Doença de Lady Gaga causa dores insuportáveis pelo corpo

Emerson Vicente, FOLHAPRESS

A cantora norte-americana Lady Gaga, 31 anos, cancelou a sua apresentação no Rock in Rio, na semana retrasada, por causa de uma fibromialgia, doença crônica que causa muitas dores pelo corpo e uma sequência de sintomas. Na maioria dos casos, ela está atrelada a um estado de depressão.

“É uma doença crônica, com períodos de instabilidade, que deixa o paciente sem poder fazer muitas atividades no seu cotidiano. Ele vai precisar de um tratamento com psicólogo e com terapeuta”, afirma Alexandra Raffaini, médica anestesiologista com área de atuação em dor pela Associação Médica Brasileira.

Segundo os médicos, uma forte crise de fibromialgia realmente limita as ações da paciente. “Os sintomas são todos que você possa imaginar, incluindo muita dor”, diz Roberto Rached, fisiatra do Hospital das Clínicas. “Está sempre acompanhado por fadiga, a pessoa começa o dia muito cansada.”

Na fibromialgia, o cérebro potencializa os estímulos da dor. “A dor que qualquer pessoa sente é multiplicada por dez para quem tem fibromialgia”, diz Rached.

Nos anos 1990, um estudo apontava os pontos predeterminados para as dores da fibromialgia. Em 2003, um novo estudo norte-americano passou a dar mais importância aos demais sintomas. “Passou-se a valorizar os sintomas que aparecem junto com a dor, como o cansaço, a alteração de memória, o intestino irritável”, diz Alexandra Raffaini.

Pelo fato de atacar os neurotransmissores, os médicos adotam o uso de antidepressivos para controlar a doença. “A fibromialgia não é diferente de uma doença crônica, que se arrasta por muito tempo. Tem tratamento, difícil, depende muito do médico e muito mais do paciente”, diz Rached.

9 em cada 10 pacientes são mulheres

A fibromialgia atinge cerca de 2,5% da população mundial, segundo os médicos. Não existe uma explicação científica, mas 90% dos pacientes afetados pela doença são mulheres, na faixa dos 30 aos 50 anos. Porém, existem casos de pessoas mais jovens com a doença.

“Hoje, infelizmente, a gente vê crianças e adolescentes sofrendo com fibromialgia”, diz o fisiatra Roberto Rached.