O DEDA QUESTÃO

A decisão do prefeito Crespo de anunciar trocas de secretários no final da tarde de terça-feira (10) – o primeiro dia útil dessa semana – pegou de surpresa até mesmo alguns de seus mais próximos assessores. O combinado era falar não apenas com os que estavam de saída e os que estavam de chegada, mas especialmente com os padrinhos das mudanças.

Isso significa dizer o seguinte:

1) Luiz Carlos Franchin, presidente da Urbes (empresa municipal de que gerencia o trânsito e transporte da cidade) e simultaneamente secretário de Mobilidade Urbana deixou os dois cargos e em seu lugar entraram Roberto Bataglin (amigo de Crespo desde a época em que ele presidiu a Urbes no final dos anos 80) para presidir a Urbes e Luiz Alberto Fioravante, que deixou a pasta de Planejamento para assumir a de Mobilidade. O que se esperava, e estava combinado, era que o prefeito falasse com o vereador Rodrigo Manga, presidente da Câmara, sobre a saída de Franchin, afinal ambos são amigos e Franchin chegou ao governo, na época em que Jaqueline Coutinho ocupou o cargo de prefeito durante a sua cassação, por indicação de Manga. Como Manga e Crespo estão em fase de paz e de diálogo, estava combinado que se falariam antes de uma troca como essa. E falariam, hoje, às 17h. De modo que apenas depois seria anunciada a saída de Franchin. Mas fez ontem o anúncio.

2) O prefeito Crespo entende que deve seguir prestigiando Manga e tinha a intenção de nomear Franchin para a pasta de Combate e Prevenção às Drogas, cujo o projeto para sua criação foi protocolado na Câmara na tarde de terça-feira. Essa secretaria é desejo de Manga, que milita nesta causa, há anos. Crespo entende que nomeando Franchin estaria agradando Manga. Mas, Manga não quer. Seu desejo é que um técnico que entenda dos problemas de quem está mergulhado no vício e especialmente dos seus familiares. Assim, Franchin deixará o governo. Ao menos por enquanto.

3) Ao tirar Fioravante do Planejamento, o prefeito consegue alcançar dois objetivos: primeiro de deixá-lo focado totalmente na questão da mobilidade (as obras do BRT começam no mês que vem, o desembaraço para a implantação do VLT está adiantado e o projeto para a padronização das calçadas de Sorocaba também avançou bastante nas discussões do Conselho Municipal de Trânsito); e o segundo de tirá-lo do trato com os empreendedores da área da habitação que sistematicamente reclamam do ritmo de Fioravante para lidar com a aprovação de projetos para essa área.

A colocação de Miriam Zacarelli em seu lugar no Planejamento, além de ser uma mulher a mais no secretariado, o que é bem visto pela opinião pública, também dará um caráter mais técnico à pasta. Além de ser a adjunta de Fioravante, Miriam já teve experiência na Ciesp de Sorocaba, na assessoria dos secretários Rubens Lara e Geraldo de Almeida César, ambas no governo Pannunzio.

4) A saída de Gustavo Barata é a que mais está recheada de mistérios especialmente em razão da amizade dele com Crespo desde que o prefeito era vereador e ele corregedor no governo Pannunzio. A princípio, sua saída é para dar espaço a Mário Pustiglione (foto) que estava no Detran Sorocaba enquanto o governador era Alckmin. Ele foi secretário dos contratos no segundo governo do prefeito Vitor Lippi e que foi chefe de gabinete da deputada estadual Maria Lúcia Amary. Sua chegada ao governo é interpretada como a de uma pessoa ligada ao PSDB ao governo – fato negado por Lippi e Maria Lúcia hoje ao vivo em entrevista no Jornal Ipanema.

Seria um pedido de Flávio Chaves, secretário de Relações Institucionais e Assuntos Metropolitanos, a chegada de Pustiglione. Vale lembrar que ele, assim como Maria Lúcia são de Santos. Para uns, Mário Pustiglione é bem chegado a Lippi que o segurou no cargo quando o então candidato a prefeito, Pannunzio, exigiu que ele fosse demitido do cargo. Lippi não cedeu.

Para outros, ele é ligado a Maria Lúcia por serem da mesma cidade natal, ter sido seu chefe de gabinete e por ela ter dado a bênção para que Pustiglione fosse ao Detran. A aproximação do PSDB e do DEM em Sorocaba é uma estratégia da aproximação dos partidos na campanha para o governo de São Paulo onde o candidato a governador, Dória do PSDB, e o a vice, Rodrigo Garcia do DEM, seriam os responsáveis por esse momento de ambos os partidos ficarem mais próximos em Sorocaba.

2 Comentários

  1. Uma grande mudança, para deixar tudo como esta !
    Na reportagem , fulano indica um amigo ,mas cede para que outro amigo do cicrano possa assumir ,uma escancarada casta politica.

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