa fonte. Temos 12 anos para cumprir a meta estabelecida no Acordo de Paris e reduzir 43% no nível de emissão de CO2 [gás carbônico], o que promoverá um grande crescimento na área”, informa.

Com o sistema fotovoltaico, residências, comércios e indústrias utilizam placas solares para gerar sua própria energia, que também pode ser compartilhada com outras unidades, inclusive em cidades diferentes, desde que pertençam à mesma concessionária. “O sistema é feito sob medida, mas existem meses com maior ou menor geração de energia, assim, quando há produção superior ao consumo, isso é registrado na conta como crédito excedente, que será consumido quando houver necessidade”, explica Fernandes.

Sorocaba

O uso de energia solar está em ascensão em todo o Brasil, assim como em Sorocaba, apesar da adesão ainda ser tímida em relação ao tamanho do município. No mês de junho a Aneel registrou apenas 98 instalações homologadas na cidade, que possui mais de 650 mil habitantes segundo a última estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com o engenheiro ambiental Celso Senna Filho, que também é um dos proprietários da empresa Sfero Energia Solar, a quantidade de instalações em Sorocaba representa 0,3% da matriz energética solar brasileira. “Um dado interessante, que demonstra como a cidade está atrasada, é que dos municípios atendidos pela CPFL Piratininga, Sorocaba é o maior, mas corresponde a somente 17% das instalações conectadas à rede”, aponta. “Cidades menores, como Indaiatuba, Jundiaí e Boituva são muito mais representativas nesse sentido”, complementa.

A adesão ao sistema fotovoltaico em Sorocaba vai de encontro ao potencial de geração de energia solar da cidade. Segundo classificação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o município possui uma média de produção de 5,4 kWh/m² por dia. “Só para exemplificar, em São Paulo a média é de 4,8 kWh/m² diários”, destaca o engenheiro.

Celso explica que, no caso de São Paulo, a diferença acontece devido à menor luminosidade, provocada pela maior presença de nuvens, mas outros fatores podem incidir no índice, como a poluição. “Cidades litorâneas, por exemplo, têm pior geração do que as cidades do interior. Hoje, quando se pensa no melhor local do Brasil para produzir energia solar, seria no centro-oeste e não no litoral da Bahia, como muita gente imagina”, esclarece.

Falta de informação

Na opinião do economista Fernando Fernandes, a falta de informação é a principal barreira para a adesão ao sistema de energia solar. Entre outros pontos, ele destaca que muitos ainda acreditam que o valor para a instalação é inacessível, que não haverá geração de energia suficiente para abastecer completamente uma residência ou empresa, ou desconhecem a existência de linhas para financiamento voltadas a pessoas físicas ou jurídicas.

O valor do investimento varia conforme o tamanho do projeto, que é feito com base na média de consumo de energia. Para abastecer uma casa de padrão médio, com quatro moradores, o custo oscila entre R$ 12 mil a R$ 13 mil, porém, segundo Fernandes, o retorno é considerado rápido. “Pelos nossos estudos, em torno de 4 anos o cliente tem um payback em relação a esse investimento e contará com 25 a 30 anos de geração de energia de graça”, informa.

O impacto para instalar o sistema é praticamente nulo, pois, segundo o economista, não são necessárias obras de alvenaria. “Aproveitamos a estrutura do telhado e toda a fiação é ligada diretamente na rede elétrica, então não é necessário quebrar parede, nem passar tubulações”, garante.

Fernandes também destaca que o governo tem incentivado o setor, oferecendo kits com isenção de impostos para promover a energia solar. “Hoje também existem linhas de financiamento promovidas por bancos e agentes financeiros envolvidos com sustentabilidade, além de seguradoras com ações específicas para esse segmento”, salienta.

Ele também aponta que a média de inflação energética, em torno de 10% a 12% ao ano, tem impulsionado o interesse para a autogeração de energia. “Quando você instala um sistema de energia solar fotovoltaica, esse tipo de aumento não reflete mais sobre a sua conta; vai refletir apenas sobre o mínimo, gerando uma conta de energia até 95% mais barata”, conclui.