O acompanhamento nutricional adequado pode trazer resultados expressivos e até ajuda no desenvolvimento da fala.

Uma em cada 68 crianças apresenta algum Transtorno do Espectro Autista (TEA), revelam dados de 2016 da Organização das Nações Unidas no Brasil. O autismo é uma síndrome que afeta a interação social e a linguagem, associadas a alterações no comportamento, com movimentos repetitivos e restritos. O grau do comprometimento pode ser diferente em cada autista e, por isso, são importantes a avaliação e o atendimento individualizados.

Os autistas também apresentam algumas características em comum, como hiperatividade, agressividade e seleção alimentar. Costumam ter hiperpermeabilidade intestinal (quando o intestino não absorve corretamente os nutrientes) e alergias alimentares. “Embora não seja um consenso científico, pode haver melhoras significativas com algumas restrições alimentares”, observa a nutricionista e mestre em Ciências da Saúde, Renata Petruci Flumian, que atende a crianças autistas há mais de 10 anos.

Dieta adequada:

Renata Petruci Flumian

O desafio nutricional é inserir variedade de alimentos na dieta dos autistas. “Em alguns casos, eles querem comer apenas um tipo de alimento”, relata Renata. “Um nutriente bastante assertivo na dieta é o ômega 3, pois tem pouca contraindicação e ajuda nas conexões cerebrais e no desenvolvimento cognitivo e diminui a irritabilidade e a hiperatividade”, explica.

Para manter saudável a flora bacteriana intestinal desses pacientes, a nutricionista recomenda os probióticos, presentes no kefir (bebida fermentada a partir de microrganismos vivos), e os lactobacilos liofilizados (com desidratação especial) em cápsula ou pó. “São bactérias que convivem de forma saudável em nosso intestino e, para renová -las, precisamos consumi- las”, sugere.
Como conquistar a confiança da criança autista

Alguns pacientes autistas são agitados e o nutricionista precisa identificar os meios que a criança utiliza para se comunicar, pois costumam ter dificuldade para falar. “Algumas se balançam, emitem algum som ou preferem o desenho para se expressar. A relação precisa ser conquistada e, por isso, é importante ter paciência e respeitá-los para o sucesso do atendimento”, salienta a nutricionista.

A família também tem papel fundamental e contribui de modo positivo quando faz a adaptação alimentar com a criança. “Vale a pena a adesão familiar, pois a criança aceita mais facilmente a dieta e os resultados são muito positivos”, ressalta Renata.

Quando a dieta é bem-sucedida, os resultados são significativos. “Eles evoluem na escola, na sociedade e no ambiente familiar, apresentam melhora na qualidade do sono e no aprendizado, diminuem a irritabilidade, melhoram a coordenação motora e alguns até começam a falar depois de seguir a dieta adequada”, destaca.

fonte: Conselho Regional de Nutricionistas 3a Região SP/MS

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