Cientistas chineses anunciaram o nascimento de Zhong Zhong e Hua Hua, os primeiros macacos clonados com sucesso usando a mesma técnica que fez nascer a ovelha Dolly, nos anos 1990.

As duas fêmeas representam um novo marco histórico na ciência, pelo fato de ser muito mais complexo clonar um primata do que ovelhas, abrindo caminho, possivelmente, para uma futura clonagem de seres humanos (isto é, caso as barreiras éticas, religiosas e morais sejam derrubadas).

Desde a clonagem de Dolly, 23 espécies de mamíferos já foram clonadas, incluindo porcos, gatos, cachorros e ratos.

Com a clonagem dos macacos, pesquisadores podem criar populações desses primatas geneticamente uniformes e customizáveis, acelerando estudos para tratar doenças como Parkinson, Alzheimer e cânceres. Isso será possível, tecnicamente falando, com cientistas ajustando os genes dos macacos ligados às doenças humanas, monitorando como elas alteram a biologia dos animais e, depois, comparando-os com animais geneticamente idênticos, mas sem tais alterações.

No ano 2000, cientistas até conseguiram clonar macacos, mas usando outra técnica. Eles dividiram um embrião depois de sua fertilização, apenas produzindo um irmão gêmeo geneticamente idêntico. E como esse método somente pode ser aplicado para gerar no máximo quatro animais idênticos, a técnica usada agora pelo Instituto de Neurociência da Chinese Academy of Sciences, em Xangai, é mais interessante, já que permite a criação de ilimitados macacos geneticamente idênticos.

O método envolve remover o núcleo de uma célula de um óvulo, substituindo-o com outro tirado do animal a ser clonado. “Isso pode acelerar a busca por genes que causam doenças, e meios de corrigi-los”, declarou Qiang Sun, cientista membro da equipe. Tentativas anteriores de usar a mesma técnica na clonagem de primatas não foram bem sucedidas, porque o processo não conseguia seguir após o estágio embrionário. Mas Sun e seus colegas descobriram que seria possível obter sucesso ao usar células de fetos, em vez de células de macacos adultos.

Quanto à possibilidade de se tentar uma clonagem humana, dado o sucesso da clonagem de macacos, “é ilegal clonar um humano na Inglaterra e em vários outros países, e eu não acredito que alguém tentaria fazer isso racionalmente falando”, declarou Peter Andrews, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.

Histórico da clonagem de mamíferos

O primeiro clone bem sucedido de um mamífero já realizado na história da humanidade aconteceu em 1996, com a ovelha Dolly. Depois, no ano 2000, criaram esse gêmeo de um macaco que mencionamos acima, usando uma técnica diferente.

No ano seguinte, houve uma tentativa falha de se clonar um bisonte, que morreu logo após o parto, mas no mesmo ano o primeiro gato clonado surgiu. Já em 2004, tentaram mais uma vez clonar macacos, dessa vez usando a técnica da ovelha Dolly, mas nenhum embrião sobreviveu para ser implantado.

Em 2005, nasceu o primeiro cachorro clonado, e não ficamos sabendo de mais nenhum clone de mamíferos sendo feito até 2013, quando células-tronco embrionárias foram extraídas de embriões humanos clonados. A partir daí, em 2016 cientistas chineses conseguiram modificar geneticamente um macaco para que ele desenvolvesse uma versão da doença de Parkinson, e, agora, em 2018, nascem as duas primeiras macacas clonadas com a técnica da Dolly, que permite cópias infinitas do mesmo material genético.

Fonte: Canaltech/NewScientists