Por Erick Rodrigues

O diretor, produtor e autor Ryan Murphy resolveu apostar em mais um segmento de séries de TV e, com isso, acabou se tornando um dos que mais se arrisca em gêneros diferentes. Depois de ter feito musical, terror, seriado médico e antologias inspiradas na realidade, ele, agora, mostrou que pode contribuir bem com o filão que retrata o atendimento a casos de emergência. Para isso, ao invés de investir separadamente em produções sobre bombeiros, policiais e resgate de vítimas, Murphy decidiu unir tudo isso em “9-1-1”, que estreou nesta quinta-feira (26), no Brasil, pelo canal Fox Life.

Para mostrar as várias faces dos casos, a série começa mostrando as ocorrências desde a comunicação à central telefônica de emergência, onde trabalha Abby (Connie Britton), que recebe os mais inusitados e arriscados pedidos de socorro. Logo no início, o recebimento das ligações serve para centralizar os acontecimentos para, depois, dividi-los entre bombeiros, paramédicos e policiais de Los Angeles.

As ações do Corpo de Bombeiros são comandadas por Bobby (Peter Krause), que faz do trabalho uma forma de superar traumas do passado. Uma das preocupações iniciais do bombeiro é com Buck (Oliver Stark), um impetuoso e mulherengo subordinado, que também trabalha ao lado de Hen (Aisha Hinds) e Chimney (Kenneth Choi).

Com frequência, as ocorrências dos bombeiros acabam envolvendo, também, a ação do departamento de polícia de Los Angeles, especialmente a policial Athena (Angela Bassett), que, além da tensão profissional, também enfrenta problemas relacionados à separação do marido e ao processo de aceitação dos filhos.

Apesar de apresentar os conflitos iniciais dos personagens, “9-1-1”, que teve apenas dez episódios na primeira temporada, já encerrada nos Estados Unidos, ainda não explora com profundidade essas histórias.

Pela curta duração, inclusive, ficou parecendo que o roteiro acelerou alguns desdobramentos de tramas que poderiam ser melhor exploradas em episódios futuros. Mesmo assim, os personagens parecem promissores e, se bem desenvolvidos, podem render melhor futuramente.

Devendo na exploração da profundidade dos personagens, “9-1-1” se sustentou, na primeira temporada, com os casos de emergências apresentados nos episódios. Criativas e inusitadas, as chamadas de socorro, muitas deles temáticas, criaram movimentação e conseguiram prender a atenção do espectador, especialmente daqueles que já gostavam de séries do gênero e, agora, assistem a todos os elementos em uma mesma produção.

No elenco, o nome de destaque é Angela Bassett, que, até aqui, apresenta a personagem que mais tem nuances a serem exploradas. Peter Krause também entrega boas sequências, especialmente quando revela as fragilidades do bombeiro que faz do trabalho uma forma de se redimir dos erros do passado. Já o casal Oliver Stark e Connie Britton fica preso a uma trama repetitiva e não sai do lugar na temporada.

Em um nicho crescente de séries, “9-1-1” se destaca com a proposta de concentrar várias abordagens de histórias em um mesmo produto. Nesse quesito, a produção cumpre bem com a função de prender a atenção com os casos de emergências.

Para o segundo ano, no entanto, já confirmado, a série pode explorar melhor os conflitos dos personagens, o que vai trazer mais profundidade aos dramas. Mesmo assim, já vale dar um voto de confiança e mergulhar nesse bom e despretensioso entretenimento.

9-1-1 (primeira temporada)

ONDE: Fox Life

QUANDO: todas as quintas-feiras, às 22h15