“Jack Ryan” acerta com narrativa de espionagem e rende boa maratona

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Por Erick Rodrigues

Assim como no cinema, o universo dos espiões é muito variado e conta com clássicos, como “MacGyver” e “Missão Impossível”, passando por comédias ao estilo de “Agente 86” e chegando a dramas com referências históricas, como “The Americans”. Faltava entre as opções, no entanto, uma produção que mesclasse as melhores características do entretenimento do gênero e um toque de realidade, dado pela abordagem de conflitos atuais. “Jack Ryan”, série lançada pelo serviço de streaming Amazon Prime Video, surge para ocupar esse espaço e entrega aos espectador uma boa experiência de maratona.

Adaptando um personagem criado pelo escritor Tom Clancy, a série traz a história de Jack Ryan (John Krasinski), analista da CIA que, na rotina do trabalho de estudo de dados e movimentações financeiras suspeitas, descobre pistas sobre uma perigosa ameaça terrorista: Suleiman (Ali Suliman), um homem que está sempre à frente das autoridades em ataques pontuais, que visam um plano maior para espalhar caos e punir nações ocidentais.

A chegada de James Greer (Wendell Pierce), o novo chefe de uma das divisões da CIA, e as descobertas do protagonizam fazem com que as autoridades organizem operações para impedir os objetivos secretos de Suleiman, que confia ao irmão Ali (Haaz Sleiman) a responsabilidade de coordenar ações terroristas na Europa, que serviriam para despistar e, também, ajudar a passar a mensagem pretendida pelos terroristas.

A necessidade faz com que Jack Ryan e Greer deixem o trabalho analítico na sede da CIA, nos Estados Unidos, e partam para campo, onde entram em contato com o poder e a violência de grupos da região da Síria, que enfrenta muitos conflitos armados e tentativas da população de deixar o país. No encalço de Suleiman, a dupla de agentes acaba cruzando com os caminhos de Hanin (Dina Shihabi), a esposa do terrorista, e as filhas do casal, que fugiram de casa por conta do envolvimento do patriarca da família com negócios suspeitos.

Os esforços de Suleiman para ter um grupo de médicos como refém, entre eles, um conhecido amigo do presidente norte-americano, revela as verdadeiras intenções do terrorista, que envolvem a proliferação de uma variação do vírus Ebola no Ocidente. Para tentar conter a ameaça, Jack passa a contar, também, com os conhecimentos da médica Cathy Mueller (Abbie Cornish), especialista em doenças infecciosas.

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Nos oito episódios da primeira temporada, “Jack Ryan” mostra estar disposta a ocupar, na televisão, um espaço já bem preenchido no cinema por espiões como James Bond, na franquia “007”, e Ethan Hunt, em “Missão: Impossível”. Para isso, a intenção clara é criar uma narrativa de espionagem que una o melhor do entretenimento do gênero, como cenas de ação e lutas coreografadas, com aspectos históricos sobre o terrorismo no mundo.

A proposta funciona bem por conta da narrativa dinâmica e bem amarrada, que explica os acontecimentos sem didatismos pedantes e alimenta o interesse do espectador com constantes pistas e fatos que levam ao plano maior do vilão. Na abordagem sobre o terrorismo, a série não inova e recicla a clássica visão do heroísmo norte-americano para livrar o mundo do terror, mas é inegável que, para funções narrativas, ela funciona. É bom lembrar que “inimigos” do Ocidente, como países do Oriente Médio e a Rússia, são usados constantemente como antagonistas nesse gênero, tanto no cinema como na TV.

O elenco de “Jack Ryan” cumpre bem as funções determinadas pelo roteiro, a começar pelo protagonista. John Krasinsli empresta carisma ao personagem, que reúne características marcantes ao gênero, como traumas passados em outras operações e os conflitos entre a função de agente da CIA e a vida pessoal. Além disso, Wendell Pierce e Ali Suliman também contribuem com bons desempenhos.

Com essa mistura de aspectos reais e o melhor do entretenimento do gênero, “Jack Ryan” pode se firmar como uma boa opção de narrativa de espionagem na televisão. Os planos para isso já são concretos e dão sinal de uma segunda temporada envolvendo a Rússia. Por enquanto, mesmo se rendendo a clichês do segmento, a série corresponde às intenções de uma agradável maratona.

JACK RYAN (primeira temporada)

ONDE: Amazon Prime Video (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: boa