Saída de atriz enfraquece parte do enredo e “9-1-1” busca retomar equilíbrio

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Por Erick Rodrigues

Para conquistar espaço no nicho das séries de médicos, bombeiros e afins, o produtor Ryan Murphy estreou “9-1-1” com a proposta de mesclar diversos serviços de atendimento de emergência em uma mesma atração. Com equilíbrio e dando espaço para que cada segmento se desenvolvesse, a série rendeu um bom entretenimento na primeira temporada. Agora, no entanto, com a estreia do segundo ano, a produção teve que lidar com a saída de uma das personagens centrais e, por isso, parte do enredo voltou enfraquecido e precisando se recuperar.

Nos dois primeiros episódios que inauguram a nova temporada, os bombeiros de Los Angeles lidam com algumas mudanças nas rotinas pessoais. O capitão Bobby Nash (Peter Krause), depois de enfrentar traumas do passado, começa um relacionamento com Athena (Angela Bassett), a policial com dificuldades em assumir o namoro após de uma separação difícil. Já Buck (Oliver Stark), aguardando a volta da namorada, não encara bem a chegada de Eddie Diaz (Ryan Guzman), o novo recruta do batalhão, e ainda recebe a visita de Maddie (Jennifer Love Hewitt), a irmã que fugiu de uma relação abusiva.

Depois de alguns atendimentos “corriqueiros”, como o socorro a um jovem que teve a cabeça cimentada em um microondas para virar sensação na internet, o grande caso dos episódios de estreia do segundo ano é o terremoto que atinge a cidade de Los Angeles e causa a queda parcial de um prédio. Deslocados para o local, os bombeiros se envolvem nas buscas por vítimas soterradas pelos escombros e ao salvamento de um homem prensado a uma janela do edifício.

Enquanto os bombeiros atendem ao chamado principal, Athena é surpreendida pelo terremoto enquanto leva um jovem ladrão de carro para a cadeia. A queda de um viaduto interrompe a tarefa da policial, que ainda envolve o infrator no salvamento das vítimas da ocorrência.

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Principal qualidade de “9-1-1” na primeira temporada, que podem ser vista no canal Fox Life, no Brasil, a mistura de diversos enredos, que proporcionaram, em alguns momentos, diferentes visões sobre o mesmo caso, volta comprometida para o segundo ano. A saída da atriz Connie Britton, protagonista da trama que mostrava o contato inicial entre as vítimas e os socorristas, deixou “manca” a base de sustentação da série, sobrecarregando, inclusive, as demais histórias.

Para tentar reverter a perda, Jennifer Love Hewitt foi contratada para ocupar o posto de atendente da linha telefônica de emergência, mas, nos primeiros episódios, o espaço da trama ainda não foi recuperado. Menos carismática e mais engessada que a antecessora, a nova integrante do elenco deu sinais de que não vai ter as mesmas funções de Connie Britton, o que pode esvaziar, inclusive, o interesse que sobrou pelo enredo.

As tramas dos demais personagens continuam cumprindo bem as funções, com bons casos de emergência e conflitos satisfatórios para os personagens. O mais prejudicado é Buck, que parece deslocado nos primeiros episódios também por conta da saída de Abby, a namorada atendente vivida por Connie Britton. Angela Bassett ainda segue como a principal força do elenco da série, valorizando os conflitos da policial Athena.

Ainda é cedo para dizer se o enfraquecido de parte do enredo de “9-1-1” vai ser permanente. As possibilidades de recuperação estão apresentadas e a busca pelo equilíbrio da primeira temporada deve seguir nos próximos episódios. Se isso não acontecer, vai ser uma pena que a produção perca o principal diferencial em relação às demais.

9-1-1 (segunda temporada)

ONDE: Fox (Estados Unidos); ainda sem previsão de estreia no Brasil

COTAÇÃO DA ESTREIA: regular