“The Resident” não traz nada de novo, mas tem potencial para melhorar

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Por Erick Rodrigues

* Este texto contém spoilers!

A fórmula já é comum: um hospital, casos complexos e inusitados, dramas dos profissionais que trabalham ali e, no centro da cena, um médico que se destaca pelo talento e comportamento pouco usual. As séries com temática médica já viraram uma categoria importante dentro do gênero, que, vez ou outra, surgem nas grades de programação dos canais. Com sucessos como “ER”, “House” e “Grey´s Anatomy” no currículo, esse filão ganhou mais um representante com a estreia de “The Resident” no Brasil, que aconteceu nesta quarta-feira (4), alguns meses após o fim da temporada nos Estados Unidos.

Sem nenhuma novidade, a estreia de “The Resident” mostra a chegada de Devon Pravesh (Manish Dayal) para trabalhar em um hospital como médico. Logo no primeiro dia, ele descobre que será supervisionado por Conrad Hawkins (Matt Czuchry), um médico com fama de difícil e que utiliza práticas pouco convencionais, especialmente para os profissionais em início de carreira. O atendimento aos primeiros pacientes já mostra alguns dos atritos entre Pravesh e Hawkins, que impõe suas vontades ao iniciante.

A rotina do hospital também apresenta Nicolette (Emily VanCamp), uma enfermeira do hospital que auxilia Pravesh no primeiro dia de trabalho e tem uma relação de amor e ódio com Hawkins. O médico pouco ortodoxo, além do atendimento aos pacientes, também se dedica aos confrontos com o famoso Randolph Bell (Bruce Greenwood), cirurgião considerado uma grande estrela do hospital, mas que convive com uma alta taxa de pacientes que morrem na mesa de cirurgia. Bell, na verdade, esconde tremores constantes em uma das mãos, que desencadeiam problemas médicos sempre atribuídos a outros profissionais.

O novo drama também mostra a médica Mina Okafor (Shaunette Renée Wilson), uma nigeriana que trabalha no hospital e foi treinada para operar uma nova tecnologia cirúrgica, que, na teoria, reduz a zero as chances de erro humano. A necessidade de um visto permanente para continuar nos Estados Unidos faz com que ela seja forçada a deixar Bell usar a tecnologia sem nenhum treinamento para isso.

Recorrendo a uma fórmula já conhecida, “The Resident” procura mostrar, logo no primeiro episódio, todas as apostas. Sem focar em nada de novo, o roteiro passeia pela apresentação dos personagens e por vários casos médicos. Ter um médico pouco convencional no centro da cena não é novidade e não provoca nenhum efeito impactante na série.

Ao longo da primeira temporada da série, uma trama ganha destaque e aumenta o interesse pelos personagens: as discussões sobre ética. “The Resident” mostra os médicos mais novos tentando combater as práticas condenáveis de Bell e da oncologista Lane Hunter (Melina Kanakaredes), que ganha dinheiro submetendo pacientes a tratamentos de quimioterapia sem necessidade.

Não há nenhum grande destaque do elenco no início da série, apesar dos personagens cumprirem bem com as propostas apresentadas. Bruce Greenwood já fez esse tipo outras vezes, mas é inegável que o desempenho de “vilão” funciona. Dayal, Czuchry, Emily e Shaunette também têm atuações convincentes. No decorrer da temporada, os personagens vão conquistando mais a empatia do público e ganhando características mais complexas, algo que ainda pode melhorar muito na segunda temporada.

“The Resident”, apesar da história eficiente e pouco original, acaba funcionando bem como passatempo e carrega potencial para melhorar e se tornar uma boa opção de série médica na TV. Isso, no entanto, vai depender dos futuros episódios e das escolhas do roteiro para os personagens.

THE RESIDENT (primeira temporada)

ONDE: Fox

QUANDO: toda quarta-feira, às 22h15

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