O DEDA QUESTÃO

A esperança é o sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja: confiança em coisa boa. Eu fui inundado por essa alegria quando vi que alunos da Escola Municipal “João Francisco Rosa”, da Vila Angélica, zona norte de Sorocaba, estão desenvolvendo o projeto de leitura e escrita intitulado “Pequenos Inventores, Grandes Produções”, que tem como proposta produzir livros artesanais que representam a continuidade dos estudos e reflexões das atividades relacionadas à escrita que são passadas durante o ano em sala de aula.

Num momento em que o ódio, ignorância e irracionalidade dominam parte do debate eleitoral, onde o uso de arma de fogo é celebrado como se fosse possível fugir da violência com mais violência, esse projeto aparece como um oásis de esperança de um futuro melhor onde o livro é o instrumento de transformação, formação e toda-ajuda (parafraseando os livros de auto-ajuda) que um indivíduo precisa dar a si próprio ao longo de sua vida. “Toda literatura consiste num esforço para tornar a vida real”, escreveu Bernardo Soares, o semi-heterônimo de Fernando Pessoa, na obra “Livro do Desassossego”. Num outro trecho, ele ratifica: “são intransmissíveis as impressões salvo se as tornarmos literária”.

Parabéns ao diretor da escola, Odirlei Paulino dos Santos, que deu espaço para que esse projeto, nascido a partir da ideia das professoras, há 5 anos, se mantenha vivo.

Neste ano, estão participando do projeto 550 alunos, com idades entre quatro e dez anos, da Educação Infantil (pré I e II), centrados na produção de desenhos e Ensino Fundamental (1º a 5º ano), com produção de textos e ilustrações.

São 550 sementes plantadas que darão ótimos frutos, não resta dúvida.

Mergulho no conto

Nesse ano o tema escolhido pela turma do 4º ano, por exemplo, foi o gênero conto. A professora propôs às crianças que deslocassem os personagens para outro cenário. E foi isso que o jovem Paulo Roberto Santos Moreira, de 9 anos, fez.

Ele escreveu a história do Polegar com a Cinderela e a Bela Adormecida. “O que eu mais gostei de fazer foi misturar as histórias. Eu gosto do projeto porque as pessoas podem soltar a imaginação em um livro, o que é bem legal”, explica.

O diretor Odirlei Paulino dos Santos, lembra que “pelo motivo de desenvolvermos um trabalho muito forte em leitura e produção escrita, achamos que o livro é uma das ferramentas mais fortes em sua questão social. Inicialmente começou com um livro em aspirais, que até as mães ajudaram na confecção. E nesse processo aos poucos fomos refinando”, afirma.

Os alunos devem terminar as produções do livro no mês de outubro para poder encaminhar para a gráfica. Em dezembro os pais dos alunos poderão conhecer o trabalho final. A Escola Municipal “João Francisco Rosa” fica à Alameda Augusto Severo, 344, na Vila Angélica.