O DEDA QUESTÃO

Na briga política que se trava nos bastidores para saber quem estará com quem na corrida eleitoral para o governo de São Paulo, quem saiu perdendo foi o sorocabano Júlio Guebert que ocupava interinamente como Delegado Geral da Polícia Civil. Hoje, ele foi desligado do cargo, após o PP se juntar a candidatura de Dória do PSDB.

Para entender esse jogo, uso reportagem do blog https://ponte.org/ que assim tratou do tema: “Desde que assumiu o governo de São Paulo, no lugar de Geraldo Alckmin (PSDB), em 6 de abril deste ano, Márcio França tentou negociar o nome do novo delegado-geral da Polícia Civil estadual. Após um jogo político que contou com uma “traição” do PP (Partido Progressista), França nomeou um amigo pessoal, Paulo Afonso Bicudo, como novo delegado-geral da Polícia Civil. A nomeação de Bicudo foi publicada nesta terça-feira (26/6) no Diário Oficial do Estado.

A lógica de França é a mesma usada na nomeação para comandante da PM (Polícia Militar), quando escolheu, em 24 de abril, o coronel Marcelo Vieira Salles, também seu amigo. A demora para o nome chefe da Civil se deve porque, assim que o governador assumiu o lugar de Alckmin, o então delegado titular, Youssef Abou Chahin, pediu demissão para se aposentar e deixou o cargo. A partir daquele momento, o vice de Chahin, o delegado Júlio Guelbert, estava à frente do cargo interinamente, ao mesmo tempo em que teria iniciado uma disputa para definir o novo dono do posto.

A Ponte Jornalismo entrevistou três integrantes da cúpula da Polícia Civil, dois especialistas em segurança pública e integrantes estaduais do PSB e do PP, sob a condição de não revelar seus nomes. Eles apontam que o cargo de delegado geral de São Paulo foi negociado politicamente.

Desde abril, França se aproximou da chamada bancada da bala da Alesp (Assembleia Legislativa de SP) e, também, da Câmara Municipal. Teria oferecido almoço e jantar dentro do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste da capital, a nomes aposentados (e eleitos) das polícias Civil e Militar.

A reportagem apurou que aquele que teve maior destaque junto a França foi o deputado Delegado Olim (PP). Ele sugeriu, pessoalmente, o nome de Júlio Guelbert para continuar à frente do cargo. A aproximação foi tanta que Olim teria sugerido, também, nomes aos departamentos mais importantes da Polícia Civil. Como França estava tentando alavancar sua pré-candidatura ao governo, chegou a ventilar o nome do delegado como vice de sua candidatura

Na semana passada, o jogo político virou. Olim, e o PP, deixaram de apoiar França e decidiram se aliar a João Doria (PSDB). A aliança foi concretizada em um evento público, na sexta-feira (22), com poses para fotos e sinais de “acelera, SP”, slogan adotado por Doria em 2016, quando foi eleito prefeito da capital paulista.

Na terça-feira (19/6), França teria chamado Guelbert no Palácio dos Bandeirantes e anunciado que ele seria efetivado. Teria, ainda, determinado que o então interino deveria montar sua equipe de trabalho. Após isso, França e Olim não se acertaram politicamente.

Na quinta-feira (21/6), um dia antes da divulgação da aliança entre PP e PSDB, o governador teria determinado que o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, ligasse para Guelbert para informar que ele não seria mais o delegado-geral.

Segundo integrantes da Polícia Civil, Guelbert vai ser o titular da Acadepol (Academia de Polícia). Isso não foi confirmado até a publicação desta reportagem.