MOSCOU, MO - 11.06.2018: FOTOS GERAIS MOSCOU 2018 - Operários trabalham nos últimos preparativos do Estádio Luzhniki, antigo Estádio Central Lênin, que foi todo reformado e será palco da abertura da Copa do Mundo Russia 2018, nesta quinta-feira, e a grande final, em Moscou, na Rússia. (Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem/Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1548412

Fábio Aleixo, FOLHAPRESS

Nesta quarta (13), faltará apenas um dia para o início da Copa do Mundo da Rússia, com a cerimônia de abertura seguida do jogo dos anfitriões contra a Arábia Saudita. Os olhos da Fifa, porém, estarão voltados para 2026. Em seu congresso anual em Moscou, a entidade anunciará a sede do torneio que sucederá o do Qatar, em 2022, e será o primeiro da história com 48 seleções.

Estão na disputa uma candidatura conjunta entre Canadá, Estados Unidos e México (batizada de “United 2026”) e uma outra do Marrocos.

Por regra da Fifa, não puderam concorrer países europeus e asiáticos pelo fato de o continente já ter os Mundiais de 2018 e 2022.

As duas candidaturas estarão em votação pelas 207 federações afiliadas à Fifa (já excluindo as quatro envolvidas na disputa), em uma mudança de sistema que antes era restrita apenas aos 24 membros de seu Comitê Executivo, hoje chamado de Conselho. Os votos serão abertos, e quem tiver maioria simples (104) vence a disputa.

As duas candidaturas são oposição de realidade e projeto. “As candidaturas representam dois diferentes extremos”, afirma a Fifa.

A United 2026 apresentou um caderno de encargos no qual aponta 23 cidades candidatas, a serem reduzidas a 16.

Em todas elas, os estádios estão prontos e em pleno funcionamento, assim como todas as obras de infraestrutura de centros de treinamentos e de transporte, como aeroportos, estradas e estações ferroviárias.

A promessa da United 2026 é de gasto zero para montar a estrutura da Copa. As únicas despesas teriam a ver com a competição em si, em termos de segurança, contratação de funcionários, montagem de centros de imprensa, entre outros. O valor estimado é de US$ 2,16 bilhões (R$ 8,1 bilhões), já prevendo a inflação até 2026.

“Todas as nossas estruturas já estão prontas e asseguramos à Fifa que temos já totais condições de entregar a maior Copa da história. A Fifa não precisa se preocupar com obras, calendário apertado e todos os riscos relacionados a grandes construções”, diz trecho do caderno de encargos da United 2026.

E uma novidade para a competição. Por ser em três países, o dia da abertura teria três jogos, um em cada um deles.Por outro lado, o Marrocos tem um projeto ambicioso e que custará muito dinheiro.

O país africano estima gastar US$ 15,8 bilhões (R$ 58,8 bilhões) para poder receber o torneio. A Rússia, por exemplo, investiu R$ 38 bilhões, contra R$ 33,3 bilhões do Brasil (isso em valores já corrigidos pela inflação).

Deste montante, US$ 3 bilhões (R$ 11,1 bilhões) serão destinados apenas para estádios. Em suas 12 sedes propostas, pretende erguer nove arenas e reformar outras cinco, totalizando 14. Um deles, em Casablanca, teria capacidade para 93 mil espectadores.

Para elaborar o plano de comunicação de sua candidatura e fazer sua divulgação, os marroquinos contrataram uma empresa britânica chamada Vero. Especializada no mercado de marketing esportivo e grandes eventos, essa trabalhou em candidaturas vencedoras como a do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016, de Paris para 2024, e até a de Gianni Infantino para presidente da Fifa.

Também investiu em chamar ex-jogadores para trabalhar como embaixador, como o ex-lateral esquerdo Roberto Carlos, que recebeu cerca de R$ 1 milhão por dois meses de trabalho com eles.

Em que pese ter muitas obras a serem realizadas, o Marrocos aposta na proximidade com a Europa e em um fuso-horário que permite uma exposição no continente em horário nobre, diferentemente da United 2026, com jogos na madrugada europeia.

“Garantiremos milhares de fãs não apenas nos estádios, mas também na frente da televisão. Nosso país está localizado no coração do mundo do futebol”, diz trecho do livro da candidatura marroquina.

“Não somos apenas uma Copa da África, somos da Europa também. Estamos a só 14 quilômetros do sul da Espanha e a poucas horas de voo de diversos países”, salientou o chefe da candidatura marroquina Hicham El Amrani.

Um abismo financeiro separa as candidaturas quando o assunto é a quantidade de lucro que elas prometem à Fifa. A United fala em US$ 11 bilhões (R$ 41 bilhões), o que seria um recorde histórico. Marrocos prevê US$ 5 bilhões (R$ 18,8 milhões), valor semelhante ao da Rússia-2018.

Ao longo dos últimos meses, a Fifa visitou os candidatos e uma força-tarefa avaliou diversos critérios dando pontuações de 0 a 5, com pesos diferentes. Estes resultados já foram apresentados antes do Congresso para tentar tornar a escolha mais técnica e menos política possível, o que dificilmente deve acontecer.

A candidatura United 2026 teve pontuação total de 402,8, uma média de 4. Já o Marrocos somou apenas 274,9, com uma média de 2,7 pontos.

A Conmebol já anunciou que seus 10 membros votarão a favor da United 2026. Outras associações continentais não se manifestaram publicamente por voto em bloco. Mas a tendência é de a Concacaf (32) ir toda pela United, e a Confederação Africana (55) pelo Marrocos. Na Oceania (11), Ásia (46) e Europa (55) há divisão. Por isso o desfecho se torna imprevisível.

O presidente americano Donald Trump, porém, fez uma pressão de forma indireta há algumas semanas. “Seria uma vergonha se países que sempre apoiamos votassem contra a nossa candidatura e fizessem lobby. Porque deveríamos apoiar estes países se eles não nos apoiam, inclusive na ONU?”, escreveu em uma rede social sem citar os países.

A candidatura africana ainda tenta fazer com que a Fifa impeça de votar as associações de Samoa Americana, Guam, Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas, por serem territórios controlados pelos EUA e haver um conflito de interesse. Uma decisão só deverá acontecer momentos antes da votação.

Caso a United 2026 seja vencedora, seria um retorno do Mundial ao eixo protagonista de grandes eventos e com longo know-how, após uma sequência de Copas no Brasil, África do Sul, Rússia e Qatar.

“Há duas opções. Uma é ir por uma candidatura que trata o futebol como negócio, mas também onde há paixão. Ou ir por uma candidatura pelo desenvolvimento de um país, de um futebol mais modesto. Qualquer que seja o resultado, há de ser respeitado. As duas candidaturas são merecedoras”, afirmou o presidente da federação espanhola, Luis Rubiales. Ele ressaltou que a Uefa deixou que cada país faça a sua escolha. “Não há ordem para votação em bloco”, afirmou, sem querer revelar seu voto.

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