Suspeito de racismo, youtuber Júlio Cocielo perde patrocínios

Foto: reprodução/Youtube

FOLHAPRESS

O influenciador digital Júlio Cocielo, 25, causou polêmica ao escrever no sábado passado (30) no Twitter que o jogador da seleção francesa Kylian Mbappé, que é negro, “conseguiria fazer uns arrastão [sic] top na praia”.

Era uma referência ao jogo entre França e Argentina da Copa do Mundo, no qual o atacante fez dois dos quatro gols da vitória francesa.

O post foi considerado racista por internautas, que vasculharam o perfil de Cocielo e encontraram mensagens ofensivas de anos anteriores.

Em 2013, por exemplo, ele afirmou em mensagem que só seria possível deixar de fazer piadas de negros caso eles fossem exterminados.

Cocielo apagou o tuíte sobre Mbappé e publicou uma nova mensagem em que pediu desculpas. Nela, afirmou que o comentário se referia à velocidade do jogador, e não à cor da sua pele.

“O tuíte foi interpretado de mil formas diferentes e gerou uma grande discussão. Decidi deletar pois nunca fui de entrar em polêmicas, mas já era tarde demais, tinha tomado uma proporção enorme.”

Também disse sentir vergonha dos comentários antigos que foram localizados em seu Twitter.

“Na época, esses comentários infelizes tinham uma interpretação totalmente diferente de hoje, um momento delicado. Muitas vezes fui irônico, muitas vezes estava zoando entre amigos, muitas vezes só queria ser o engraçadão, e são coisas que eu nem lembrava ter escrito.”

A reportagem tentou contato com Cocielo por email, mas não obteve retorno.

O jovem influenciador, nascido em Osasco, na Grande São Paulo, tem 7,4 milhões de seguidores no Twitter, 11,2 milhões no Instagram e 16,2 milhões de inscritos no seu canal no YouTube. Ele fala, principalmente, sobre jogos online.

Cocielo viajou à Rússia a convite da Embratur para participar, no último dia 27, de uma das ações de uma campanha de promoção do turismo no Brasil.

Ele foi o anfitrião de um evento com influenciadores digitais de vários países, incluindo Rússia, Estados Unidos, Alemanha e Espanha, em que viveram “um dia de brasileiro” com direito a feijoada, caipirinha e aula de dança. No final, eles foram ao jogo Brasil x Sérvia, em Moscou.

A Embratur afirmou que rompeu o contrato com o influenciador, que previa ainda ações promocionais nas redes sociais, e que ele não aparecerá no vídeo gravado durante o evento em Moscou. Ele foi vetado também para qualquer futura campanha do órgão.

Não foi a única patrocinadora que Cocielo perdeu. A marca de material esportivo Adidas, o banco Itaú e a varejista virtual Submarino confirmaram à Folha ter deixado de patrocinar Cocielo e retirado das redes sociais as campanhas em que ele aparece.

Para Tony Goes, colunista da Folha, o caso de Cocielo mostra que o mercado da publicidade está defasado diante da força das redes sociais.

“O caso vai servir de parâmetro e divisor de águas. Os anunciantes ficarão mais cautelosos -e, tomara, os influenciadores também.”

1 Comentário

  1. Acho engraçado o tamanho da Hipocrisia que assola nosso país !

    Se um “Negro” pode ser chamado de “Afro Descendente”, por terem vindo da África, por que o “Branco” não pode ser chamado de “Euro Descendente”, já que vieram da Europa ?

    Porque, se um Afro Descendente sai com uma camiseta escrito “100% Negro”, é considerado orgulho de suas origens, mas se um Branco sai com uma mesma camiseta escrita “100% Branco”, é considerado Racimo ? O Branco não tem direito de também ter orgulho de sua Origem ?

    Até quando vamos usar o “mimimi” de cor ou raça para tirar “proveito” de outras pessoas, órgãos ou situações do dia a dia ? E o que nossa mente “Nutella” transmitirá a nossos descentes, sejam como forem ?

    “Digo a verdade, doa a quem doer”

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