“How To Get Away With Murder” foca mais nos personagens em fim de temporada

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Por Erick Rodrigues

Desde a estreia, “How To Get Away With Murder” teve crimes no foco central da narrativa, que conduziram todos os aspectos da trama. Agora, no fim da quarta temporada, depois de muitas reviravoltas, a série pode dizer que, mesmo que continue com a temática presente, se libertou dessa “dependência” e pode finalmente se dedicar a outros elementos, como o desenvolvimento dos personagens.

A quarta temporada, que terminou nesta segunda-feira (30), aqui no Brasil, já começou a apostar mais no aprofundamento dos personagens. Por enquanto, isso ainda está muito restrito à protagonista, Annalise Keating (Viola Davis), que viveu uma intensa jornada pessoal ao longo dos episódios.

Depois de quase perder a licença para advogar, enfrentar acontecimentos do passado e se envolver em uma relação conturbada com o terapeuta Isaac Roa (Jimmy Smits), que tinha seus próprios problemas, a protagonista fecha a temporada mergulhada nos problemas relacionados aos pais de Laurel (Karla Souza) e, finalmente, a uma resolução definitiva sobre a morte de Wes (Alfred Enoch).

Enquanto tenta lidar com o fato de Simon (Behzad Dabu) ameaçar dizer o que lembra sobre o roubo das informações sobre os crimes do pai de Jorge Castillo (Esai Morales), Annalise divide as atenções com a ameaça causada por um misterioso acidente. O sumiço da mãe de Laurel também movimenta o episódio, já que pode servir como mais uma forma de chantagem para o empresário.

O final da temporada também encaminha mudanças para os coadjuvantes. Entre incertezas, Michaela (Aja Naomi King) toma uma atitude drástica para resolver os problemas do grupo que envolvem Simon, surpreendendo a todos e, até mesmo, contrastando com a conduta de Annalise. Connor (Jack Falahee) também revela os motivos para ter deixado a faculdade e passar um tempo errante. Frank (Charlie Weber) e Bonnie (Liza Weil) são outros que dão novos passos em direção a mudanças, sendo que a virada do primeiro acaba revelando um dos conflitos da próxima temporada da série.

“How To Get Away With Murder”, depois de temporadas focadas em assassinatos envolvendo os protagonistas, percebeu que precisava de uma mudança de perspectiva para seguir despertando o interesse do espectador. Evitando o cansaço com esse tipo de mistério, a série pode até continuar tendo os crimes como tema, mas dá sinais de que os roteiristas estão interessados em desenvolver melhor os personagens e apostar nos conflitos das relações entre eles. O gancho do último episódio para a próxima temporada, ainda não confirmada oficialmente, é um sinal disso.

Os desvios da fórmula que consagraram a série já começaram lá no início da quarta temporada, quando o foco era o passado de Annalise e como essas mudanças criaram a figura que vemos. Além da ligação com o filho de Laurel e Wes, o novo caminho da produção também pode explorar um novo tom nos episódios futuros.

Um dos destaques da temporada, também, foi o crossover entre “How To Get Away With Murder” e “Scandal”, reunindo duas das principais protagonistas femininas da televisão. Com um roteiro bem amarrado e coerente com as séries, o encontro entre Annalise e Olivia Pope (Kerry Washington) serviu para provocar reviravoltas nas histórias das duas, além de carregarem um subtexto interessante sobre discussões entre questões raciais e o sistema judiciário norte-americano.

A mudança de estilo, mesmo que ainda carregue características que consolidaram a série, pode fazer com que “How To Get Away With Murder” ganhe fôlego e consiga se manter interessante. Apostar no melhor desenvolvimento dos personagens, criando mais profundidade nas histórias, pode ser um bom estímulo para continuar acompanhando Annalise Keating, que, a julgar pelo último episódio, vai ter que lidar com uma grande surpresa no próximo ano.