Em seu último discurso, na Câmara Federal, o deputado Jefferson Campos (PSD) fez várias críticas à exposição “Queermuseu”, que ficou em cartaz no Santander Cultural, no início deste mês, e foi alvo de protesto em diversos cantos do país, inclusive nas redes sociais, por supostamente fazer apologia à pedofilia, zoofilia e criticar o Cristianismo. (Assista abaixo)

Entre os quadros disponíveis para a visitação, estavam, como define o deputado na gravação, “um cachorro segurado por uma pessoa enquanto é estuprado por outra e um escravo negro abusado sexualmente por dois homens. Ele ainda relata “que esse tipo de coisa já aconteceu no Brasil”.

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Campos, conhecido também por ser pastor, foi eleito com 161 mil votos na última eleição presidencial. Ainda em vídeo, ele questiona: “Queremos ver esta cena? Precisamos disto? Isto é arte? Gostaria que os recursos públicos destinados para a cultura fossem destinados nisto?”. E ele mesmo responde: “é claro que a resposta é um sonoro não”.

O parlamentar ainda menciona um quadro com a figura de uma criança com os dizeres “criança viada, travesti da lambada”, na qual ele afirma remeter à prostituição infantil, além de outros trabalhos “ofensivos ao cristianismo”.

Por conta da alta repercussão negativa, o Santander Cultural decidiu por encerrar abruptamente a exposição. A instituição chegou a divulgar, em sua conta oficial no Facebook, uma nota de esclarecimento.

Nota oficial do Santander Cultural 

“Nos últimos dias, recebemos diversas manifestações críticas sobre a exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na Arte Brasileira. Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra.

O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia. Nosso papel, como um espaço cultural, é dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros para gerar reflexão. Sempre fazemos isso sem interferir no conteúdo para preservar a independência dos autores, e essa tem sido a maneira mais eficaz de levar ao público um trabalho inovador e de qualidade.

Desta vez, no entanto, ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana.

O Santander Cultural não chancela um tipo de arte, mas sim a arte na sua pluralidade, alicerçada no profundo respeito que temos por cada indivíduo. Por essa razão, decidimos encerrar a mostra neste domingo, 10/09. Garantimos, no entanto, que seguimos comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e outros grandes temas contemporâneos.”