Foto: Reprodução Facebook

Estelita Hass Carazzai, FOLHAPRESS

Em um livro ainda inédito sobre os bastidores da Casa Branca no governo de Donald Trump, um dos principais assessores do presidente, Steve Bannon, afirma que a reunião do filho do presidente, Donald Trump Jr., com uma informante russa durante a campanha eleitoral de 2016 foi “traidora”, “antipatriótica” e “uma merda”.

“Eles deveriam ter chamado o FBI imediatamente”, afirmou Bannon ao jornalista Michael Wolff, autor de “Fire and Fury” (fogo e fúria, em tradução literal).

O livro, a ser lançado na semana que vem, foi obtido em primeira mão pelo jornal inglês “The Guardian”, que divulgou trechos nesta quarta (3).

O controverso ex-estrategista-chefe de Trump, demitido em agosto, ainda compara a investigação do FBI sobre a influência russa na eleição de 2016 a um “furacão de categoria cinco”.

Para ele, a Casa Branca está desatenta ao impacto da investigação, que deve “quebrar Donald Jr. feito ovo em rede nacional”.

Bannon é uma espécie de guru da extrema direita americana e editor do site de notícias Breitbart, de inclinação conservadora. Ele foi um dos principais nomes da campanha de Trump e permaneceu na Casa Branca por sete meses, até ser demitido em decorrência do incômodo crescente com seus comentários sobre as manifestações supremacistas em Charlottesville, na Virgínia.

Os comentários de Bannon -cujas relações com o filho e o genro de Trump, Jared Kushner, que também estava na reunião com os russos, não eram das melhores- estão entre os mais ácidos do livro de Michael Wolff.

“Você percebe para onde isso está indo. Tudo envolve lavagem de dinheiro. O caminho deles [FBI] para ferrar Trump passa direto por Paul Manafort, Don Jr. e Jared Kushner… É tão claro quanto água.”

O FBI apontou um procurador especial para conduzir a investigação, que está se fechando em torno de figuras próximas do presidente -o que tem gerado especulações sobre um eventual envolvimento de Trump em um conluio com os russos, o que o republicano nega.

No início de dezembro de 2017, o ex-conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, firmou um acordo com os investigadores, e há a expectativa de que ele faça novas revelações sobre o caso.

A Casa Branca não havia se manifestado sobre os comentários de Bannon até o início desta tarde. O filho de Trump também não comentou.

O livro de Wolff será lançado na próxima terça-feira (9).

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