Por Erick Rodrigues

A cerimônia de entrega do Emmy 2018, premiação considerada o Oscar da televisão norte-americana, está marcada para a próxima segunda-feira (17) e, mais uma vez, há ótimas opções entre os indicados aos principais troféus do ano.

Depois de uma ausência no Emmy do ano passado, a série “Game of Thrones” voltou a figurar entre as favoritas da premiação e, desta vez, lidera em número de indicações, tendo sido lembrada em 22 categorias. Em 2017, a produção ficou de fora do prêmio por conta da data de exibição da sétima temporada, fora do prazo considerado para disputar os troféus.

Ainda na lista das produções mais indicadas, estão o humorístico “Saturday Night Live” e a ficção científica “Westworld”, lembradas em 21 categorias. Em seguida, aparece “The Handmaid´s Tale”, sucesso de público e crítica que recebeu 20 indicações.

Entre as comédias, a série “Atlanta”, protagonizada pelo ator Donald Glover, recebeu 16 indicações. “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” foi a mais lembrada entre as séries limitadas, indicada 18 vezes.

Independente do número de indicações, o Emmy 2018 reconhece uma diversidade interessante de produções, que contemplam os mais variados gostos. As qualidades das séries lembradas nas principais categorias chama atenção e evidencia, mais uma vez, a qualidade das narrativas da televisão norte-americana, sejam elas dramas, comédias, fantasias e ficções científicas. Abaixo, as melhores entre as indicadas deste ano:

AS MELHORES SÉRIES INDICADAS AO EMMY

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– THE HANDMAID´S TALE

Baseada na obra literária de Margaret Atwood, “The Handmaid´s Tale” merece todo o reconhecimento e, em duas temporadas, já se firmou entre as melhores e mais relevantes séries dos últimos anos. Em um momento em que o mundo discute, cada vez, questões como machismo, extremismos e ameaças à liberdade, a produção conquista o espectador com a criação de uma distopia onde as mulheres férteis são aprisionadas e obrigadas a servir famílias de comandantes de um regime totalitário, sendo submetidas, inclusive, a constantes estupros com a desculpa de terem que servir a uma religião e garantirem o futuro da humanidade. Com tramas angustiantes e diálogos densos, além de um elenco impecável, “The Handmaid´s Tale” é forte candidata a desbancar o favoritismo de “Game of Thrones”.

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– THE MARVELOUS MRS. MAISEL

Sem sombra de dúvidas, essa é a melhor comédia que a televisão norte-americana lançou nos últimos tempos. Novamente, discussões atuais, especialmente sobre o papel da mulher e a igualdade de oportunidades, ganham protagonismo, mas, nesse caso, com um humor inteligente. Criada por Amy Sherman-Palladino, a mesma de “Gilmore Girls”, a série se passa nos anos 50 e traz uma protagonista que é abandonada pelo marido e, diante dessa nova situação, procura se firmar como comediante de stand-up, ambiente predominantemente masculino. Com um roteiro verborrágico e despudorado, a produção acerta com a criação de personagens carismáticos, que conquistam a empatia do espectador logo de cara. “The Marvelous Mrs. Maisel” já se deu bem no Globo de Ouro e pode repetir o desempenho no Emmy deste ano.

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– GAME OF THRONES

Os fãs não se conformaram quando “Game of Thrones” não apareceu na lista de indicações ao Emmy 2017, por conta do período de exibição da atração, fora do prazo considerado para a premiação. Em uma sétima temporada marcante, a atração ganhou dinamismo e passou a encaminhar personagens e acontecimentos para o desfecho, marcado para ir ao ar em 2019. Consolidando uma mudança no estilo da narrativa, a disputa pelo trono de Westeros nunca foi tão comentada e rendeu momentos importantes para a história, como a aliança entre Jon Snow (Kit Harington) e Daenerys (Emilia Clarke) e o início do confronto direto com os White Walkers. Se já agradava os fãs antes, no sétimo ano, “Game of Thrones” colocou, definitivamente, os espectadores “no bolso”.

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– WESTWORLD

Propondo que o público seja convidado a embarcar nos questionamentos dos personagens sobre a natureza da realidade em que cada um vive, “Westworld” entregou uma segunda temporada instigante, cheia de reviravoltas e que “explode” a cabeça dos espectadores com tantas incógnitas e tendências para o futuro. Fugindo do didatismo e apostando na complexidade da narrativa, a série vai e volta no tempo, obrigando o espectador a construir a cronologia da trama mentalmente. Depois de revelar o real motivo para a construção de um parque onde humanos interagem com inteligências artificiais, a produção deixa mais dúvidas do que esclarecimentos, característica que torna a série irresistível.

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– THE CROWN

Depois de mostrar a chegada da rainha Elizabeth II ao trono do Reino Unido, “The Crown” focou os acontecimentos da segunda temporada nos conflitos da personagem entre os deveres da função e a vida pessoal. Além das obrigações da monarquia, a rainha, vivida pela atriz Claire Foy, também enfrenta escândalos envolvendo a família e uma crise conjugal com o marido, que se incomoda de ficar sempre à sombra da esposa. Com um texto primoroso, sem didatismo histórico, “The Crown” constrói personagens complexos em tramas bem desenvolvidas. O elenco é outra grande qualidade da série, puxado por Claire Foy e Matt Smith.

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– STRANGER THINGS

Sem o pudor de se render a referências dos anos 80, “Stranger Things” privilegia a diversão do espectador, o que faz dela uma excelente opção para os interessados em maratonas. Na segunda temporada, que corresponde às indicações ao Emmy, os episódios focam mais no contato entre as criaturas do Mundo Invertido e o grupo de crianças envolvido em conspirações governamentais e perseguições a monstros misteriosos. A jornada de Eleven (Millie Bobby Brown) ganha mais destaque, com revelações sobre o passado da garota e a construção de uma relação paternal  com o delegado Jim Hooper (David Harbour). Mesmo valorizando as referências, a série também soube se libertar e ganhou mais autonomia, elaborando mais a narrativa e, ao mesmo tempo, conseguindo manter um tom despretensioso.

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– GODLESS

Série limitada lançada no serviço de streaming Netflix, “Godless” apresenta um ótimo faroeste sobre uma cidade habitada, majoritariamente, por mulheres. A região entra na mira do bandido Frank Griffin (Jeff Daniels), que caça um antigo aliado transformado em inimigo mortal. Depois de fugir de um conflito com o fora-da-lei, Roy Goode (Jack O´Connell) vai parar no rancho de Alice Fletcher (Michelle Dockery), mas o rastro dele acaba atraindo Griffin para a cidade. Com apenas sete episódios, “Godless” impressiona pelas cenas fortes e tensão construída pela narrativa. Merece destaque o desempenho dos atores, especialmente dos ótimos Michelle Dockery e Jeff Daniels. Um faroeste inusitado e marcante, que merece a atenção dos fanáticos por séries.

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– THE ALIENIST

Suspense ambientado na Nova York do século XIX, a série mostra as investigações sobre uma série de assassinatos cujas vítimas são crianças. A mente do misterioso serial killer e a motivação para os crimes instigam a curiosidade do psiquiatra Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), que se dedica a ajudar pessoas com outros problemas mentais, combatendo, inclusive, os preconceitos da sociedade da época. Com uma ambientação caprichada do período, “The Alienist” constrói um thriller psicológico irresistível, que deixa o espectador vidrado pelos desfechos, mesmo não tendo necessariamente uma proposta nova. As boas atuações do elenco também ajudam a sustentar o clima de suspense da narrativa.