Foto: Reprodução Facebook

Por Djalma Luiz Benette

Tudo o que está acontecendo nos bastidores políticos de Sorocaba neste momento, de temperatura altíssima, se refere à eleição deste ano, onde personagens do grupo que ganhou a eleição de prefeito em 2016 seguem se digladiando.

De um lado o presidente da Câmara, vereador Rodrigo Manga e sua turma (vereadores Hudson Pessini e Renan dos Santos; vice-prefeita Jaqueline Coutinho e personagens fortes, porém sem mandato).

Do outro lado o vereador Fernando Dini (licenciado para ser secretário de Segurança) e sua turma que é forte dentro do diretório estadual do MDB, tendo o ex-vereador Oswaldinho Duarte como aliado de primeira hora.

Ambos querem ser candidato a deputado estadual, um pelo DEM e outro pelo MDB, porém um não quer a concorrência do outro.

Mas esta disputa de um contra o outro só será possível depois que cada um vencer dentro do seu partido.

Dini não pertence ao grupo de Renato Amary (grande articulador e padrinho da eleição de 2016 onde esse grupo saiu vitorioso), embora ambos sejam do MDB.

Manga não pertence ao grupo do prefeito Crespo (o grande beneficiado com a vitória do grupo de 2016), embora ambos sejam do DEM.

Assim é preciso entender:

1) Rodrigo Manga quer ser candidato a deputado estadual e precisa de Crespo para dar a legenda do DEM para ele.

2) Fernando Dini quer ser candidato a deputado estadual e precisa de Renato Amary para dar a legenda do PMDB para ele.

3) A turma do Manga acredita que Crespo não quer ele como deputado e nem na presidência do Legislativo e para combater qualquer ameaça de Crespo em não dar a legenda a Manga concorrer a deputado, fez a emenda da reeleição da Mesa da Câmara.

4) A turma do Dini acredita que Renato Amary não quer que ele concorra a deputado estadual e para combater esta ameaça Dini correu ao diretório estadual da legenda, junto de Baleia Rossi, e praticamente tirou o comando do PMDB de Renato.

5) Renato Amary não quer dar a legenda a Dini, segundo a turma do Dini, porque deseja uma candidatura única a deputada estadual do grupo que ganhou a eleição em 2016 e esse nome é o de Rodrigo Manga para garantir a paz de Crespo no comando da prefeitura, afastando qualquer nova ameaça de cassação do mandato.

6) Crespo não quer dar a legenda a Manga, segundo a turma do Manga, porque Crespo assumiu uma série de compromissos com Dini (desde a presidência da Câmara e até a liderança do governo) e não teve força política para cumprir nenhum e este seria o modo de honrar as perdas do passado.

7) Fernando Dini, tirando o comando do partido de Renato Amary, deverá ficar sozinho na legenda, uma vez que os militantes e 4 vereadores (Péricles Régis, Vitão do Cachorrão, Cíntia de Almeida e Rafael Militão) deixariam simultaneamente a legenda, esvaziando o partido e sua liderança.

8) Rodrigo Manga, conseguindo a legenda do DEM, terá problema dentro da Igreja Mundial, de onde veio a maioria dos seus votos. Ele foi salvo do submundo e se tornou presidente da Câmara graças ao pastor Waldemiro. Porém, o pastor Waldemiro foi salvo do submundo por Missionário Olímpio que quer ser candidato à reeleição de deputado federal e quer que seu filho seja o candidato à reeleição para deputado estadual, ou seja, deixando Manga sem espaço para ter votos dentro da igreja.

9) Agora, se Manga e Dini tiverem sucesso e conseguirem a legenda (um do DEM e outro do MDB) é como se morressem abraçados, uma vez que um tira voto do outro, ou seja, aumenta a chance de nenhum dos dois se eleger. Com apenas um na disputa, e o grupo que ganhou a eleição de 2016 trabalhando para eles, existe, na conta deles, uma real chance de eleição.

10) Tirando essa disputa que é imediata, afinal em 6 de abril é o prazo para quem está no Executivo deixar o cargo para concorrer a deputado, ainda há a presidência da Câmara no final do ano. Para o prefeito, sem Manga na presidência (que o cassou) sua situação é mais tranquila, em tese, uma vez que seria idêntica caso Hudson Pessini ou Renan dos Santos (que são alinhados de primeira hora de Manga) seguissem no comando da casa.

11) A solução poderia ser um acordo para Manga ser o candidato a deputado estadual e Dini ser eleito presidente da Câmara no final do ano. Mas Manga não tem a confiança de Dini desde que mudou o regimento e ganhou mais um ano na presidência da Casa, seguindo presidente em 2018 quando agora seria a vez de Dini.

12) A emenda da reeleição da Mesa Diretora não desagrada Crespo por completo uma vez que impede uma livre negociação para o vereador Martinez (PSDB), o mais articulado vereador da Casa, que já presidiu por 7 vezes, volte a ser o presidente. O voto de Martinez pela cassação feriu de morte o prefeito e a amizade deles praticamente chegou ao fim, ou seja, definitivamente. O efeito colateral é que a reeleição da Mesa dificulta a eleição de Marinho Marte que tem a preferência de Crespo para comandar o Legislativo. Para piorar esse cenário, a turma de Manga prefere Martinez presidente (que é adversário de Crespo) a Marinho (que eles não perdoam por ter ficado com Crespo em sua volta da cassação).

Enfim, com o passar do tempo, cartas vão ficar pelo meio do caminho.

Ressalto que um grande medo faz a mediação de todos esses pontos. O grande medo é de Manga e sua turma caso não consigam o mandato de deputado estadual e percam a presidência da Câmara. Eles entendem que Crespo iria liquidar politicamente cada um deles numa vingança por terem cassado o seu mandato. Ou seja, com medo de serem mortos, eles vão para matar, nem que isso signifique morrer junto.