O DEDA QUESTÃO

Foi enterrado no Cemitério Pax, em Sorocaba, na manhã de quarta-feira, o corpo do professor João Batista Larizzatti Júnior, conhecido como Prof. Júnior.

Ele tinha 72 anos de idade e uma carreira brilhante no magistério. Dentro da sala de aula foi um daqueles mestres que marca a vida de gerações e gerações de alunos, mas foi fora dela que ganhou fama e construiu uma das melhores reputações de educadores sorocabanos com o Curso Preparatório do Prof. Júnior.

O brasileiro, desde a mudança da legislação nos anos 80, vê no serviço público a segurança de um futuro melhor para si e família devido a estabilidade que a lei garante a quem consegue ingressar neste ramo do trabalho, uma vez que apenas com grave erro, e longo processo de acusação e defesa, um funcionário público concursado é demitido.

O Prof. Júnior viu um nicho de trabalho nessa realidade brasileira e começou a preparar cursos para ajudar seus alunos a serem aprovados nas provas dos concursos, assim, suprindo a carência na formação desses alunos a conteúdos que não fizeram parte da grade curricular de sua formação. Um sucesso imediato que se transformou na vida do Prof. Júnior e que agora caberá aos seus familiares decidirem o seu futuro.

Meu convívio com o professor Júnior aconteceu na OSE (Organização Sorocabana de Ensino) no histórico prédio da rua da Penha. Eu fazia assessoria aos diretores da instituição à época, Arthur Fonseca Filho, Raul Fonseca e Wlademir dos Santos, e conversava bastante com ele, especialmente sobre a mudança na estrutura das famílias e a participação delas na formação de seus filhos. Prof. Júnior teve sua formação dentro do seminário de Pirassununga, interior paulista, onde chegou criança e saiu logo após completar 18 anos de idade.

Professor Júnior tinha 21 anos a mais do que eu e quando ingressei no jornalismo ele já havia deixado a profissão de lado, sem nunca deixar de recordar com orgulho e saudades da época em que trabalhou no jornal Cruzeiro do Sul no final dos anos 70. No noticiário do jornal, a respeito da morte do Prof. Júnior, o “jornalista Adalberto Vieira relembra que ao entrar no Cruzeiro do Sul, em 1977, o professor Júnior era o responsável pelo noticiário regional, encaminhado pelos correspondentes, permanecendo até 1980, quando a redação e todo parque gráfico foi transferido para o prédio do Alto da Boa Vista: ele se orgulhava muito de ter trabalhado no jornal”.

Professor Júnior teve complicações cardíacas no começo deste mês até morrer na terça-feira. Ele deixou a esposa Eni Aparecida – sua companheira da vida inteira – e os filhos Camila e Gustavo.

Homenagem de ex-aluno

Para reforçar essa homenagem, publico aqui o depoimento de Maurício Jorge de Freitas, seu ex-aluno, advogado consagrado e ex-secretário Jurídico da Prefeitura de Sorocaba na gestão do prefeito Pannunzio (2013-2016).

Leia o que ele escreveu: Hoje é um dia muito triste para mim. Acabei de saber do falecimento de João B. Larizzatti Júnior, o Professor Júnior, o mestre que mais admirei em minha vida.

Brilhante, competente, bem humorado, me fez apreciar ainda mais a literatura. Suas aulas eram aguardadas ansiosamente por seus alunos, porque todos sabiam que iriam aprender e ter momentos felizes.

Era adorado por todos!

Devo especialmente a ele minha aprovação na USP, pelas aulas de redação na primeira turma de seu curso.

Certa vez, já formado e sedimentando em minha profissão, passei em frente ao prédio onde ficava seu curso, parei e procurei por ele, só para agradecer por sua competência e profissionalismo, que me proporcionaram ferramentas para realizar meu sonho de estudar na São Francisco.

Fiquei emocionado, ele também e que bom que pude dizer-lhe isso em vida. Agora faço esta homenagem no momento de seu falecimento, para que seu filho Gustavo Larizzatti, meu companheiro de motociclismo e todos os seus familiares saibam de minha profunda admiração e gratidão por esse que foi um verdadeiro PROFESSOR, com todas as letras maiúsculas.

Descanse em paz, MESTRE.

Aos familiares, meus sinceros sentimentos e mais não escrevo porque as lágrimas me turvam a visão.