Estudo aponta que gays têm hábitos próximos aos héteros e que bis são mais ‘livres’

Crédito: Fotoarena/Folhapress

Para pesquisadora, falta de proteção na hora do sexo entre mulheres gays é um problema a ser debatido

Gabriel Alves, FOLHAPRESS

Bissexuais têm mais parceiros do que homossexuais e heterossexuais. Homens gays são os que têm maior propensão a terem tido sua primeira relação sexual com um desconhecido. Homens bissexuais e gays usam mais camisinha do que os héteros, e as lésbicas são as que menos se protegem nas relações sexuais. Os dados são da Pesquisa Mosaico 2.0, levantamento mais recente sobre o comportamento sexual do brasileiro, comandado pela psiquiatra especialista Carmita Abdo, da USP, e patrocinado pela farmacêutica Pfizer.

Um novo recorte, segmentando a amostra de quase 3.000 pessoas de acordo com a opção sexual, foi feito com exclusividade para a Folha. A conclusão, diz Abdo, é que o comportamento sexual é bastante distinto entre os seis subgrupos analisados (homens e mulheres que podem ser hétero, gay ou bi). Uma das vantagens de conhecer tais peculiaridades, além de satisfazer a curiosidade, é auxiliar na identificação de problemas e na elaboração de estratégias para cada grupo.

Por exemplo, a pesquisa sugere que há um baixo índice no uso de preservativo entre mulheres, um assunto ainda pouco discutido, já que existe, sim, a transmissão de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) entre elas.

Por outro lado, homens gays e bissexuais são os campeões no uso de camisinha –algo provavelmente ligado às campanhas de saúde.

“Os homens gays tendem a se cuidar mais, se alimentar melhor, ir mais à academia. As mulheres homossexuais são mais ‘largadas’ nesse quesito, têm mais DSTs e doenças cardíacas do que os heterossexuais, não vão ao médico, têm mais câncer de mama e, sobretudo, têm mais depressão –por causa do estigma”, diz Abdo.

Outro fator revelador sobre a qualidade de vida das mulheres homossexuais é que elas também fazem sexo sem vontade –em uma medida semelhante à das heterossexuais (58% dizem fazê-lo frequentemente ou às vezes).

Independentemente da orientação sexual, a maior parte das mulheres fingiu orgasmo. Homens, na média, fingem bem menos e os que estão mais desencanados são os heterossexuais.

E um dos fatores mais curiosos com relação aos hábitos e desejo sexuais dos grupos analisados é que bissexuais não só são os que tem mais parceiros e praticam mais sexo, mas também são os que mais gostariam aumentar a frequência do ato em sua rotina –tanto homens quanto mulheres.

Homens gays, por sua vez, estipulam uma quantidade ideal de sexo semelhante àquela de mulheres hétero ou homossexuais.

“Quando comecei a falar em bissexualidade, décadas atrás, as pessoas até duvidavam que essas pessoas existiam. Diziam que um dia essas pessoas, em algum momento da vida, se definem: ou vão para um lado ou para o outro. Mas essa matemática não existe”, afirma Abdo.

Segundo a psiquiatra, outro mito que o estudo ataca é o de que os homossexuais teriam uma vida “mais livre”. “Hoje o homossexual quer casar e ter filhos. E o bissexual é tão, tão eclético que só eles para terem esse comportamento ‘mais livre’, em vários aspectos.”

Justiça concede liminar a favor de ‘cura gay’

DE BRASÍLIA

A Justiça Federal do Distrito Federal concedeu uma liminar que permite que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes e fazer terapias de “reversão sexual”, sem que sofram censura ou sanções do CFP (Conselho Federal de Psicologia).

A decisão data da última sexta pelo juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho, após ação de psicólogos favoráveis a esse tipo de terapia.

Em nota, o CFP diz que vai recorrer da decisão e e que a ação “representa uma violação dos direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico”. Diz ainda que vai recorrer da decisão.

A ação buscava suspender a resolução 01/1999 do conselho, que diz que psicólogos não devem favorecer “a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados”.

Na liminar, o juiz determina que o conselho aja de modo a “não impedir que psicólogos façam estudos ou atendimento buscando reorientação sexual”. (natália cancian)