O DEDA QUESTÃO

No domingo à noite, após a batalha de liminares envolvendo magistrados de 1ª e 2ª instâncias a respeito da prisão de Lula (foram 9 ordens de solta e mantém preso no período de seis horas) recebi à noite, num dos grupos de WhattsApp do qual participo, a mensagem de um colega partidário do presidenciável Jair Bolsonaro dizendo assim: “Faça sua encomenda de móveis planejados linha Bolsonaro 2018 – Para caçar ratos de vários tamanhos”. Tal mensagem vinha acompanhada de 7 fotos, sendo que reproduzo duas delas aqui, onde pode-se ver móveis (como geladeira e sofá) com local para se guardar armamento de grosso calibre.

Obviamente que o candidato Bolsonaro não tem essa linha de móveis e nem mesmo algum dia foi explícito em suas manifestações sobre o uso de armamento pesado pelo cidadão comum. Mas é evidente que o eleitor dele entende que ao votar nele esse seu desejo virá a ser contemplado. Mais, o eleitor do Bolsonaro entende que é óbvio quem são os ratos a serem batidos.

Volto a bater numa tecla: a instituição deve ser preservada e estar acima de qualquer ocupante de sua cadeira. O que fez o desembargador do TRF-4 de plantão no domingo, de soltar Lula, é evidentemente uma malandragem e esperteza….mas dentro da lei. Impedir sua soltura, que foi o que fez o juiz de 1ª instância, por mais que se discuta se era ou não o que estava à sua alçada, teve o mesmo raciocínio. É ruim para a imagem do judiciário, é ruim para o sentimento que o cidadão comum tem das instituições, é ruim para o didatismo de se compreender o mundo que vivemos. Porém, nada justifica que se pregue e propague que um estado de exceção seria melhor.

A sociedade só vai avançar em melhorias, como o combate efetivo à corrupção e punição aos corruptos, se respeitar a Lei que é o que faz com que todos, indistintamente de cor, classe social ou econômica, sejam iguais.

Diga não a quem deseja um estado de exceção e lembre que a intervenção militar (foram 23 anos de ditadura militar no Brasil) não produziu bom resultado ao longo prazo.

Em 1932, na Revolução Constitucionalista, os paulistas foram à guerra para preservar conquistas como a da escola pública de qualidade. Dia desses, ao acaso, ouvi Jaime Pinsky falando do seu orgulho de ter estudado no Estadão em Sorocaba, o mesmo que segue ali na avenida Eugênio Salerno. Hoje a escola pública deixa somente a desejar e isso é fruto dos 23 anos da intervenção militar. Estado de exceção nunca foi bom em lugar algum e é ilusão achar que ela abrevia um processo histórico.