“Punho de Ferro” aposta em enredo “copiado” e melhora em relação ao primeiro ano

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Por Erick Rodrigues

Entre as séries que, logo depois, formariam o crossover “Os Defensores”, “Punho de Ferro” sempre foi o elo mais fraco de construção desse universo Marvel no serviço de streaming Netflix. Sem a personalidade necessária para se destacar, algo que as demais souberam imprimir, o primeiro ano da atração pecou pelo roteiro arrastado e pela hesitação da narrativa em mergulhar de cabeça no misticismo da história. Agora, para a segunda temporada, fica nítido que os produtores buscaram corrigir o maior número de erros possível, usando, para isso, um enredo “copiado” de outras séries que sustentam esse universo de personagens.

Na segunda temporada, depois dos acontecimentos envolvendo a lendária K´un-Lun, Danny Rand (Finn Jones) estabeleceu-se em Nova York e, tentando não se acomodar com as facilidades proporcionadas pela fortuna a que tem direito, se divide entre um emprego de carregador de mudança e o combate ao crime pelas ruas da cidade, especialmente na região de Chinatown. Todas as noites, o Punho de Ferro tenta pacificar o bairro, alvo de uma disputa entre facções. Rand, no entanto, mostra viver um grande conflito por não entender qual o propósito dele nesse mundo e depois de tudo o que aconteceu na missão de proteger K´un-Lun.

A vigilância do protagonista pelas ruas preocupa Colleen (Jessica Henwick), que ainda convive com os próprios problemas. Depois de ajudar a acabar com O Tentáculo, a parceira de Rand decidiu deixar de lado a dedicação pelas artes marciais e se dedicou ao trabalho comunitário. Em uma tarefa de separar doações para pessoas carentes, Colleen encontra uma caixa com um brasão conhecido e passa a questionar a presença e o papel da família na vida dela.

Os conflitos pessoais de Rand e Colleen, no entanto, são colocados em segundo plano quando uma nova ameaça interrompe a paz na região. Davos (Sacha Dhawan), inconformado com o dom concedido ao irmão de K´un-Lun, volta com o propósito de roubar o punho de ferro e “limpar” o mundo, eliminando os criminosos. Ele conta com a ajuda de Joy (Jessica Stroup), que está disposta a castigar Rand e o irmão Ward (Tom Pelphrey), que, na temporada passada, esconderam segredos importantes dela.

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Depois das escolhas erradas do primeiro ano, “Punho de Ferro” decide apostar em um enredo “copiado” de outras séries do mesmo universo, como “Jessica Jones” e “Luke Cage”. O roteiro coloca a base da narrativa nos conflitos entre o protagonista e um vilão com motivações ambíguas e pessoais. O passado deles, cheio de questões mal resolvidas, aparece na trama para dar mais consistência aos personagens e, de fato, a melhora é perceptível, mesmo com uma história nada original.

Ainda sobre o enredo, vale destacar o desfecho da segunda temporada, que propõe uma mudança em relação ao uso do poder do punho de ferro. Tentando não dar spoilers, é preciso dizer que a escolha do roteiro pode significar, para episódios futuros, uma interessante alteração de foco e novos caminhos para a narrativa, ainda que a explicação dada para chegar a essa resolução seja um clichê.

Para fugir do roteiro arrastado da primeira temporada, e de outras séries da Marvel no Netflix, “Punho de Ferro” corrige esse problema reduzindo o número de episódios. Ao invés dos tradicionais treze episódios, a trama se divide, agora, em dez capítulos, o que traz mais agilidade e permite que a história foque apenas nos aspectos mais importantes para os conflitos se desenvolverem.

Mesmo buscando a correção de pontos fundamentais, “Punho de Ferro” ainda deixa muito a desejar em relação aos personagens. A ausência de camadas e complexidade em Danny Rand é algo que continua incomodando muito, mesmo com o roteiro que ensaia a construção desses conflitos internos. Ao longo dos episódios, o protagonista não consegue deixar de parecer raso, com personalidade indefinida e reações pouco justificadas. As melhores nuances ficam por conta de Colleen e Davos, que têm as características mais bem exploradas pela narrativa.

Em relação ao primeiro ano, “Punho de Ferro” melhorou consideravelmente. Usando um enredo “reciclado” de outras séries do mesmo universo, a atração despertou mais interesse e ganhou em agilidade. A dificuldade em desenvolver a personalidade do protagonista, mesmo trazendo novos conflitos pessoais para a história, ainda é uma característica que interfere muito no resultado final. A correção de alguns erros importantes, no entanto, ajuda a série a vislumbrar um futuro melhor.

PUNHO DE FERRO (segunda temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: regular