Por Gabriel Bitencourt 

O primeiro ocorreu recentemente na cidade de Osasco, São Paulo.

Na manhã do dia 29 de setembro último, a ativista da causa animal, Luiza Mel, com o suporte da Polícia Civil resgatou 135 cães vítimas de maus-tratos. Os animais pertenciam a um canil registrado e vendia animais das raças Lhasa Apso e Yorkshire, entre outras.

Além das péssimas condições de higiene, os animais tinham marcas de espancamentos como patas e maxilares quebrados. Foram encontrados, ainda, nove cães mortos. Estes animais eram explorados até a morte. Resgatados, encontram-se sob a guarda do Instituto Luiza Mel.

O segundo caso, de certa forma testemunhei porque ocorreu em uma chácara próxima da minha e que foi alugada por um canil.

Não conseguimos identificar situações como as do canil de Osasco, entretanto, o fato de escutarmos, dia e noite, mais de cinquenta cães confinados, latindo sem parar nos dava a ideia da crueldade.

Aquelas dezenas de cães não estavam ali para alegrar seus tutores com suas brincadeiras, com suas caudas abanando e suas carinhosas lambidas. Ali havia nada mais do que máquinas reprodutoras e seus produtos (filhotes).

Estes dois casos se diferenciam pela gravidade da situação de maus-tratos, mas se identificam nos propósitos: o de se criar animais com o objetivo exclusivo de comercializá-los.

Sei que muita gente quando olha para o filhotinho na gaiola de um petshop, acaba sendo facilmente seduzida pela delicadeza, pela beleza daquelas fofurinhas peludas, mas é necessário que se reflita na hora da compra se não estamos alimentando uma indústria de maus-tratos e deixando de retirar das ruas um animal abandonado.

Provoco esta reflexão, aqui, em minha coluna não apenas pelo evento recente de Osasco, mas também pela proximidade com o dia das crianças.

É muito comum que nesta data e em outras relacionadas com o público infantil se presenteiem as crianças com um animal de estimação. Portanto, vão aí algumas dicas:

1. Em primeiro lugar, no seu papel de adulto, reflita com a criança sobre o tipo de animal que ela quer. Sua espécie, porte, necessidades, adequação ao ambiente onde moram.

2. Feita a opção, converse sobre as diferenças entre um ser vivo e um bichinho de pelúcia. É bom lembrar, por exemplo, que durante as férias ele não poderá ficar dentro de um baú esperando pela volta da família.

3. Por último, evite a compra de animais.

Adote e converse sobre a importância de se adotar um animal resgatado das ruas ou de situações da maus-tratos. Você vai se surpreender com o nível de empatia e a capacidade de entendimento de uma criança com relação a este tipo de escolha.